Organelas celulares

Bacharel em Ciências Biológicas (UNITAU, 2012)
Pós-graduação Lato Sensu em Perícia Criminal (Grupo Educacional Verbo Jurídico, 2014)

As organelas também são conhecidas como organóides. Isso ocorre por ambos os nomes significarem o diminutivo de órgão, o que dá uma idéia geral do que elas são: um componente que desempenha algum papel. Para facilitar a compreensão, pode-se criar uma analogia em que células são fábricas ou indústrias. Dentro dessas indústrias cada organela representa um setor ou departamento, ou seja, cada uma delas tem uma função específica.

O conceito de organela é um tanto quanto obscuro pelo fato de não haver um consenso entre os diversos autores existentes. Por exemplo, enquanto uns dizem que as organelas são as estruturas presentes em todas as células e que possuem uma função definida, outros dizem que organelas são apenas as estruturas envoltas por alguma membrana no interior da célula. Nesse sentido, é possível extrair os pontos comuns das diversas versões sobre o que são essas estruturas: elas são os elementos presentes no interior das células que desempenham alguma função específica.

Sob o abrigo do que foi acima conceituado, pode-se dividir as organelas em membranosas, delimitadas por algum tipo de membrana biológica, e não membranosas, as não delimitadas por envoltório algum. As organelas não membranosas são todas aquelas que não são possuem envoltório algum circundando sua estrutura, como ribossomos, centrossomo e citoesqueleto. Já as organelas membranosas são todas aquelas que são delimitadas por algum tipo de membrana biológica, como cloroplastos, retículos endoplasmáticos, entre outros.

As organelas membranosas surgiram de duas formas distintas. Acredita-se que elas surgiram a partir da invaginação da membrana plasmática que assumiu determinada função, ou seja, ocorreu a formação de um bolsão em direção ao interior da célula pela membrana. E a outra é explicada pela teoria da Endossimbiose. Essa teoria diz que o surgimento de algumas organelas, como as mitocôndrias, ocorreu com a entrada de um organismo unicelular em outro, assumindo alguma função vital ou produzindo alguma vantagem adaptativa ao individuo “invadido”. Nesse sentido, ocorreu uma relação ecológica que beneficiou ambos os seres se perpetuando, assim, ao longo da história evolutiva.

Com relação as suas funções, elas são as mais variáveis possíveis. Isso porque são as organelas as responsáveis pela maior parte do que acontece dentro da célula. Dessa forma, vale destacar as estruturas mais comuns nas células e a sua função geral:

  • Os ribossomos são os responsáveis pela fabricação das proteínas.
  • O centrossomo se trata de uma organela multifuncional com suas atividades relacionadas à divisão, locomoção e fixação celular.
  • As mitocôndrias, por sua vez, se relacionam com a respiração celular.
  • Os cloroplastos, representam as estruturas responsáveis pela fotossíntese, presentes em seres autotróficos
  • Os retículos endoplasmáticos, liso e rugoso, são organelas membranosas com a função relacionada à produção de moléculas importantes para a célula e também com a desintoxicação celular.

Além de todas essas supracitadas, existem também outras organelas muito importantes como o complexo de Golgi, que funciona como um departamento de logística ou despache no interior da célula, o lisossomo, que se envolve com a digestão intracelular, o peroxissomo, que atua na quebra ou transformação de substâncias tóxicas à célula, e o citoesqueleto, responsável pela movimentação interna, estabilidade e das células.

Enfim, uma vez sabendo o que são as organelas e que essas estruturas representam diversas funções, é bastante razoável, e extremamente importante, ressaltar que a constituição de cada célula é bastante variável. Isto é, a presença ou a ausência de determinada organela, e a sua quantidade no interior celular, varia de célula para célula, sendo que essa variação se dá de acordo com o tipo celular em questão e o organismo que a contém.

Referências:
Carvalho, H.F. A Célula. Editora Manole. 3ª Edição. 672 páginas. 2013.
Junqueira, L. C. & Carneiro, J. Biologia Celular e Molecular. 9ª Edição. Editora Guanabara Koogan. 338 páginas. 2012.
Lopes, S. Bio – Volume Único. 1ª Edição. São Paulo: Editora Saraiva. 606 páginas. 2004.

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