Histamina

Por Débora Carvalho Meldau
A histamina foi sintetizada no início do século XX, mas apenas mais tarde foram elucidadas suas propriedades. Esta é uma amina primária sintetizada no organismo a partir do aminoácido histidina, que sofre descarboxilação através de uma enzima chamada histidina-descarboxilase. Em tecidos animais, esta amina foi caracterizada como mediadora dos processos inflamatórios e, posteriormente, foi constatada sua participação como um modulador importante de diversos processos fisiológicos, como os processos alérgicos, proliferação celular, angiogênese, permeabilidade vascular, anafilaxia e secreção gástrica.

Fórmula estrutural plana da Histamina

A histamina, cuja fórmula é C5H9N3, está disseminada nos tecidos dos mamíferos, e sua concentração varia de acordo com a espécie animal. Sua síntese acontece no complexo de Golgi e, em seguida, é transportada para o interior de grânulos citoplasmáticos, onde é armazenada em associação iônica com resíduos de glicosaminoglicanos, heparina e proteases. Os mastócitos e basófilos, juntamente, correspondem em até 90% das reservas de histamina dos mamíferos. Ela pode ser encontrada em outras células do organismo, como do trato gastrointestinal, células endoteliais, na derme, em neurônios do sistema nervoso central (SNC) e em células em crescimento (por exemplo, células tumorais) ou em tecidos de regeneração.

No SNC de mamíferos, a síntese da histamina acontece no núcleo tuberomamilar do hipotálamo, e os neurônios presentes nesta região são responsáveis por várias funções, como sono/vigília, secreção hormonal, controle do sistema cardiovascular, termorregulação, apetite, entre outras. Já no interior dos mastócitos e basófilos, esta amina é produzida vagarosamente e sua taxa de renovação é baixa; no entanto, fora destes locais, ela é produzida e liberada de forma continua, sendo pouco estocada.

Agentes responsáveis pela lise de células, assim como toxinas, agentes físicos, agentes sensibilizantes ou por estimulação direta das células (como pode ocorrer com certas drogas), resulta na liberação da histamina de seus reservatórios.

A biotransformação da histamina pode ocorrer através de reações de metilação ou de oxidação, através de duas vias metabólicas:

  • Histamina pode ser transformada em N-metil-histamina, através da ação da N-metiltransferase ou imidazol N-metiltransferase. A N-metil-histamina irá sofrer a ação de outra enzima, a monoaminoxidase (MAO), resultando na formação do ácido metilimidazol acético;
  • Pode ocorrer também a desaminação oxidativa através da reação catalisada pela enzima histaminase, dando origem ao ácido imidazol-acético.

Quando a histamina é liberada no organismo, seus efeitos fisiológicos ou patológicos irão ocorrer devido à ligação que irá estabelecer com receptores de superfície encontrados nas diferentes células-alvo, que conhecidamente são quatro. A ligação da histamina com estes diferentes tipos de receptores pode resultar em:

  • Vasodilatação arteriolar;
  • Aumento da permeabilidade;
  • Secreção ácida gástrica;
  • Broncoconstrição;
  • Alteração da freqüência cardíaca;
  • Participação das reações anafiláticas e alérgicas.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Histamina
Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária – Helenice de Souza Spinosa, Silvana Lima Góniak e Maria Martha Bernardi. Editora Guanabara Koogan, 4 ed, 2006.