Cogumelos alucinógenos

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

Cogumelo é um termo popular para indicar o basidioma ou ascoma (antigamente referido como corpo de frutificação) de fungos pertencentes ao grupo dos basidiomicetos ou ascomicetos. Estes basidiomas ou ascomas são estruturas de reprodução sexuada que se diferenciaram do micélio, ou seja, o conjunto de hifas, células constituintes dos fungos. Quando se faz menção aos cogumelos, a maioria pertence aos basidiomicetos, enquanto que para ascomicetos, o cogumelo mais conhecido é uma espécie comestível, Morchella sp. Os cogumelos em basidiomicetos são estruturas macroscópicas e sua morfologia se caracteriza por apresentar píleo ou chapéu; himênio, a parte inferior do píleo onde se formam basídios e basidiósporos; o estipe ou pé, que pode ter a presença de um anel localizado na porção superior do estipe e a volva na base. Esta divisão foi feita por especialistas para facilitar estudos com o grupo.

Partes de um cogumelo. Ilustração: Kallayanee Naloka / Shutterstock.com [adaptado]

Os cogumelos alucinógenos também podem ser referidos como cogumelos mágicos e são conhecidos por sintetizar substâncias cujo resultado altera o estado de consciência atingindo principalmente o sistema nervoso central. Com isso, civilizações antigas, como os maias faziam uso destes cogumelos em rituais religiosos, ou eram usados por curandeiros.

Existem cerca de 1000 espécies de cogumelos registradas e mais de 200 são conhecidas com propriedades alucinógenas. No Brasil, as espécies com esta propriedade encontram-se no gênero Psilocybe, Panaeolus e Pluteus. As substâncias responsáveis por este fenômeno são compostos conhecidos como alcaloides indólicos derivados do aminoácido triptofano. E para as espécies de Psilocybe, Panaeolus e Pluteus, os alcaloides indólicos são conhecidos psilocibina e psilocina. Estes alcaloides produzem efeitos profundos em seres humanos, como alucinações e distúrbios sensoriais semelhantes aqueles causados em indivíduos portadores de esquizofrenia. Os efeitos são comparados a droga LSD (Lysergsäurediethylamid, termo alemão que significa ácido lisérgico), porém com menor intensidade. Contudo, os sintomas característicos incluem alucinações visuais, sinestesia, confusão, desorientação, comportamento inapropriado, relaxamento muscular, taquicardia, entre outros. A intoxicação é letal. Os sintomas se iniciam após 20 ou 30 minutos da ingestão, com o pico em duas horas, decaindo após três ou quatro horas. Porém, a substância pode ser detectada no organismo após uma semana da ingestão. No Brasil, a psilocibina e psilocina entram na lista da ANVISA como substâncias psicotrópicas (portaria 344/98).

Outro cogumelo com efeitos alucinógenos é Amanita muscaria, uma das espécies conhecidas popularmente. O termo muscaria se deve a propriedade que este fungo tem para espantar moscas, cuja descoberta se deve a Alberto Magnus, no século XV. Estes fungos são colocados nos batentes de janelas na Romênia até hoje com o mesmo intuito. Outras espécies do gênero Amanita são consideradas tóxicas, comestíveis e há aquelas associadas a raízes de plantas formando micorrizas.

Amanita muscaria, um cogumelo alucinógeno. Foto: photowind / Shutterstock.com

Bibliografia recomendada:

http://www.anvisa.gov.br/scriptsweb/anvisalegis/VisualizaDocumento.asp?ID=939&Versao=2 (consultado em junho de 2018)

Rossato, L.G. 2008. Avaliação quimiotaxonômica de cogumelos da espécie Psilocybe wrightii. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), da disciplina de Farmácia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 42 pp.

Evert, R.F. & Eichhirn, S.E. 2014. Raven/ Biologia Vegetal. 8ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, pp.278-316

Terçaroli, G.R., Paleari, L.M. & Bagagli, E.2010. O incrível mundo dos fungos. São Paulo, Ed. Unesp, 125p.

Bononi, V.L. (org.). 1998. Zigomicetos, Basidiomicetos e Deuteromicetos. São Paulo: Instituto de Botânica, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, 181p.

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