Gravidez ectópica

Mestrado em Ciências Veterinárias (UFU, 2013)
Graduação em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

A gravidez ectópica ocorre quando o embrião se implanta e inicia seu desenvolvimento fora do útero. Todavia, o útero possui tecidos adaptados ao desenvolvimento embrionário e fetal, os quais possuem elasticidade e capacidade de nutrição. Já as outras estruturas não possuem a mesma capacidade. Por isso, nesses casos a gestação deve ser interrompida e a mãe pode estar em risco, caso o diagnóstico não seja feito a tempo e cuidados médicos não sejam realizados.

Os casos mais comuns de gravidez ectópica ocorrem nas tubas uterinas (98% dos casos), a chamada gestação tubária, mas podem ocorrer também nos ovários, na cavidade pélvica e no canal cervical (2% dos casos).

A Implantação

A fecundação ocorre na ampola das tubas uterinas. O epitélio das tubas é ciliado e produz movimentação dos líquidos em direção ao útero, fazendo com que essa corrente leve o concepto nessa direção. Ao chegar no útero, o embrião já está em uma fase do desenvolvimento em que ele eclode e sai do seu revestimento, a zona pelúcia. Nessa etapa então, ocorre a nidação ou implantação no útero. O local ideal para a implantação e desenvolvimento saudável da gestação é a região súpero posterior do útero.

Local de implantação do embrião em uma gravidez normal e na gravidez ectópica. Ilustração: Veronika Zakharova / Shutterstock.com

No entanto, falhas no epitélio ciliado e/ou na motilidade do músculo liso impedem essa movimentação nas tubas, assim o embrião eclode sem que tenha chegado ao útero e se implanta lá.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas iniciais são semelhantes aos sintomas de uma gravidez comum, como náuseas e teste positivo para o β-HCG. No entanto, apesar do teste positivo, a ultrassonografia não mostra o embrião na cavidade uterina.

Outro aspecto importante é que os níveis de β-HCG em uma gestação normal aumentam duas vezes dentro de 48 horas até 9 e 11 semanas de gestação, período no qual ocorre estabilização desses níveis em um platô. Na gravidez ectópica os níveis sobem mais lentamente e alcançam um platô em menos de 9 semanas.

Outros sintomas mais específicos são sangramento vaginal anormal, dor abdominal e sensibilidade incomum. Caso haja uma ruptura da tuba uterina, podem ocorrer tontura e desmaios, distensão abdominal, irritação peritoneal, dor intensa na parte inferior do abdômen ou em apenas um lado do corpo, podendo se estender até o ombro pela pressão que o sangue pode fazer no diafragma, enrijecimento do abdômen e choque.

Causas

As causas estão relacionadas a fatores que acarretam inflamação ou obstrução nas tubas uterinas, como:

Tratamento

O tratamento pode ser cirúrgico ou medicamentoso e depende do período em que o diagnóstico foi feito. Quanto mais cedo, menos risco o tratamento confere a gestante.

O tratamento cirúrgico pode ser radical, quando há remoção da tuba uterina em gestações tubárias, ou conservador, quando há remoção apenas da massa ectópica. Até 4 semanas de gestação é feita por videolaparoscopia cirúrgica, sem risco para a mãe. Após 8 semanas, há risco para ela, pois é feita a remoção do embrião por laparotomia (abertura cirúrgica da cavidade abdominal), ambas podem ser radical ou conservadora.

O tratamento medicamentoso com metotrexato pode ser feito até a 6a semana de gestação. Essa substância pode fazer a mulher reabsorver o embrião ou o expelir, tratando a gestante sem os riscos potenciais da cirurgia. Mas, para esse tratamento a paciente precisa estar com os sinais vitais estáveis e com poucos sintomas, estar com os padrões de sangue e as enzimas hepáticas normais, a gravidez ectópica íntegra, ausência de batimentos cardíacos no embrião e a massa ectópica medindo até 4 cm.

Nos casos em que o diagnóstico não é feito precocemente, pode ocorrer um episódio clínico urgente de hemorragia intra-abdominal, devido a ruptura da tuba uterina ou dos tecidos em que o embrião se implantou, por isso, é preciso realizar o acompanhamento clínico da gestação e utilizar-se do serviço médico especializado.

Referências:

CASAS, M. et al. Consideraciones éticas sobre el uso de metotrexate en el embarazo tubario (ET). Acta bioethica, v. 18, n. 2, p. 147-153, 2012.

FEBRONIO, Eduardo Miguel et al. Gravidez ectópica: ensaio iconográfico com enfoque em achados de tomografia computadorizada e ressonância magnética. Radiologia Brasileira, v. 45, n. 5, p. 279-282, 2012.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. DEPARTAMENTO DE SAÚDE REPRODUTIVA E PESQUISAS. Planejamento Familiar: Um Manual Global para Profissionais e Serviços de Saúde. Disponível em:

https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/44028/9780978856304_por.pdf;jsessionid=3037EF3B1119DF74E8C2B131B54AB46E?sequence=6. Acesso em 27/12/2019.

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