Dinoflagelados

Por InfoEscola
Categorias: Reino Protista
Ouça este artigo:
Este artigo foi útil? Considere fazer uma contribuição!

Por Marília Araújo

Os dinoflagelados são os representantes do Filo Dinoflagellata do Reino protista.

Quase metade das 4.000 espécies marinhas e de água doce de dinoflagelados tem cloroplastos, além de ser um importante produtor primário especialmente nos oceanos. O pigmento xantofila peridinina é responsável pela cor marrom-avermelhada ou marrom-dourada que caracterizam estes organismos. Os cloroplastos estão envolvidos por três camadas (ou membranas) e possuem clorofilas a e c, mas são carentes de clorofila b, e ainda são diversificados, já que se originaram como endossimbiontes de no mínimo 3 táxons diferentes. Os dinoflagelados heterotróficos são incolores, não tem plastos e tiveram sua origem como os euglenóides, sendo seres heterótrofos incolores que adquiriram independentemente cloroplastos por endossimbiose.

Alguns desses dinoflagelados são endoparasitas de outros protozoários, crustáceos e peixes. Possuem 2 flagelos, sendo que um se prende atrás da metade do corpo direcionando-se à parte posterior, repousando em um sulco longitudinal. A superfície deste flagelo é lisa e pode apresentar duas séries de mastigonemas. Já o outro flagelo é transversal e está localizado em um sulco (cíngulo), que tanto circunda o corpo apenas uma vez ou então forma um espiral de várias voltas em torno do corpo. Este flagelo apresenta uma fileira unilateral de mastigonemas, que é responsável por movimento de rotação e locomoção. O flagelo longitudinal empurra a água para trás, impulsionando o protozoário para frente. O vacúolo contrátil destes organismos é chamado de púsula, ele se abre para o exterior próximo da base do flagelo, além de estar envolvido por mionemas contráteis.

Desenho esquemático de diferentes dinoflagelados que possuem teca (as setas a e b evidenciam a posição dos flagelos, note os sulcos). Ilustração: Shazz / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Os organismos dinoflagelados possuem um esqueleto muito complexo chamado “teca”, que contém frequentemente depósitos de celulose esquelética em alvéolos. Na parte em que a teca é fina e flexível, como no organismo do gênero comum de água doce e marinha Gymnodinium, diz-se que o dinoflagelado é sem armadura ou nu. Já os que tem armadura possuem a teca bem mais espessa, constituída por algumas ou muitas placas formadas por alvéolos preenchidos com celulose. Estes organismos possuem muitas formas, sendo que as muitas espécies que são pequenas formam um grupo que contém os principais contribuintes para a bioluminescência planctônica. À noite quando o mar está calmo é possível perceber as luzes esverdeadas que brilham no rastro de um barco que passa ou ainda quando um cardume de peixes assustados disparam em fuga.

Dinoflagelado do gênero Ceratium. (Foto: Rattiya Thongdumhyu / Shutterstock.com)

Dinoflagelado Karenia brevis. Foto: USFWS.

Dinoflagelado Noctiluca scintillans, sem teca, responsável pela bioluminescência expressa na figura 2.d. Foto: Maria Antónia Sampayo, Instituto de Oceanografia, Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Bioluminescência de dinoflagelados. Foto: YewLoon Lam / Shutterstock.com

Nutrição

Os dinoflagelados podem ser fotoautotróficos pigmentados ou heterotróficos incolores, mas algumas espécies pigmentadas apresentam os dois tipos e nutrição. Normalmente a presa é capturada pelos pseudópodes do organismo e ingerida por uma abertura oral associada ao sulco flagelar longitudinal. Entre os dinoflagelados simbiontes, as zooxantelas mutualistas dos corais, sem as quais os nossos ecossistemas dos recifes de corais talvez não existissem, são primariamente uma espécie de dinoflagelado: Symbiodinium microadriaticum.

Miríades de dinoflagelados ocorrem no plâncton marinho e são importantes contribuintes para a produção primária oceânica, especialmente quando se trata dos trópicos. As espécies marinhas dos gêneros Gymnodinium, Gonyaulax e outras são responsáveis pelo fenômeno que conhecemos muito bem: maré vermelha. Em condições ambientais ideais e com a presença de substâncias promotoras do crescimento, as populações de certas espécies aumentam astronomicamente, compondo muitas vezes um número inimaginável até então. As marés vermelhas, contudo, nem sempre são vermelhas de fato. A água pode ser amarela, verde ou marrom, isto dependerá unicamente dos pigmentos predominantes desses organismos. As concentrações de alcalóides tóxicos (substâncias produzidas pelos dinoflagelados) podem alcançar níveis muito altos e podem matar outros seres marinhos.

A Pfiesteria piscicida, comumente conhecida por “a célula do inferno”, é o dinoflagelado responsável por um índice alto de mortalidade de peixes em estuários ao longo das costas centroatlântica e do sudeste dos EUA. Se as condições ambientais são de enriquecimento orgânico (tanto pela poluição humana quanto pelas fezes de cardumes) as células normalmente atóxicas liberam uma toxina solúvel que causa lesões nos tegumentos dos peixes. Os dinoflagelados atacam as feridas e consomem todos os peixes.

Pfiesteria é um heterotrófico incolor que se alimenta através de fagocitose. Quando se alimenta de algas unicelulares pode até digerir a célula da presa, mas retém seus cloroplastos intactos e os utiliza para prover a si mesmo com fotossíntese. O ciclo de vida desses organismos inclui muitos estágios.

A intoxicação alimentar por ciguatera nos seres humanos é causada por um dinoflagelado que vive preso a algas multicelulares. A ciguatoxina é adquirida pelos peixes herbívoros que comem essas algas, concentrando a toxina em níveis elevados em seus tecidos e passando adiante na cadeia alimentar à outros peixes (carnívoros). Essa toxina pode atingir concentrações tão altas nos tecidos dos peixes carnívoros que quando estes são ingeridos por humanos pode haver um envenenamento sério que pode até matar. Além dos sintomas gastrointestinais (como diarréia, vômito e náuseas), pode haver também problemas respiratórios, fraqueza muscular e sensações cutâneas estranhas por um longo período.

Reprodução

A reprodução dos dinoflagelados se dá por fissão binária longitudinal. Neste processo cistos se formam em muitos grupos de flagelados. Além da forma amebóide, alguns organismos podem apresentar a forma de uma bola nua, sem flagelo, chamada palmela. A fissão frequentemente transforma a palmela unicelular em um aglomerado de células.

Este artigo foi útil? Considere fazer uma contribuição!