Teísmo

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

O teísmo (que tem sua raiz na palavra grega theos, que significa deus) contrapõe-se ao ateísmo (em grego, a = negação, theos = deus) e tem uma certa relação com o deísmo, de modo que por algum tempo na história da filosofia teísmo e deísmo representaram a mesma coisa, até que sua distinção foi devidamente feita pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724 – 1804), em sua obra Crítica da Razão Pura. Enquanto no deísmo se acredita que Deus, após ter criado o mundo e suas leis, afastou-se do mundo, tornando-se, portanto, transcendente a ele, o teísmo acredita na existência de Deus ou de deuses como seres pessoais. Acredita também que Deus é perfeito e que é, portanto, onisciente (conhecedor de todas as coisas), onipotente (que está presente em todos os lugares) e perfeitamente bom, sendo, portanto, um criador amoroso que se comunica com os seres humanos e manifesta-se a eles através de seu cuidado. É diferente, também, do panteísmo, pois afirma que Deus existe independentemente da existência do mundo. O teísmo é um elemento central das religiões monoteístas como o islamismo, o cristianismo e o judaísmo e os defensores desse pensamento utilizam-se de vários argumentos para provar a existência de Deus, mas não sem enfrentar diversas críticas às suas principais ideias.

Em sua distinção entre o deísmo e o teísmo, Kant afirma que enquanto o primeiro admite apenas uma teologia transcendental, o segundo afirma também uma teologia natural. Ou seja, enquanto os deístas admitem a existência de um Deus mas negam que se possa atribuir, através da razão, qualquer outra determinação a ele além de que ele seja real, os teístas reconhecem que a razão é capaz de determinar as características particulares da divindade através de uma analogia com a natureza. Para os teístas, portanto, pode-se conhecer a Deus e a seus atributos através do pensamento. De acordo com Kant, os teístas afirmam que Deus é o criador do mundo, enquanto os deístas o afirmam apenas como causa do mundo.

Outra característica do teísmo que marca sua diferença em relação ao deísmo, é que o teísta admite a crença em atributos de Deus que não podem ser alcançados pela razão mas que podem ser conhecidos por meio da revelação. Isso significa que, além de poder-se reconhecer a existência de Deus e algumas de suas características através do exercício do pensamento humano, pode-se conhecer aquilo que é impossível de ser alcançado naturalmente através de uma iluminação proporcionada ao ser humano pelo próprio Deus. No teísmo, portanto, acredita-se em um Deus engajado, que se relaciona e se interessa por sua criação. Ele é, portanto, um “Deus vivo”.

Apesar de toda a discussão acima ter-se dado na chamada idade moderna, mais especificamente durante o desenvolvimento do pensamento iluminista, também é possível identificar o teísmo presente no mundo contemporâneo, tanto na filosofia quanto nas religiões de uma maneira geral. Ele aparece como um aspecto essencial do espiritualismo, que acredita na existência de uma realidade espiritual povoada por espíritos imateriais (anjos, demônios, espíritos desencarnados, etc.), por exemplo. O teísmo possibilita as condições de argumentação necessárias para que o espiritualismo veja-se capaz de reagir às doutrinas filosóficas as quais rejeitava, como idealismo romântico (de tendências panteístas) ou pela doutrina de G.F.W. Hegel (representado também pelo filósofo Johann Gottlieb Fichte, dentre outros).

O teísmo pode ser encontrado no cotidiano social a partir da observação das práticas religiosas mais populares, onde os fiéis demonstram sua crença em uma divindade amorosa que se interessa por suas vidas e que pode intervir em seu favor, por exemplo, em meio às dificuldades do mundo.

Referências:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Trad. Alfredo Bosi e Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

Arquivado em: Filosofia, Religião