Lisossomos

Bacharel em Ciências Biológicas (UNITAU, 2012)
Pós-graduação Lato Sensu em Perícia Criminal (Grupo Educacional Verbo Jurídico, 2014)

Os lisossomos são organelas membranosas, geralmente pequenas e presentes, se não em todas, na grande maior parte das células eucariontes. Essas organelas se tratam de estruturas que surgem a partir do complexo de Golgi, ou seja, algumas vesículas que se destacam do aparelho Golgiense acabam se tornando lisossomos. Eles estão presentes por todo o citoplasma da célula e se relacionam com a degradação de diversos compostos.

Estrutura

Os lisossomos são vesículas delimitadas por uma membrana celular que, assim como as demais membranas das células, é composta pela bicamada lipídica associada a proteínas que acaba por exercer o controle do que entra e sai dessa organela.

O interior dessas vesículas é composto por diversas enzimas, como as que degradam proteínas, lipídeos, entre outras, que realizam a quebra ou a digestão dos compostos que ali entrarem. Essas enzimas, assim como diversas outras, possuem atividade regulada por algumas características do meio, como temperatura, pressão, pH, etc. Isso quer dizer que elas atuam mais efetivamente em uma condição específica. Sabendo dessa característica das enzimas, essas que estão presentes no interior dos lisossomos possuem atividade mais eficaz quando estão em um meio com características ácidas. Assim, é bastante razoável afirmar que o interior dessas organelas possui um caráter ácido, ou seja, com um pH abaixo de 7, que é o pH neutro.

Em relação às enzimas mencionadas no parágrafo anterior, elas têm sua origem nos ribossomos associados ao retículo endoplasmático. Isso é bastante simples de se compreender quando analisamos todo o “caminho” dessas. Veja bem, os ribossomos produzem as proteínas que são transferidas para o retículo endoplasmático rugoso. Lá podem ocorrer transformações ou simplesmente serem transportadas para o complexo de Golgi por vesículas de transporte que transitam entre essas organelas. No aparelho de Golgi, as proteínas podem sofrer algum tipo de processamento e, então, ficam disponíveis para se associarem a alguma vesícula que, ao se destacar da estrutura, se tornará um lisossomo.

Funções

Como citado anteriormente, os lisossomos têm sua função associada à digestão intracelular, ou seja, uma degradação de diversos compostos que ocorre dentro da célula. Entretanto, é importante ressaltar que o lisossomo, em condições normais, não realiza sua atividade de maneira arbitrária ou caótica. As estruturas que devem ser digeridas são devidamente sinalizadas com marcadores celulares, como algumas proteínas citosólicas, por exemplo.

Essa atividade digestiva desempenhada pelos lisossomos pode ser autofágica ou heterofágica. Isso quer dizer que os lisossomos podem destruir tanto estruturas da própria célula quanto alguns compostos que vêm de fora, como nutrientes ou, até mesmo, microrganismos.

Na digestão de estruturas da célula isso ocorre por que elas podem não estar desempenhando seu papel de maneira correta ou eficiente. Assim, elas são sinalizadas e, então, englobadas pelos lisossomos. A partir daí, elas são digeridas para que possa surgir outra, auxiliando na reciclagem do material citoplasmático.

Já com relação à digestão heterofágica, o que ocorre é a entrada de moléculas ou microrganismos na célula por fagocitose ou pinocitose. Após essa internalização, esse material fica contido em um vacúolo que, por sua vez, se funde ao lisossomo. Após isso, as enzimas da organela podem realizar o seu “serviço” e degradar o conteúdo. Após essa digestão, caso existam resíduos, eles são eliminados ou reaproveitados pela célula.

Bibliografia:
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