Antigo Testamento

Por Ana Lucia Santana
O Antigo Testamento é a narrativa judaica de suas crenças, visão de mundo e história religiosa. Ele integra a primeira parte da Bíblia Cristã, e engloba o total da Bíblia Hebraica. Originalmente está escrito em hebraico ou aramaico. É conhecido também como Antiga Aliança, Pentateuco e Tanakh, que alude às longas divisões dos textos sagrados da Bíblia Hebraica, como a Torá ou os livros dos profetas – os Nevi’im. Os cristãos dividiram o Antigo Testamento em cinco grupos: Lei, História, Poesia ou Livros de Sabedoria, Profecias e os Livros Deuteronômicos. Seus autores nunca foram conhecidos, os escritos de sua autoria foram provavelmente se somando ao longo de dez séculos. Junto com o Novo Testamento, ele forma a Bíblia, livro sagrado do Cristianismo.

Os judeus, descendentes da tribo de Israel, têm sua história narrada no Antigo Testamento entre 1800 e 500 a.C. Seguindo a narrativa bíblica, vê-se que este povo ganhou ao longo do tempo várias denominações diferentes – hebreus, antes da passagem por Canaã, mais ou menos em 1235 a.C; Povo de Israel, ao se fixar em Canaã, até o momento do exílio; depois deste momento histórico, com o fim do degredo, passou finalmente a ser chamado de Judeu, em 536 a.C. Textos bíblicos antigos foram encontrados em 1947, nas cavernas próximas ao Mar Morto, pergaminhos datados de cerca de dois mil anos, guardados em jarras durante milênios. Na era medieval os monges tinham o hábito de reproduzir a Bíblia em rolos de pergaminhos.

O Antigo Testamento é uma epopéia religiosa, como a ‘Odisséia’ de Homero o é, por exemplo, no sentido literário, e como ela foi transmitida oralmente de geração para geração, durante milênios, até ser fixada muito tempo depois pela escrita. Nele se encontra desde narrações históricas, como o Livro dos Reis, até contos, passando por belíssimos poemas, como os que se encontram no Cântico dos Cânticos, e pelos Salmos, orações sublimes e únicas. Não há na seqüência dos textos nenhum critério cronológico. Ele tem início com a Gênese, que destaca poeticamente a glória divina na Criação do Universo. Outros momentos inesquecíveis são os que retratam a jornada humana na direção do Criador, as aventuras e desventuras do Homem na sua ânsia de buscar a Divindade, e a resposta de Deus a seus filhos.

Vários arquétipos da psique humana, de seu inconsciente coletivo, se encontram nas páginas do Antigo Testamento, tecendo assim a história da raça humana através dos fios dos mitos, entretecidos a eventos históricos – Adão e Eva cometendo o pecado original; a disputa entre Caim e Abel; a construção da Torre de Babel, como metáfora da formação dos diferentes idiomas que separam a Humanidade; a Arca de Noé, que nos lembra a instabilidade geológica e climática da Terra nos primórdios da humanidade; o Sacrifício de Isaac, que remete ao Verdadeiro Cordeiro que virá e tantas outras belíssimas histórias. Com sua estrutura literária, este livro tem um lugar de destaque na Literatura do Antigo Oriente Médio.

Deus, no Antigo Testamento, assume várias denominações, como Elohim, Javé, Jeová, Adonai, o Pai, o Senhor, mas na verdade eles substituem seu verdadeiro nome, que este livro afirma ser impronunciável, composto por consoantes que não se pode articular, o Tetagrama Sagrado. Em hebraico, Javé é lido da direita para a esquerda – HWHY. Como se vê, esta obra manteve apenas quatro das consoantes do nome divino, que provém do verbo ‘ser’, significando ‘Eu sou quem eu sou’, ‘Eu sou aquele que é’ e ‘Eu sou quem eu serei’.

Os livros que compõem o Antigo Testamento podem ser englobados em duas importantes divisões. Na primeira pode-se incluir os textos nos quais parece revelar-se a presença dos seus criadores, uma espécie de marca pessoal, como nas passagens proféticas. Na segunda parte encontram-se os livros que não transparecem nenhum traço da personalidade de seus autores, assim seu conteúdo foi mantido pela tradição oral, e transmitido pelo próprio povo, como é o caso da maioria dos trechos históricos e dos livros de Sabedoria.

A Igreja Católica Romana optou pela versão conhecida como Septuaginta – tradução dos textos hebraicos para o grego – no momento de compor seu cânone do Antigo Testamento, uma vez que distintas religiões cristãs têm seu cânon distinto, ou seja, suas regras e preceitos particulares. Sendo assim, a edição católica tem passagens que não constam da Bíblia Hebraica. Já os reformistas protestantes eliminaram do cânone todos os trechos que não estão inclusos no texto judaico. Logo depois, o Concílio de Trento determinou os livros e trechos que deveriam ser considerados canônicos – todos em grego – e excluiu definitivamente textos como a Oração de Manassés e os livros 3 e 4 de Esdras. Os protestantes mantiveram a linha da doutrina hebraica. Na Bíblia Etíope e na Copta há o acréscimo de outras passagens.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antigo_Testamento
http://www.bahai.org.br/religiao/Antigo.htm
http://www.vivos.com.br/288.htm
http://www.internext.com.br/valois/pena/moises.jpg