Gâmbia

Por Emerson Santiago
A República do Gâmbia (em inglês: Republic of the Gambia) é um pequeno país localizado à África Ocidental, com um território de 11.300 km², um pouco menor que o estado de Sergipe. A capital e principal cidade do país é Banjul, cidade com pouco mais de 34 mil habitantes. O território gambiano é cercado pelo Senegal, constituindo um enclave dentro deste, sendo que o seu território é um "contorno" envolvendo o rio Gâmbia em boa parte de seu curso, e seu litoral é banhado pelo Oceano Atlântico. A língua oficial é o inglês, utilizado pela mídia oficial, sendo que a população, em seu cotidiano, utiliza as línguas nacionais, como o wolof, fulani e o mandingo. Uma grande variedade de grupos étnicos vivem em Gâmbia, cada um preservando sua própria língua e tradições. A tribo Mandinka é o maior, seguido pelo Fula, Wolof, Jola, e Sarahule. Cerca de 3 500 não-africanos vivem no país, incluindo europeus e famílias de origem libanesa. Os muçulmanos constituem mais de 90% da população, sendo que cristãos de diferentes denominações representam grande parte do restante.

Região integrante dos impérios Mali e Kaabu, os primeiros relatos sobre Gâmbia vêm de registros de comerciantes árabes do nono e décimo séculos d.C., responsáveis por estabelecer a rota de comércio trans-saariano para escravos, ouro e marfim. No século XV, os portugueses assumiram este comércio usando rotas marítimas.

Em 1588, o pretendente ao trono lusitano, Antonio Prior do Crato, vendeu os direitos comerciais exclusivos sobre o rio Gâmbia aos comerciantes ingleses. Em 1618, o Rei Jaime I concedeu foral a uma empresa britânica para comércio com Gâmbia e Costa do Ouro (atual Gana). No final do século XVII e durante todo o XVIII, Inglaterra e França lutaram continuamente pela supremacia política e comercial nas regiões dos rios Senegal e Gâmbia. O Tratado de Versalhes de 1783 concedeu Gâmbia à Grã-Bretanha, mas o franceses mantiveram um pequeno enclave em Albreda na margem norte do rio, que seria cedida ao Reino Unido em 1857.

Estima-se em três milhões os escravos retirados da região durante os três séculos que o comércio humano transatlântico operou. Não se sabe quantos escravos foram levados por comerciantes árabes em simultâneo por meio do tráfico trans-saariano.

Os britânicos estabeleceram o posto militar de Bathurst (hoje Banjul) em 1816. Nos anos seguintes, Bathurst ficou, por vezes, sob a jurisdição do governador-geral britânico em Serra Leoa. Em 1888 Gâmbia tornou-se uma entidade administrada em separado.

Um acordo 1889 com a França estabeleceu as fronteiras atuais, e Gâmbia tornou-se uma colônia da Coroa Britânica, dividida para fins administrativos na colônia (cidade de Banjul e arredores) e o protetorado (restante do território). O território recebeu seu próprio executivo e conselhos legislativos em 1901 e gradualmente progrediu em direção ao auto-governo. Uma portaria de 1906 aboliu a escravidão.

Durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas da gambianas lutaram com os Aliados na Birmânia. Banjul serviu como base aérea para o Exército dos EUA e escala para comboios navais aliados. O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt parou durante a noite em Banjul a caminho da Conferência de Casablanca, em 1943, marcando a primeira visita ao Continente Africano por um presidente americano no exercício do mandato.

Gâmbia conseguiu a independência a 18 de fevereiro de 1965, como uma monarquia constitucional dentro da Comunidade Britânica.

Em 24 de abril de 1970, Gâmbia tornou-se uma república por meio de um referendo. Até o golpe militar de julho de 1994, o país foi liderado pelo presidente Dawda Kairaba Jawara, reeleito cinco vezes. A relativa estabilidade da era Jawara foi quebrada por uma violenta tentativa de golpe, sem sucesso em 1981.

No rescaldo da tentativa de golpe, Senegal e Gâmbia assinaram um tratado em 1982 resultando na Confederação Senegâmbia, visando, eventualmente, combinar as forças armadas dos dois países e unificação das economias e moedas. Gâmbia retiraria-se da confederação em 1989.

Em julho de 1994, as Forças Armadas do Conselho de Governo Provisório (AFPRC) tomaram o poder em um golpe militar, depondo Dawda Jawara. O tenente Yahya A.J.J. Jammeh, presidente do AFPRC, torna-se chefe de Estado.

No final de 2001 e início de 2002, Gâmbia completou um ciclo completo de eleições presidenciais, legislativas e locais, que observadores estrangeiros consideraram livres e transparentes, embora com algumas deficiências. Reeleito, o presidente Yahya Jammeh, realizou o juramento de posse a 21 de dezembro de 2001. Jammeh foi reeleito para um mandato de cinco anos em setembro de 2006 com 67% dos votos.

Bibliografia:
Gâmbia. Disponível em <http://www.portalbrasil.net/africa_gambia.htm>. Acesso em: 07 dez. 2011.

Background note: The Gambia (em inglês). Disponível em <http://www.state.gov/r/pa/ei/bgn/5459.htm>. Acesso em: 07 dez. 2011.

Mapa: http://www.scanict-gbos.gov.gm/