Insensibilização de animais de abate

A insensibilização tem o objetivo de fazer com que o animal fique inconsciente no abate, para que este possa ser abatido de forma eficiente, sem lhe causar dor e angústia. Cada país estabelece regulamentos de diferentes tipos de insensibilização em diferentes espécies de animais em frigoríficos, com o objetivo de garantir o abate humanitário.

Esta etapa de insensibilizar o animal é essencial, pois permite uma melhor sangria e manejo do animal no abate, com procedimentos mais seguros para os operários, já que o animal se encontra inconsciente, além de que é dever moral do homem, o respeito aos animais e evitar os sofrimentos inúteis principalmente àqueles destinados ao abate. Drogas não podem ser usadas com o intuito de induzir a inconsciência animal, visto que resíduos inaceitáveis permaneceriam na carne. O processo de insensibilização não é completamente livre do estresse, mas reduz a resposta do animal às condições estressantes durante o abate.

A tecnologia do abate de animais destinado ao consumo somente assumiu importância científica quando foi observado que os eventos que se sucedem desde a propriedade rural até o abate do animal tinham grande influência na qualidade da carne. Um conceito antigo no processo de abate estabelece que, para obtenção de carnes de qualidade superior, a insensibilização não deve levar à destruição do bulbo, para que o coração e o pulmão continuem funcionando com vistas a uma máxima expulsão de sangue da carcaça na etapa de sangria. Estudos recentes estabelecem que, desde que a venosecção dos grandes vasos do pescoço seja realizada em até três minutos, a sangria incompleta e a falência cardíaca prévia não comprometem a eficiência da sangria ou a aparência e qualidade microbiológica da carne.

Os métodos de insensibilização para abate humanitário no Brasil, regulamentados pela IN3 classificam-se em:

  • Métodos mecânicos (concussão) –> percussivo penetrativo: realizado com pistola com dardo cativo, acionado por ar comprimido (pneumáticas) ou cartucho de explosão; percussivo não-penetrativo: apenas realizado por pistolas de dardos de percussão, que causam a concussão com o impacto, sem a penetração do dardo no crânio do animal.
  • Método elétrico (eletronarcose) –> uso de corrente elétrica, que deve atravessar o cérebro do animal. Deve ser realizado pelo uso de eletrodos (animais maiores) especiais que garantam o perfeito contato com a pele, sendo, no entanto, permitido o uso de equipamentos de imersão quando da insensibilização de aves.
  • Método da exposição à atmosfera controlada –> faz-se uso de atmosfera com dióxido de carbono (CO2), ou mistura deste com outros gases, onde os animais são expostos para insensibilização por anoxia.

Fonte:

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA). Secretaria da Defesa Agropecuária (SDA). Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA). Divisão de Normas Técnicas. Instrução Normativa n. 3, de 17 de janeiro de 2000. Aprova o Regulamento Técnico de Métodos de Insensibilização para o Abate Humanitário de Animais de Açougue. Lex: Diário Oficial da União de 24 de janeiro de 2000, Seção 1, pág. 14-16. Brasília, 2000.

CHAMBERS, P. G., GRANDIN, T. Guidelines for humane handling , transport and slaughter of liverstock. Food and Agriculture Organization – FAO (RAP Publication 1001/4), 2001.

CORTESI, M. L. Slaughterhouses and humane treatment. Rev. Sci. Tecn. Off. Int. Epiz., v.13, n.1, p.171-193, 1994.

GRACEY, J. F., COLLINS, D. S. Humane slaughter. In: Meat hygiene. London: Baillière Tindall, 1992. p.143-167.

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