Como os Moais eram esculpidos na Ilha de Páscoa?

Na Ilha de Páscoa, situada no Oceano Pacífico, região sob o domínio dos chilenos, os nativos, conhecidos como Rapanuis, acreditam interagir com as essências espirituais dos deuses por meio dos moais, as tradicionais e famosas estátuas coroadas por cabeças esculpidas fora dos padrões das proporções normais.

Moai abandonado enquanto estava sendo esculpido. Foto: Adwo / Shutterstock.com

Moai abandonado enquanto estava sendo esculpido. Foto: Adwo / Shutterstock.com

Os moais apresentam uma fisionomia indecifrável, repleta de enigmas e segredos. Eles se reportam aos antepassados dos aborígines, divinizados após a morte. Vários núcleos familiares da Ilha, de diferentes descendências, se aliam por meio dos rituais de adoração a estas imagens.

As esculturas foram entalhadas em pedras calcárias porosas, de origem vulcânica, conhecidas como tufos. Elas foram esculpidas essencialmente entre os séculos XIII e XVI, e apresentam de cinco a sete metros de altura. Acredita-se que no século XVIII, quando habitantes da Europa atravessaram a Ilha de Páscoa, estes moais já haviam sido destruídos depois de um confronto entre os Rapanuis.

Estudos revelam que havia uma média de 900 e 1.050 moais. Aproximadamente quarenta já foram recuperados, novamente elevados sobre seus terraços ritualísticos e fúnebres, os quais envolvem praticamente todo o litoral da ilha. Este trabalho de restauração foi realizado durante a segunda metade do século XX.

Embora alguns habitantes de outras ilhas polinésias tenham igualmente produzido imagens talhadas em rocha, os moais são realmente impressionantes e não se comparam a nenhuma outra escultura. As pedras foram revolvidas por artífices fantásticos, extremamente competentes na arte de esculpir; eles abriram cavidades nas próprias muralhas pétreas da cratera vulcânica Rano Raraku, em seu interior e também na parte externa.

Desta região os moais foram conduzidos até os ahus, plataformas de pedra localizadas nas cercanias do litoral da ilha, depois de serem levados aos pés do vulcão; aí eram cinzelados os acessórios ornamentais. Ninguém sabe ao certo, até hoje, como estas estátuas eram carregadas pelos nativos, já que cada uma tem o peso médio de 12 toneladas. Entre inúmeras imagens não concluídas, a mais famosa é conhecida como “El Gigante”, a maior de todas, projetada para ter 21 metros.

A tese mais disseminada é a de que os habitantes da ilha transportavam os moais por meio de deslocamentos instáveis e circulares, exatamente como se carrega uma geladeira. Outra hipótese pressupõe que as estátuas eram transferidas em posição horizontal, sobre caules lenhosos untados com óleo de palma.

Alguns mitos afirmam que os sacerdotes polinésios usavam o poder espiritual do mana, força sagrada, para movimentar gradualmente os moais, alguns passos diários. A cultura oral vai mais longe, argumenta que as estátuas eram capazes de caminhar por conta própria.

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/turismo/1065219-misterios-ainda-rondam-historia-dos-moais-na-ilha-de-pascoa.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rapanui
http://en.wikipedia.org/wiki/Ahu

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