Exoplanetas

Por Felipe Fantuzzi
Exoplaneta – ou planeta extra-solar – é um planeta que orbita uma estrela que não seja o Sol, pertencendo a um sistema planetário diferente do nosso. Embora a existência de outros sistemas planetários seja especulada com muita frequência, até o final da década de 80 nenhum exoplaneta tinha sido detectado, devido principalmente à dificuldade tecnológica em realizar este tipo de detecção. Um planeta do tamanho de Júpiter, por exemplo, tem luminosidade 1 bilhão de vezes menor que o Sol. Por conta disso, observações diretas de exoplanetas, mesmo nos dias de hoje, ainda apresentam grandes dificuldades.

A descoberta do primeiro exoplaneta foi anunciada em 1989, pelos cientistas Lawton e Wright, quando variações nas velocidades radiais da estrela Alrai (γ Cephei) foram explicadas como efeitos gravitacionais causados por um corpo de massa sub-estelar, possivelmente um planeta gigante gasoso, de massa 2 a 3 vezes maior que a de Júpiter. Os próximos exoplanetas só foram detectados em 1992, resultado do trabalho do astrônomo Aleksander Wolszczan, que encontrou três exoplanetas ao redor do pulsar PSR B1257+12, explicando as suas formações a partir dos remanescentes da supernova que produziu o pulsar.

Exoplanetas orbitando estrelas da chamada sequência principal, ou mais especificamente as do tipo solar, só foram detectados a partir de 1995. O primeiro sistema a ter mais de um planeta detectado foi υ Andromedae. A maioria dos planetas detectados possui órbitas muito elípticas e todos possuem grande massa, sendo a maioria com massa superior à de Júpiter. A Figura 1 mostra o número de exoplanetas detectados em função do ano. A Figura 2, por sua vez, mostra o número de exoplanetas detectados em função da massa, tomando como comparativo a massa de Júpiter. Até o ano de 2009, foram descobertos 405 planetas extra-solares.

Figura 1 - Número de exoplanetas detectados em função do ano de detecção

Figura 1: número de exoplanetas descobertos por ano.

Figura 2 - Número de exoplanetas detectados em função de sua massa

Figura 2

Descobrindo Exoplanetas

Com relação aos métodos de detecção, os quatro principais são o astrométrico, o da velocidade radial, o de microlentes gravitacionais e o método de trânsito. No método astrométrico, mede-se apenas o movimento próprio da estrela e procuram-se, nesse movimento, anomalias causadas pela interação gravitacional da mesma com um possível planeta que a orbita. Já no método da Velocidade Radial, mede-se o deslocamento de linhas espectrais da estrela, que são induzidas pela presença de um planeta. Até hoje, este foi o principal método de detecção de exoplanetas, sendo responsável pela detecção da maior parte dos mesmos.

Os outros dois métodos – o das Microlentes Gravitacionais e o Método do Trânsito – são as grandes apostas dos astrônomos para a detecção de novos exoplanetas, pois podem ser utilizados na detecção de planetas com baixa massa e aplicados a estrelas muito distantes. O primeiro baseia-se no efeito da microlente, que consiste na magnificação da luz de uma estrela distante, no fundo do céu, induzidas pelos campos gravitacionais da estrela e do planeta que a orbita. Já o segundo detecta a sombra do planeta quando este transita diante da estrela.

As observações de inúmeros exoplanetas nos últimos anos confirmam a hipótese inicial de que a existência de sistemas planetários é um evento muito comum no Universo.  Esta constatação engrandece de maneira significativa a possibilidade da existência de outros corpos com condições físicas e químicas similares às do nosso planeta. Locais estes que poderiam, portanto, desenvolver a vida como a conhecemos. É com essa perspectiva que muitos cientistas encontram-se agora pesquisando sobre o espaço – a de que muito provavelmente a vida eclode em diversos pontos do Universo, em planetas que orbitam estrelas, a distâncias infinitas da Terra – e que vem ganhando fundamento e solidez, dia após dia.

Referências:
[1] Exoplaneta. Disponível no site pt.wikipedia.org/wiki/Exoplaneta
[2] Lawton, A. T. & Wrght, P. JBIS, 42, 335L (1989).
[3] Ferraz-Mello, S. Planetas Extra-solares. Grupo de Dinâmica de Sistemas Planetários, IAG-USP (2006).