Favelização

Graduado em Geografia (Centro Universitário Fundação Santo André, 2014)

O processo chamado de favelização está relacionado ao início de construções de moradia localizadas em áreas impróprias, que foram sendo levantadas ao longo dos processos de urbanização na história, decorrente de diversos fatores, dentre eles a falta de acesso a moradias, questões econômicas, dentre outros.

No Brasil o desencadeamento de uma grande parte do processo de favelização ocorre durante o século XX, quando se inicia de maneira mais intensa a urbanização. A formação das cidades, decorrente da chegada das indústrias em movimento paralelo à mecanização do campo, isso é, a entrada das máquinas no trabalho rural o que ocupou diversas vagas de trabalho de camponeses, resultou em um evento conhecido como êxodo rural, a saída da população do campo em direção às cidades, em busca de novos postos de trabalho e qualidade de vida, o que por vezes não consegue ser atingido.

Favela no Rio de Janeiro, Brasil. Foto: Ronaldo Almeida / Shutterstock.com

Com o alto fluxo de pessoas migrando para as cidades, que estavam se formando de maneira lenta e com recursos escassos para a época do início do século XX, surgem grandes problemas para os centros urbanos, como as superlotações em hospitais, escolas, falta de acesso a saneamento básico, moradias sem estrutura adequada, alastramento de doenças, desemprego, entre outros.

As moradias nos centros urbanos se concentravam nas áreas planas, centrais e próximas às indústrias recém instaladas, porém seu custo era elevado. Muitos dos camponeses que estavam chegando nas cidades não possuíam renda econômica suficiente para comprar casas ou terrenos nessa localidades, sendo assim começaram a ocupar os espaços não construídos aos arredores das cidades, e em terrenos impróprios para construções, como encostas de morros, margens de rios, e áreas sujeitas a riscos. Essas regiões começaram a ser chamadas de favelas.

As favelas surgem a princípio pela falta de acesso às moradias nas áreas centrais e planas das cidades, seja pela falta de espaço para ocupar ou a privação econômica para adquirir um espaço nos centros urbanos, resultando nas invasões e ocupações dos espaços incongruentes.

Outro fator histórico que resultou em um processo de favelização no Brasil sucedeu-se no final do século XIX com a abolição da escravatura, muitos dos ex-escravizados não tinham morada nem recursos financeiros para adquirir terras, sendo assim, foram levados a ocupar as áreas inabitadas e inabitáveis para as elites brasileiras nesse período, se igualando as áreas impróprias citadas anteriormente, como as encostas de morros, margens de rios, entre outros.

Com o processo de favelização há acumulação de problemas urbanos, como a falta de infraestrutura, ausência de saneamento básico, perigos ligados a catástrofes naturais como escorregamentos superficiais de terra, alagamentos, soterramentos, etc.  É visível que nas favelas não há coleta e tratamento de esgoto, as construções são inapropriadas, possuem cabos de eletricidade, telefonia e internet clandestinos, falta de asfalto e planejamento nas vias, processos esses resultantes de um sistema social que não os veem com devida importância, sempre marginalizando e excluindo socialmente.

Há uma intensificação no processo de formação de favelas ao longo do século XX e continuando durante o início do século XXI, nesse momento com um motivo diferente: não pela mudança de uma área rural para o espaço urbano, mas pela falta de acesso financeiro para moradias, devido também a outros fatores, o que resulta na existência de favelas e moradias irregulares em diversas cidades do Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos, como nas cidade de São Paulo e Rio de Janeiro.

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