Coriomeningite Linfocitária

A coriomeningite linfocitária (CL), também chamada de meningite linfocitária benigna, menigoencefalite linfocitária ou meningite linfocitária serosa, trata-se de uma patologia causada por um aerovírus, que tem como hospedeiro primário os roedores, capaz de causar meningite e outras condições assépticas em seres humanos.

Os roedores, em especial o rato doméstico (Mus musculus) e o hamster, quando se contaminam, podem tornar-se cronicamente infectados pela manutenção do vírus em sua corrente sanguínea e/ou por disseminar o vírus em sua urina persistentemente. Fêmeas de ratos quando infectadas costumam transmitir o vírus à sua prole que, por sua vez, tornam-se cronicamente infectadas. Outras formas de transmissão da doença de roedor para roedor é por meio de secreções nasais, leite de fêmeas infectadas, mordida e aerossóis.

Os humanos podem se contaminar pode meio de:

  • Inalação do vírus eliminado pelos roedores pela urina, fezes ou saliva;
  • Ingestão de alimentos contaminados;
  • Contaminação das mucosas com fluídos corporais infectados;
  • Exposição direta de lesões abertas ao vírus.

Casos desta doença foram observados na América do Sul e do Norte, Europa, Japão e Austrália, especialmente no século XX. Costuma ser mais relatada em populações de baixo nível socioeconômico, provavelmente devido ao maior contato com ratos.

A sintomatologia da CL é ampla, podendo ser assintomática em casos de indivíduos imunocompetentes. Os sintomas iniciam-se 1 a 2 semanas após a exposição ao vírus, caracterizando-se por apresentar doença febril bifásica. Durante a fase inicial, que dura até uma semana, as manifestações clínicas mais comuns incluem febre, falta de apetite, cefaleia, dores musculares, mal estar geral, náuseas e/ou vômito. Menos comumente, observa-se amidalite, tosse, dor no peito, nas articulações e parótida. A segunda fase da doença surge vários dias após a recuperação e é composta por sintomas de meningite ou encefalite. Achados patológicos durante a primeira fase incluem leucopenia e trombocitopenia, enquanto que na segunda fase estão os altos níveis de proteína, aumento da contagem de leucócitos ou diminuição dos níveis de glicose do líquor.

Um fator preocupante é a ocorrência de transmissão vertical do vírus. Simplificadamente, a mãe infectada, mesmo que seja imunocompetente, pode transmitir o vírus para o feto durante o período gestacional. Quando isso ocorre durante o primeiro trimestre, há maior risco de aborto espontâneo. Quando a infecção ocorrer após esse período, pode haver malformações, como, por exemplo, a coriorretinite, calcificações intracranianas, hidrocefalia, microcefalia ou macrocefalia, atraso mental e convulsões. A mortalidade entre lactentes gira em torno de 30% e, entre os que sobrevivem, aproximadamente dois terços apresentam anormalidades neurológicas.

Tanto uma infecção atual quanto uma infecção prévia podem ser diagnosticadas por meio de um exame de sangue. O diagnóstico clínico pode ser alcançado por meio do quadro clínico apresentado pelo paciente, através do histórico de sintomas apresentados na fase inicial antes do surgimento da meningite.

Até o momento, não existe um tratamento específico para os seres humanos, sendo feito somente tratamento suporte com base na severidade do caso. Certos anti-inflamatórios podem ser utilizados em circunstâncias específicas. In vitro, a ribavirina tem se mostrado eficaz no combate ao vírus em questão; todavia, não existe nenhuma evidência que aponte sua eficácia no tratamento de humanos.

Fontes:
http://www.manualmerck.net/?id=212&cn=1807
http://www.hospvetprincipal.pt/coriomeningite.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Lymphocytic_choriomeningitis
http://www.cdc.gov/ncidod/dvrd/spb/mnpages/dispages/lcmv/qa.htm

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