Saara Ocidental

Por Emerson Santiago
Saara Ocidental (em árabe As-Sahra al Garbiyya; em espanhol, Sahara Occidental) é um território do norte da África, cuja soberania encontra-se atualmente em disputa. Sua área é de 266.000 km², comparável à do estado de São Paulo, e suas fronteiras são o Oceano Atlântico a oeste, Marrocos ao norte, Argélia a nordeste e Mauritânia a leste e sul. Sua principal cidade é El-Aiun (Al-Uyun ou ainda Laâyoune) e as línguas utilizadas são o berbere e o árabe hassaniya (espanhol e francês são usados especialmente no contato com o exterior).

De 1884, após a Conferência de Berlim até 1976, o Saara Ocidental foi colonizado pela Espanha. Sem fronteiras definidas até o início do século XX, os territórios de Saguia el-Hamra (norte, com capital em El-Aiún) e Río de Oro (sul, com capital em Villa Cisneros, atual Dajla) foram colônias até 1939, quando passaram a ser administradas a partir do Marrocos Espanhol (uma estreita faixa de terra do atual território marroquino, próximo à Espanha). Com a incorporação deste ao Marrocos independente, em 1956, Saguia el-Hamra e Río de Oro formarão o Saara Espanhol, formalmente, província ultramarina espanhola. Desde o início dos anos 60 o Marrocos solicita a entrega do Saara Espanhol, considerando-o parte histórica de seu território, e a partir de 1973 os colonizadores passam a sofrer com a guerrilha local, a Frente Polisario (Frente Popular de Liberación de Saguía el Hamra y o de Oro, no original em espanhol), que até o fim do domínio europeu conseguirá controlar todo o interior.

Em comparação com os outros países europeus, a Espanha realiza tardiamente a descolonização de suas possessões, e somente em 1976 promove uma atrapalhada saída da área, cuja soberania era negociada em segredo com a Frente Polisario, oposicionista de uma possível anexação marroquina. O Marrocos promove a Marcha Verde, em novembro de 1975, uma bem divulgada marcha popular de enormes proporções, com vários civis convocados pelo rei Hassan II, que caminham até a fronteira, com bandeiras e fotos do rei.

Pouco depois da Marcha Verde, a Espanha resolve negociar com Marrocos e Mauritânia (que também reclamava soberania sobre uma parte do território espanhol, considerada sob seu domínio historicamente) e celebra os Acordos de Madri, dividindo a colônia espanhola entre Marrocos e Mauritânia.

Este acordo, porém, infringia a lei de descolonização do Saara, e logo seria posta em questão. Marrocos e Mauritânia, porém, acabam por ocupar a ex-colônia, posição contestada somente pela Argélia, a terceira vizinha dos saarauis, que deu o abrigo necessário para que a Frente Polisario pudesse continuar operando em contestação à ocupação estrangeira. Pouco depois, devido às ações desta frente, a Mauritânia irá abrir mão de sua porção no Saara, mas o Marrocos ainda insiste em ocupar o território. Boa parte da União Africana, órgãos estrangeiros os mais variados e até mesmo a ONU consideram que o Saara Ocidental é uma região ainda a ser descolonizada formalmente pela Espanha, e tem direito a uma independência. A Frente Polisario continua a atuar nas fronteiras com a Argélia e a Mauritânia, conseguindo conquistar algumas áreas.

Bibliografia:
SOMMA, Isabelle. Saara Ocidental: A última colônia africana. Disponível em
<http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/saara-ocidental-ultima-colonia-africana-435418.shtml>. Acesso em: 23 abr. 2012.

GARCIA, Raphael Tsavkko. Saara Ocidental, terra ocupada. Disponível em
<http://www.brasildefato.com.br/node/5474>. Acesso em: 23 abr. 2012.

FILHO, Pio Penna. A difícil e esquecida questão do Saara Ocidental, por Pio Penna Filho. Disponível em
http://mundorama.net/2010/01/21/a-dificil-e-esquecida-questao-do-saara-ocidental-por-pio-penna-filho/. Acesso em: 23 abr. 2012.