Lordose

Graduação em Fisioterapia (Faculdade da Serra Gaúcha, FSG, 2014)

A estrutura da coluna possui curvaturas específicas em cada um de seus segmentos. As curvaturas são adquiridas ao longo do processo de desenvolvimento, desde a fase de crescimento intrauterino, se estendendo até a fase adulta. A coluna lombar e cervical apresenta curvatura com convexidade ventral, caracterizando assim a curvatura da lordose. As curvaturas dos segmentos da coluna possuem algumas particularidades, uma vez que elas dependem dos movimentos corporais durante as fases de desenvolvimento motor para serem definidas até o final do processo de crescimento. A lordose é comum tanto na estrutura lombar quanto cervical. Na região cervical podem variar de 20º a 40º graus, já na região lombar podem variar entre 40º e 60º graus, sendo esses valores considerados normais.

Lordose. Ilustração: Alila Medical Media / Shutterstock.com

Com o passar do tempo, as curvaturas podem sofrer alterações, sendo diagnosticadas como patologias ou adaptações posturais. Algumas patologias consideradas apenas como desvios posturais, podem ser vistas apenas em exames clínicos, testes de função muscular e avaliações posturais, mas também se torna de grande valia utilizar exames de imagem para entender cada caso, como o raio x panorâmico, ressonância magnética, tomografia computadorizada, exames de podoposturologia, dentre outras possibilidades de diagnóstico que se encontram em constante desenvolvimento.

A partir das alterações que podem ser identificadas nos métodos de avaliação, devem ser levados em consideração alguns sinais que o paciente pode vir a apresentar, tais como: fatores genéticos, sedentarismo, sobrepeso, fraqueza muscular e maus hábitos posturais. A partir dos sinais apresentados, podem ser identificados sintomas importantes para o diagnóstico de determinadas patologias, como por exemplo: fraqueza muscular, formigamento na coluna ou no segmento inervado pela estrutura específica, dores fortes localizadas ou mesmo irradiadas, diminuição ou perda da sensibilidade local ou do segmento inervado, alterações vasculares, alterações de temperatura, ausência de reflexos ou resposta exagerada aos mesmos.

As alterações da lordose fisiológica ocorrem quando há alteração na curvatura da coluna, desenvolvendo assim o que se denomina como hiperlordose, que consiste na acentuação da convexidade ventral da lordose fisiológica, e a retificação, que consiste na perda de uma ou mais curvaturas fisiológicas, diminuindo os ângulos que são considerados anatomicamente normais para suportar as cargas exercidas pelo corpo. A retificação pode ser considerada um mecanismo compensatório, relacionado ao encurtamento e redução de força muscular, principalmente dos músculos rotadores do quadril.

Quando se pensa em cuidados preventivos, pode-se decidir por realizar condutas específicos para que se consiga manter a curvatura da coluna íntegra. A partir de bons hábitos diários, prática de atividades físicas, bons hábitos posturais ao realizar as atividades de vida diária, cuidados ao realizar esforços físicos necessários para a funcionalidade, entre outros fatores que podem ser analisados, devem ser levados em consideração para que a saúde dos segmentos que possuem a particularidade da curvatura convexa ventral mantenha-se saudáveis.

Por diversas vezes a curvatura da lordose pode ser confundida com algum processo patológico. Porém, vale ressaltar a importância de esclarecer que, quando a curvatura da lordose se apresenta no segmento lombar ou cervical da coluna, trata-se de uma condição anatômica normal da estrutura. Quando a estrutura apresentar uma acentuação da curvatura anatômica, considerando-se no caso hiperlordose, considera-se uma condição patológica. Porém, sabe-se que para manter a curvatura da coluna íntegra, devemos manter as demais estruturas equilibradas. Para que esse equilíbrio funcione, é necessário manter a musculatura estabilizadora sempre fortalecida, através de atividades físicas que possam desenvolver força suficiente para manter a estrutura sem adaptações, realizar alongamentos específicos para cada estrutura, bem como se utilizar de recursos como a liberação miofascial, alongamentos neurais, mobilizações articulares, eletrotermofototerapia e outros recursos para que as forças vetoriais sejam direcionadas corretamente para que não haja necessidade da coluna se adaptar para que a manutenção postural possa acontecer para manter a funcionalidade do organismo de forma saudável.

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Referências:

NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

TORTORA, Gerard J. Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. Porto Alegre. 4ª ed. Artmed Editora. 2000.

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