Rotação de culturas

Mestre em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais (UFAC, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (UFAC, 2011)

Define-se como rotação de culturas uma prática agrícola que consiste em alternar em uma mesma área diferentes culturas vegetais seguindo um plano definido anteriormente. Esta técnica visa tornar o sistema mais produtivo e ambientalmente mais sustentável, restabelecendo o equilíbrio biológico. Por outro lado, a monocultura é prejudicial ao solo, pois causa o empobrecimento nutricional devido à produção contínua de uma mesma planta, que absorve sempre os mesmos nutrientes, além de levar à ocorrência descontrolada de doenças, pragas e plantas daninhas.

As espécies destinadas à rotação de culturas devem ter a finalidade de recuperar e preservar a qualidade do solo, mas também se pode levar em consideração a importância econômica dessas espécies. A escolha das espécies para um sistema de rotação depende das condições climáticas de cada região, das condições do solo, da época da semeadura, da finalidade da produção, entre outros fatores. Um sistema de rotação adotado em uma região pode ser inviável em outras regiões.

Foto: vesnushka / Shutterstock.com

Para garantir a eficiência de um sistema de rotação de culturas existem alguns princípios básicos, como: fazer a alternância entre espécies vegetais que apresentem exigências nutricionais distintas e que não apresentem suscetibilidade aos mesmos tipos de pragas; alternância entre espécies que apresentem sistemas radiculares diferentes quanto à arquitetura, distribuição e profundidade de exploração do solo; uso de pelo menos uma espécie com alta capacidade de produção de resíduos vegetais, os quais promovem a proteção do solo.

Um exemplo de rotação de culturas é a que utiliza espécies comerciais em alternância com espécies de cobertura, que são as que têm a finalidade de cobrir e proteger o solo, entre outros benefícios. As leguminosas constituem um dos principais grupos de plantas de cobertura vegetal. Elas se destacam pela alta capacidade de fixação de nitrogênio atmosférico, permitindo que parte desse nitrogênio fique disponível para as culturas seguintes, o que reduz a necessidade de adubação nitrogenda. Um exemplo de rotação deste tipo é a que é feita entre o milho (cultura principal) e as leguminosas como a soja, o guandu, a crotalária e a mucuna.

As gramíneas também são apropriadas para serem usadas como cobertura. Elas apresentam crescimento vegetativo vigoroso tanto da parte aérea quanto do sistema radicular, formando canais no solo que promovem o rompimento das camadas compactadas, o que facilita o crescimento das raízes da cultura subsequente. Além disso, as gramíneas possuem taxa de decomposição mais lenta, o que as permite cobrir o solo por um período de tempo maior. A soja (espécie principal) pode ser utilizada em um sistema de rotação com gramíneas como o milho, a aveia preta, o milheto, a braquiária e o sorgo.

É importante destacar que intercalar, por exemplo, o plantio de soja-milho-soja ou soja-trigo-soja não é fazer um sistema de rotação, mais sim uma sucessão de culturas, o que assim como a monocultura, também pode levar ao desgaste do solo, diminuindo a disponibilidade de nutrientes e favorecendo o desenvolvimento de doenças, pragas e plantas daninhas.

A aplicação de um sistema de rotação de culturas adequado apresenta diversas vantagens, entre elas: proporciona uma diversificação na produção, melhora as características do solo, auxilia no controle de doenças e pragas, torna o sistema mais produtivo, promove a ciclagem de nutrientes e ajuda a recuperar áreas degradadas.

Referências:

Fancelli, A. L. Pesquisas certificam espécies para rotação de culturas. Revista Visão Agrícola, n. 9, p. 17-20, 2009.

Arnhold, M. F., Ritter, A. F. S., Balbinot, M. Benefícios do sistema de rotação de culturas. In: 3ª Simpósio de Agronomia e Tecnologia em Alimentos, p. 1-5, 2016.

Arquivado em: Agricultura