Roedores

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

Roedores é como chamamos a ordem Rodentia. É dividida entre 30 famílias e mais de 2000 espécies, sendo provavelmente a ordem mais numerosa de mamíferos (chegam a representar 43% das espécies de mamíferos conhecidos). Mas a composição e número de táxons são alterados muitas vezes, depois dos estudos.

Os primeiros fósseis que temos é após a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos atrás. As primeiras espécies são do antigo supercontinente Laurásia, depois houve colonização na África e posteriormente conseguiram chegar na América do Sul. Apesar dos marsupiais serem os primeiros mamíferos da Austrália, os roedores também chegaram e dominaram a fauna. A maior proporção desta ordem é encontrada na América do Sul, sendo que ela possui alguns gêneros e espécies endêmicas.

Distribuição geográfica

Originalmente estavam distribuídos em quase todo o mundo, exceto em algumas ilhas nos oceanos, na Nova Zelândia e na Antártida, porém, hoje foram introduzidos em toda parte. Como há uma grande variedade de espécies, elas divergem morfologicamente e ecologicamente, possuindo diversas adaptações, como em tamanho e peso, algumas com 5g, outras com até 80 kg; variam no tipo de habitat, alguns vivem a vida toda no subsolo, outras no dossel da floresta, alguns se adaptaram a uma vida urbana, como tipos de ratos, outros vivem no deserto e os encontramos até em meio aquático, como o castor.

Castor, uma espécie de roedor que vive em meio aquático. Foto: Procy / Shutterstock.com

Alimentação

A maioria das espécies são onívoras, mas existem aquelas que se alimentam só de plantas e outras que têm hábito especialista. Apesar de ser um grupo muito diverso, ele apresenta características em comum, como os dentes especializados para roer, possuem um único par de incisivos superiores (não possuem raízes, crescem continuamente) e um par inferior, não desenvolvido. Têm um par de superiores, com um ou mais pré-molares e molares. Nenhum roedor tem dentes caninos, ou mais de dois pares de incisivos. Quanto mais roem, os incisivos passam um no outro e ficam mais afiados, além de sofrerem desgaste.

Ecologia

A ordem rodentia tem um papel ecológico importante, uma vez que reproduz rápido e em grande quantidade, constituindo boa parte dos ecossistemas terrestres. Assim, contribuem para maior oferta de alimentos para predadores, uma vez que são presas de outros animais. Além disso, os roedores ganham destaque por muitas espécies possuírem populações desequilibradas, causando impactos ambientais, econômicos e na saúde humana, como a capivara, hospedeira do carrapato estrela, ou ratos que causam doenças, etc.

O músculo mais utilizado para estes animais roerem é o masseter, e a forma como o utilizam é que define a qual grupo de roedor o animal pertence.

Os ratos são um dos principais roedores presentes nas cidades. A urina desses animais é responsável pela transmissão de doenças como a leptospirose. Devido à abundância de alimentos para eles e rápida reprodução, são considerados uma praga urbana. Foto: Irina Kozorog / Shutterstock.com

Principais famílias e espécies

Está dividida em 5 subordens:

  • Sciuromorpha: Distribuída em 5 famílias entre porquinhos-da-índia, cobaias, preás, castor das montanhas, esquilos, marmotas, etc;
  • Castorimorpha: Dividida na Família Castoridae e na Família Heteromyidae ;
  • Myomorpha: Está em duas subfamílias e 5 famílias que englobam os ratos, hamsters, gerbils, camundongos, etc. Aqui se encontra a família Muridae, que é a maior dentro da ordem, apresentando mais de 650 espécies. Quem merece destaque aqui também, é a Família Spalacidae, que é representada por roedores fossoriais, com características bem peculiares.
  • Anomaluromorpha: Família Anomaluridae, oriundos da África e Família Pedetidae, representada pelas lebres-saltadoras.
  • Hystricomorpha: Dividida em duas infraordens e 18 famílias. O destaque aqui vai para família  Bathyergidae, que possui olhos e orelhas reduzidas, com quase ausência de pelos e vivem em galerias subterrâneas. Também se encaixam as famílias de chinchilas, pacas, cutias, porcos espinhos, etc.

Famílias de roedores brasileiros:

  • Sciuridae, que é dos caxinguelês, esquilos, serelepe.
  • Dasyproctidae, que é das cutias (gênero Dasyprocta, com várias espécies);
  • Cuniculidae que é das pacas (Agouti paca);
  • Erethizontidae que é dos porcos-espinhos ou ouriços (Coendou prehensilis e Chaetomys subspinosus );
  • Caviidae que é das capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris);
  • Murídae que é dos pequenos roedores, ratos e camundongos.

Referências:

https://animaldiversity.org/accounts/Rodentia/

R., R, Nélio et al. Livro: Mamíferos do Brasil, ed Eduel, ano 2006

S., F., Eliana. Ecologia da Cutia (Dasyprocta leporina) em um Fragmento Florestal Urbano em Campinas-SP. Tese de doutorado, Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista“Julio de Mesquita Filho”, 2005.

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