Galeno

Por Ana Lucia Santana
O médico e filósofo romano Cláudio Galeno (ou Élio Galeno), de origem grega, nasceu por volta de 129, na cidade de Pérgamo, na época em que esta região estava submetida à colonização dos romanos. Ele era filho de Aélio Nicon, abastado integrante da aristocracia deste país, homem de conhecimentos muito diversificados, que incluíam a filosofia, a matemática, a lógica, a astronomia, a agricultura e a literatura.

Os estudos e teorias constituídos por ele prevaleceram nas concepções médicas vigentes no Ocidente por mais de um milênio, tal a importância e a extensão de suas descobertas. Ele baseava suas investigações no exame minucioso de macacos, pois a dissecação de seres humanos era então proibida.

Os resultados atingidos por Galeno foram imbatíveis até as conclusões do médico belga Andréas Vesalius, divulgadas em 1543; e seus relatos sobre o mecanismo de funcionamento do coração, das artérias e veias, dominaram o cenário da Medicina até o momento em que o britânico William Harvey determinou, em 1628, que o sistema cardíaco atua como se o coração estivesse bombeando o sangue. Algumas das concepções de Galeno ainda prevaleciam no século XIX.

Galeno foi para Roma em 161, e aí se consagrou no atendimento a gladiadores e ao filho do Imperador Marco Aurélio, Cômodo. Seus estudos foram inspirados pelas pesquisas de Hipócrates, considerado o pai da Medicina. Ele se considerava um médico filósofo, noção defendida em sua obra ‘O Melhor Médico é Também um Filósofo’. Na época em que ele vivia, a Filosofia era um ramo do conhecimento recente e significativo, no qual todos os outros saberes se baseavam.

Este médico vivia em um contexto dominado pela luta entre conceitos racionalistas e empiristas. Ele mesmo procurava extrair de ambos os recursos necessários para construir sua própria visão da Medicina. Para tanto, Galeno defendia o exame direto, a dissecação e a vivissecção – análise anatômica empreendida em animais vivos – como instrumentos essenciais na educação do médico e na consolidação da práxis no exercício da profissão.

A formação de Galeno começou mais ou menos no ano de 146 d.C., em Pérgamo. Quando esgotou seus conhecimentos nesta região, ele se mudou para outros núcleos culturais, como Esmirna, Corinto e Alexandria. Retornou para sua terra natal em 157, acreditando já ter concluído sua educação. Neste período ele adotou a cirurgia e a dietética como os campos nos quais desejava se especializar.

Em 162 ele partiu para Roma, já famoso por ter recuperado Eudemo, um milionário muito conhecido. A partir daí, consagrou-se ainda mais ao se transformar no médico particular do Imperador. As palestras por ele proferidas tinham um público tão vasto que exigiam a dimensão de um teatro para acolher a todos.

Sua permanência em Roma se estendeu até 192, com uma breve ausência, quando viajou pelo Oriente Médio. Já no final da sua existência ele voltou para Pérgamo. Infelizmente, a maior parte de sua produção intelectual e de suas pesquisas desapareceram. Ele estudou particularmente anatomia, fisiologia, patologia, sintomatologia e terapêutica. Foi pioneiro na realização de investigações na área da Fisiologia. Foi ele o responsável pela descoberta que subverteria os rumos da Medicina. Em 1870 ele provou que as artérias transportam não ar, como até então se acreditava, mas sangue.

Galeno também classificou os ossos entre os que apresentam concavidades medulares e aqueles nos quais estas estão ausentes. Relatou a estrutura da caixa que compõe o crânio e descreveu o sistema muscular. O médico igualmente investigou os nervos cranianos e comprovou, através da prática, que o rim é um órgão que secreta urina. Ele morreu por volta do ano 200, possivelmente na Sicília.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cláudio_Galeno
http://www.ff.ul.pt/paginas/jpsdias/Farmacia-e-Historia/node28.html