Estruturalismo

Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)

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O estruturalismo não pode ser entendido exatamente como uma teoria sobre a sociedade nem como uma metodologia em si. O estruturalismo é, sobretudo, um ponto de vista sobre as formas possíveis de conhecer e compreender o mundo. Podemos, portanto, dizer que o estruturalismo é uma posição epistemológica, isto é, que diz respeito às formas e possibilidades de construção do conhecimento. Com influências da linguística, o estruturalismo nas Ciências Sociais ganha maior relevância a partir da década de 1960, sendo as universidades francesas seu principal palco de desenvolvimento.

Como o nome deixa explícito, desde o ponto de vista estruturalista a noção de estrutura social ocupa uma posição central. Os estruturalistas partem da ideia de que os conceitos, atos ou fenômenos não podem ser compreendidos de forma isolada. Por si mesmos, considerados enquanto unidades singulares, não carregam significados que podem ser apreendidos pelos cientistas sociais. Assim, as coisas devem ser compreendidas em sua inter-relação com o quadro geral dos sistemas a que são pertencentes, ou seja, as estruturas dos quais são componentes não-autônomos. Essa posição tem como objetivo - entre outras intenções e diálogos teóricos - revisar os dualismos colocados pelo positivismo, retomando a unidade entre os campos do subjetivo e do objetivo, do indivíduo e da sociedade, do sujeito e do objeto de estudo.

O estruturalismo foi difundido na Antropologia a partir da obra de Claude Lévis-Strauss (1808-2009), mas se apresentou como proposta para todos os campos das humanidades. Inspirado pelos trabalhos de Ferdinand de Saussure na área da Linguística, Lévis-Strauss definia a estrutura como um sistema de elementos interdependentes, o que significa que a modificação em um elemento afetaria todos os demais. Como consequência, seria preciso desenvolver modelos de teoria social que dessem conta de investigar as realidades a partir da complexidade das estruturas em questão.

Para Lévis-Strauss haveria uma certa unidade psíquica comum a todos os grupos humanos, o que explicaria a significativa repetição de um conjunto de princípios em diferentes culturas e formações sociais. O antropólogo francês foi um grande estudioso das sociedades indígenas radicadas em solo brasileiro. Ao observar sistematicamente essas etnias, Lévis-Strauss chegou a formulação de que, ainda que fossem muito diferentes entre si - e ainda mais diferentes das sociedades europeias, por exemplo - haveriam elementos similares compartilhados por todos esses agrupamentos humanos. Um elemento frequentemente citado como constante nas diferentes culturas é a rejeição do incesto como prática de constituição de parentesco.

É importante ressaltar que a noção de estrutura social não é de exclusividade do estruturalismo. Ela aparece em autores que antecedem essa corrente epistemológica e pode ser também mobilizada por autores que não, necessariamente, seguem os princípios do estruturalismo. Entretanto, muitos autores foram influenciados pelo estruturalismo, abraçando inteiramente seus princípios teóricos, incorporando-os de forma parcial ou mesmo traçando suas teorias a partir de um diálogo direto de crítica a esses princípios, buscando a sua superação. É nesse último caso, de relativa ruptura, que se encontram os autores taxados como pós-estruturalistas.

Demos maior destaque aqui ao desenvolvimento do estruturalismo nas Ciências Sociais e, mais especificamente, na Antropologia. Entretanto, cabe destacar que o estruturalismo se apresenta como posição epistemológica de grande relevância também em outros campos do conhecimento, a exemplo da filosofia e da psicologia. Além disso, entre diferentes autores classificados como estruturalistas encontramos grande diversidade de perspectivas. É um tema bastante complexo, mas de fundamental importância para aqueles que desejam se inserir nos debates mais aprofundados sobre as possibilidades de conhecer e compreender a realidade social.

Referência:

LARAIA, Roque de Barros. Cultura - um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2001

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