Polissacarídeos

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

Polissacarídeos, ou glicanos, são carboidratos formados a partir da polimerização de vários outros açúcares menores. Ou seja, são cadeias orgânicas de monossacarídeos, em formato linear ou ramificado, podendo ter diversos tamanhos. São polímeros de médio ou alto peso molecular, diferente dos oligossacarídeos, que são menores. A maior parte dos carboidratos apresenta-se dentro desta classe.

Molécula de glicose.

Um polissacarídeo se difere pelo tamanho da sua cadeia, pelos tipos de unidades que o compõem e pelo tipo de ligações entre elas. Ele não tem um peso molecular específico, como as proteínas, uma vez que sua síntese não se inicia a partir de um gene e não tem várias fases, determinando seu tamanho específico. É sintetizado a partir da ação de alguma enzima e pode ter números diferentes de resíduos para um mesmo polissacarídeo, com diferença de dezenas a centenas de resíduos para um mesmo carboidrato, com uma mesma função.

Existem dois tipos:

  • Homopolissacarídeos: Uma molécula composta por monômeros da mesma espécie. Exemplo: celulose, composta por unidades de glicose.
  • Heteropolissacarídeos: Uma molécula de carboidrato composta por diferentes tipos de monossacarídeos. Exemplo: peptidoglicano.

Monossacarídeos e oligossacarídeos normalmente possuem função no metabolismo energético. Já alguns polissacarídeos possuem a função de ser a forma de armazenamento energético para um organismo. Há dois importantes homopolissacarídeos envolvidos nesta função. É o caso do amido, quando degradado tem como produto monossacarídeos que servirão nas reações metabólicas para obtenção de energia para as células vegetais. Outro homopolissacarídeo que possui esta função é o glicogênio, que é o carboidrato de reserva dos animais. Armazenado no fígado e músculos, quando hidrolisado libera monômeros de glicose para as células animais utilizarem em suas atividades. Possuem muitas ramificações, o que garante que sua estrutura não fique em formato de hélice.

Há homopolissacarídeos que têm função estrutural, como a quitina que é um carboidrato que possui grupamentos de nitrogênio entre suas unidades. Formam fibras longas e é elemento estrutural no exoesqueleto de artrópodes e na parede celular de fungos. Temos ainda, a celulose que é o carboidrato mais abundante no planeta. É um polímero fibroso, insolúvel em água, resistente e humanos não conseguem digeri-lo. Apresentam-se nas paredes celulares de plantas e é um homopolissacarídeo de cadeia linear, não tem ramificações. Os ruminantes são capazes de digerir a celulose porque em seu sistema digestório existem bactérias simbióticas que fazem a degradação das moléculas de celulose.

Os heteropolissacarídeos em todos os reinos servem como suporte extracelular. Por exemplo, nos tecidos animais a matriz extracelular é preenchida por fibras de proteínas e heteropolissacarídeos, que resultam em suporte e proteção para os tecidos, são os glicosaminoglicanos. Eles formam um composto de repetições de dissacarídeos, que só encontramos em animais e bactérias, não há em plantas. Alguns glicosaminoglicanos possuem grupos sulfatos, que no meio extracelular se ligam a proteínas na formação de proteoglicanos.

Nas bactérias, existem em suas paredes celulares ligamentos cruzados de cadeias de heteropolissacarídeos com curtos peptídeos, resultando em compostos chamados de peptidoglicanos. E a estrutura muda de espécie para espécie. Estes compostos dão à parede celular bacteriana resistência e proteção.

Quando consumimos um polissacarídeo, ocorre a digestão dele, ou seja, há hidrólise da cadeia, resultando em unidades de carboidrato. A enzima lisozima hidrolisa ligações glicosídicas da parede celular bacteriana, sendo um bactericida encontrado nas lágrimas, por exemplo. Antibióticos agem nas ligações cruzadas, enfraquecendo a parede celular das bactérias, deixando-as suscetíveis à lise (rompimento) celular.

Referência:

Nelson, D. L; Cox, M. M. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 5o ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. 244-250 p.

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