Tanatose

Tanatose é um mecanismo de defesa pouco comum, usado por algumas espécies de animais. Quando pensamos em vida selvagem, nos deparamos com uma competição intensa para sobrevivência dos mais fortes. Essa competição vai envolver de forma direta ou indireta todas as categorias de animais que vivem em um determinado ambiente. Cada uma dessas espécies, evoluindo ao longo dos anos, desenvolveram mecanismos dos quais poderiam usar em casos extremos de vida ou morte. Exemplo: leões desenvolveram garras e dentes afiados, as feiticeiras liberam muco, os porcos espinhos possuem seus espinhos grandes e afiados, os gambás podem exalar um mal cheiro afastando o predador, assim por diante. Cada animal com seu método e de acordo com seu meio.

Cobra fingindo-se de morta. Foto: Coy St. Clair / Shutterstock.com

Cobra fingindo-se de morta (tanatose). Foto: Coy St. Clair / Shutterstock.com

Mamíferos e principalmente alguns répteis, anfíbios e artrópodes, possuem um mecanismo de defesa extraordinário, a tanatose. Essa técnica se caracteriza pelo curioso fato dos animais se fingirem de mortos durante o ataque de um predador. Claro que, seria muito simples se esses animais apenas se fingissem de mortos, mas  alguns desses animais conseguem exalar o cheiro de seu cadáver e também alterar rapidamente as características de seus corpos (frequência cardíaca ou respiratória), pois quanto mais convincentes forem, maior será a chance de sobreviverem. Alguns predadores dependem do movimento e calor da presa para darem o bote, e alguns outros predadores não costumam comer o que não matam, procurando evitar que os animais mortos de forma duvidosa apresentem impalatabilidade (sabor desagradável). Sendo assim, se o corpo apresentar um estado deteriorável que seja convincente, há grande possibilidade de esses animais serem descartados pelos predadores.

Alguns exemplos de animais que costumam se defender usando o mecanismo de defesa tanatose:

  • Liolaemus occipitalis, lagarto de areia – spp. de lagarto.
  • Physalaemus kroyeri – spp. de rã.
  • Trichodactylus panoplus - spp. de caranguejo.
  • Nimbochromis livingstonii, peixe dorminhoco – spp. de peixe.
  • Didelphis marsupialis, gambá comum – spp. de gambá.

Algumas observações importantes:

  • Estudos realizados no extremo sul do Brasil, com 86 indivíduos da espécie Liolaemus occipitalis, sugeriram que esses lagartos conseguem avaliar o tamanho do risco que estão correndo, definindo á partir dessa decisão o tempo em que irão apresentar o comportamento de tanatose. Esse estudo deixa a perspectiva de que talvez os outros animais que fazem tanatose também possam calcular os riscos do momento e controlarem o tempo que a técnica será usada.
  • O peixe dorminhoco é um caso muito curioso. Esse peixe quando estudado e criado em aquário apresentou o comportamento de tanatose, porém não foi para se defender, e sim para se alimentar. O peixe deitava-se no fundo do aquário esperando outros peixes menores e curiosos se aproximarem, e então realizava o ataque, ingerindo os peixes menores. O peixe dorminhoco pode ficar deitado como se estivesse morto por alguns minutos. Portanto adaptou muito bem um mecanismo de defesa tornando-o um mecanismo de ataque.

A encenação para os casos de defesa podem durar entre 1 e 30 minutos, no caso exclusivo do peixe dorminhoco, fica a critério de sua paciência e fome.

Referências bibliográficas:
https://en.wikipedia.org/wiki/Nimbochromis_livingstonii
https://en.wikipedia.org/wiki/Apparent_death

Observations on Animal Life, and Apparent Death, from Accidental Suspension of the Function of the Lungs. John Franks. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=7vk1AQAAMAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s

Playing dead to stay alive: death-feigning in Liolaemus occipitalis (Squamata: Liolaemidae). Maurício Beux dos Santos,*; Mauro Cesar Lamim Martins de Oliveira; Laura Verrastro; Alexandro Marques Tozetti