Plasma sanguíneo

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

Publicado em 22/04/2019

O plasma sanguíneo é a porção líquida do sangue que serve de matriz para hemácias, células brancas (do sistema imune) e nutrientes serem transportados através dos vasos sanguíneos. Ele representa mais da metade do volume total do sangue e possui um aspecto amarelado quando separado da porção celular. Cerca de 95% do plasma é água, sendo o restante formado por proteínas (como a albumina), glicose, eletrólitos (Na+, Mg+ e K+), hormônios e fatores de coagulação, CO2 e O2 dissolvidos. O plasma é essencial para manter a homeostase corporal.

Após a doação de sangue, o plasma é separado utilizando-se fatores anticoagulantes em centrifugação. Ao final deste processo um pellet é formado no fundo do tubo contendo as células sanguíneas, restando como sobrenadante o plasma. Quando o plasma fica sem as células e sem os fatores de coagulação, mas ainda contém outras proteínas, hormônios, anticorpos e eletrólitos ele é chamado de soro sanguíneo. O soro de pacientes que combatem doenças infecciosas com sucesso pode ser utilizado como forma de tratamento para outras pessoas pois ele contém os anticorpos responsáveis por vencer o agente infeccioso. Este antissoro é uma forma de imunoterapia muito utilizada para tratar envenenamentos e certas doenças virais.

A Organização Mundial da Saúde reconhece o uso de plasma fresco congelado como procedimento médico essencial. Desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, esta forma de plasma pode ser encontrada em hospitais e Hemocentros e é utilizada quando o paciente perde um grande volume de sangue, seja em procedimentos cirúrgicos ou em emergências (como em acidentes). Embora não seja necessário, recomenda-se utilizar o plasma de acordo com o sistema ABO. Para evitar danos aos vasos e tontura, o plasma é administrado vagarosamente por acessos intravenosos. Seu uso não é recomendado para grávidas, mulheres amamentando ou pessoas com doenças cardíacas crônicas. Uma vez bem armazenado, o plasma congelado tem vida útil de um ano.

Existe uma técnica chamada de plasmaférese (ou troca terapêutica de plasma) que envolve a remoção do sangue do paciente, sua separação em plasma e conteúdo celular e a posterior infusão somente daquilo que for necessário para o tratamento apropriado do paciente. Esta metodologia é extracorpórea, pois ocorre em uma máquina fora do corpo. Existem 3 tipos de plasmaférese: autóloga, para troca e para doação. A primeira envolve a remoção do plasma do sangue, aplicando algum tratamento neste, como a remoção de substâncias específicas, e reintroduzindo o plasma tratado no paciente. No segundo tipo o plasma é trocado por outro doado ou por uma solução salina com albumina. Finalmente, a plasmaférese para doação envolve a separação do sangue do doador em células e plasma, sendo as células sanguíneas reintroduzidas na circulação do doador enquanto o plasma removido é congelado para ser posteriormente utilizado em terapias ou para a produção de medicamentos. A plasmaférese é aplicada em uma série de doenças, como em neuropatias, neuromielites, esclerose múltipla, fibrose pulmonar e muitas doenças autoimunes.

Referências:

Liumbruno, G., Bennardello, F., Lattanzio, A., Piccoli, P., & Rossetti, G. (2009). Recommendations for the transfusion of plasma and platelets. Blood Transfusion7(2), 132.

Müller, M. C., Arbous, M. S., Spoelstra‐de Man, A. M., Vink, R., Karakus, A., Straat, M., & Juffermans, N. P. (2015). Transfusion of fresh‐frozen plasma in critically ill patients with a coagulopathy before invasive procedures: a randomized clinical trial (CME). Transfusion55(1), 26-35.

Restrepo, C. A., Marquez, E., & Sanz, M. F. (2009). Therapeutic plasma exchange: types, techniques and indications in internal medicine/Plasmaferesis terapeutica, tipos, tecnica e indicaciones en medicina internaActa Médica Colombiana34(1), 23-33.

Arquivado em: Sangue