Rotação de culturas

Por Mayara Cardoso
Depois de plantados e devidamente cultivados, os vegetais são colhidos, seja em parte ou inteiros, quando já estão prontos para consumo. Com isso, o solo empobrece gradativamente em nutrientes. Para evitar que tais elementos químicos essenciais se esgotem no solo, tornando-o impróprio à agricultura, é necessário que os nutrientes sejam repostos por meio de diversas técnicas de cultivo, entre elas, a rotação de culturas.

Foto: vesnushka / Shutterstock.com

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A rotação de culturas é uma técnica agroecológica na qual as espécies cultivadas são alternadas a cada ano, numa mesma área. O cultivo de uma única variedade (monocultura) na mesma área explora do solo apenas os nutrientes essenciais àquela espécie, desequilibrando suas reservas minerais ao longo do tempo e reduzindo muito a sua capacidade produtiva.

Para escolher as espécies de um sistema de rotação, é preciso analisar o tipo de solo da região e a capacidade de adaptação de cada variedade. Também é necessário considerar a viabilidade comercial desses vegetais, de forma que seja garantido o retorno econômico.

Um exemplo de rotação de cultura é a alternância de espécies leguminosas, como o milho, com não leguminosas, como o feijão e a soja. As leguminosas consomem minerais diferentes daqueles necessários às não leguminosas, o que proporciona uma variação de absorção de nutrientes a cada novo ciclo. Essa variação repõe matéria orgânica, balanceia as condições bioquímicas e físicas do solo a médio e longo prazo e impede que o mesmo se “esgote”.

Além de melhoras as características do solo, a rotação de culturas promove, ainda, uma produção de alimentos mais variada, protege-o contra a ação de diferentes fatores climáticos e ajuda a controlar pragas, doenças e ervas daninhas, o que descarta o uso de defensivos agrícolas. Devido à diferença de estrutura das raízes de cada variedade, o solo se torna mais poroso e, portanto, mais aerado, facilitando a absorção de água e sua infiltração até as camadas mais profundas.

Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa mostram, que o rodízio do milho com a soja, técnica muito usada no Brasil, tem aumentado a produtividade das lavouras. Comparado com o sistema de plantio contínuo desses vegetais, o milho cultivado depois da soja teve um aumento de 5% a 15% da produtividade, enquanto o milho plantado após a soja apresentou um ganho de 9%.

Para aumentar os benefícios trazidos pela implantação da rotação de culturas, vale adotar outras técnicas agrícolas específicas como, por exemplo, a calagem, adubação orgânica, adubação verde, irrigação adequada, entre outras.

Referências:
http://www.pesagro.rj.gov.br/downloads/riorural/manual22.pdf
http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Milho/CultivodoMilho_4ed/sisplantiodireto.htm
http://sustainagro.org/agro-sustentavel/praticas-sustentaveis/rotacao-de-culturas/
http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/rotacao.htm
http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/71325/1/ID-25583.pdf