Glândula parótida

Graduada em Ciências Biológicas (Unifesp, 2013)

A glândula parótida faz parte do conjunto de glândulas salivares pares presente não só em humanos, mas em diversas outras espécies animais. Dentre as três glândulas salivares pares a parótida é a maior delas. Em humanos, as parótidas são caracterizadas por estarem localizadas uma em cada lado da boca, ao lado e abaixo do ouvido. A tradução de seu nome, seria exatamente “ao lado do ouvido”.

Glândula parótida. Ilustração: Henry Grey (1918) / via Wikimedia Commons

Esta glândula tem função de secretar conteúdo salivar através do ducto parótido afim de facilitar a mastigação e a deglutição e também de iniciar a digestão do alimento. Por volta de 25% do volume total de saliva é produzida pela glândula parótida. Através da secreção da enzima alfa-amilase, o conteúdo salivar inicia o processo de digestão, principalmente de amidos, facilitando os processos de quebra e absorção do conteúdo alimentar. Além disso alguns estudos apontam que a enzima alfa-amilase também pode ser um importante mecanismo imunológico, visando impedir a deposição de bactérias na superfície oral.

Durante o desenvolvimento fetal, as glândulas parótidas aparecem por volta do sexto mês e são as principais glândulas a serem primeiramente formadas. Cada glândula é revestida por uma capsula de tecido conjuntivo denso e possui números ductos curtos e estriados e ductos longos e intercalados. Estruturalmente a glândula possui quatro superfícies — superficial ou lateral, superior, anteromedial e posteromedial; três bordas — anterior, medial e posterior; e duas terminações — terminação superior e inferior (ápice).

Além de ser uma das principais glândulas secretoras de alfa-amilase, importante mecanismo de proteção contra bactérias, a glândula que é principalmente drenada pelos vasos linfáticos que desembocam no linfonodo pré-auricular ou linfonodo parótido. Sendo assim é possível que aconteça na glândula algumas infecções por microrganismos patogênicos. A estas infecções e consequente inflamações na parótida, denominam-se ‘parotidites’. A infecção causadora de parotidite mais comum é a caxumba. A ampliação da vacinação contra o vírus causador da caxumba diminuiu consideravelmente os casos de parotidites. Além de vírus, outras infecções como as bacterianas também podem causar parotidites. O fato das infecções causarem inflamação e consequente inchaços nas glândulas é o que causa dor e incomodo aos pacientes.

Além das infeções existem outras patologias relacionadas com as parótidas:

  • Pedras salivares: É possível a ocorrência de pedras que obstruem os ductos salivares. Esta obstrução causa grande dor no paciente e a cirurgia para remoção pode ser necessária.
  • Câncer e tumores: A maior parte dos tumores na parótida são benignos. O tumor mais comum são os adenomas pleomórficos (70% dos tumores) e tumores de Warthin. O maior marcador destes tumores são os crescimentos anatômicos desta região e consequente dor. É importante ressaltar que este inchaço pode também danificar os nervos faciais que cercam a glândula, devido ao deslocamento e pressão sobre eles. No entanto, apesar de diversas técnicas disponíveis para diagnóstico dos tumores na parótida, ainda é muito difícil a distinção entre tumores malignos e benignos antes que o paciente seja submetido a métodos mais invasivos como a cirurgia. Por isso é importante que mais pesquisas sejam feitas afim de encontrar melhores abordagens e até mesmo técnicas mais sensíveis de diagnóstico para os tumores malignos, afim de se evitar a exposição e a priorizar os casos em que as cirurgias sejam realmente necessárias.

Referências:

Human Anatomy, Jacobs, Elsevier, 2008, page 193

Illustrated Dental Embryology, Histology, and Anatomy, Bath-Balogh and Fehrenbach, Elsevier, 2011, page 135

Arhakis A, Karagiannis V, Kalfas S (2013). "Salivary alpha-amylase activity and salivary flow rate in young adults". The Open Dentistry Journal. 7: 7–15. PMC 3601341 . PMID 23524385

Alexandru Bucur; Octavian Dincă; Tiberiu Niță; Cosmin Totan; Cristian Vlădan (Mar 2011). "Parotid tumors: our experience". Rev. chir. oro-maxilo-fac. implantol. 2 (1): 7–9. ISSN 2069-3850

Heřman J, Sedláčková Z, Vachutka J, Fürst T, Salzman R, Vomáčka J, Heřman M. Differential Diagnosis of Parotid Gland Tumors: Role of Shear Wave Elastography. Biomed Res Int. 2017;2017:9234672. doi: 10.1155/2017/9234672. Epub 2017 Sep 13.