Mal das Montanhas

O mal das montanhas, também conhecida como doença das alturas ou mal agudo de montanha, é um problema causado pela escassez de oxigênio nas grandes altitudes, impossibilitando que o organismo capte o oxigênio necessário para suprir suas necessidades básicas, o que acaba resultando em uma série de efeitos no organismo.

Esta afecção resulta da falta de aclimatação e acomete uma porcentagem grande de montanhistas, e quando não é tratado, pode levar ao edema pulmonar ou cerebral, podendo evoluir para óbito. Os primeiros sinais clínicos manifestam-se dentro de 4 a 8 horas antes atingir altitudes superiores a 3.500 metros, no entanto, pode aparecer em altitudes inferiores, variando de acordo com o organismo de cada pessoa.

As altitudes responsáveis por levar a problemas, dividem-se em três categorias:

  • Moderadas: entre 2.400 a 3.600 metros;
  • Altas: entre 3.600 a 5.400 metros;
  • Extremas: superior a 5.400 metros.

O mal das montanhas agudo acomete indivíduos que moram ao nível do mar e que sobem a uma altitude moderada, em 1 a 2 dias. Isto resulta na falta de ar, aumento do ritmo cardíaco e consequente cansaço. Aproximadamente 20% dos indivíduos sentem dores de cabeça, náuseas, vômitos e insônia. O extenuante exercício físico leva a uma piora dos sintomas. A maior parte das pessoas recupera-se dentro de poucos dias. Esta perturbação tem uma maior prevalência entre os jovens, do que entre as pessoas mais velhas.

Por conseguinte ao mal das alturas agudo, pode surgir o edema pulmonar das alturas. O risco de desenvolver esta afecção é maior entre as pessoas que habitam elevadas altitudes, especialmente crianças, após retornarem para casa depois de passar um período de 7 a 10 dias em regiões situadas ao nível do mar. Os indivíduos que já apresentaram este problema anteriormente possuem maior probabilidade de sofre novamente, e até uma rápida infecção respiratória, como uma constipação, eleva esse risco. Este tipo de afecção costuma acometer mais mulheres do que homens, ocorrendo, comumente, dentro de 24 a 96 horas após a subida, quase nunca a uma altura abaixo de 2.700 metros.

A falta de ar é mais intensa nos casos de edema pulmonar do que no mal das montanhas agudo; um mínimo esforço pode provocar uma grave dispnéia. É normal que o indivíduo acometido apresente tosse seca, a princípio provocando coceira, para em seguida gerar expectoração. É comum o indivíduo expectorar um grande volume de secreção, geralmente de coloração rosada, podendo também conter sangue. Febre também pode estar presente. Essa afecção pode complicar-se rapidamente, podendo levar ao óbito em pouco tempo.

A forma mais grave do mal das montanhas é o edema cerebral das alturas, que inicia-se dentre de 24 a 96 horas após a chegada a um local de altitude elevada, ou então, pode ser antecedido pelo mal das montanhas agudo ou pelo edema pulmonar das alturas. Ocorre o acúmulo de líquido no cérebro, resultando em dificuldade de caminhar, que pode vir acompanhada de adormecimento dos dedos. Estão presentes também dores de cabeça, mais intensas do que as causadas pelo mal da montanhas agudo. Algum tempo depois surgem as alucinações, sendo que quanto maior a altitude mais intensa é a perda de discernimento e da percepção. Pode evoluir rapidamente para óbito, deste modo, quando houver suspeita de edema cerebral, a vítima deve ser transferida de imediato para altitude inferior.

Os alpinistas, excursionistas e esquiadores costumam ser afetados pelo edema das alturas, que caracteriza-se pela tumefação das mãos, dos pés e rosto. Em parte, esta afecção é resultante da alteração na distribuição de sais produzida pelo organismo em grandes altitudes.

A hemorragia retiniana das alturas caracterizada pelo surgimento de pequenos pontos de sangue na retina pode aparecer quando são alcançadas alturas moderadas. Esta afecção quase nunca gera sintomas e normalmente desaparece espontaneamente, com exceção dos casos em que a hemorragia ocorre na mácula (região responsável pela visão central), onde pode ser percebido um ponto cego na visão. Raramente, a visão fica confusa em um ou ambos os olhos, podendo também ocorrer perda total da visão, que é temporária, sumindo quando o indivíduo retorna a altitudes inferiores.

O mal das montanhas subagudo é infreqüente e foi relatado primeiramente em filhos de chineses nascidos em altitudes moderadas ou que foram posteriormente transferidos para lá, também foi relatada em soldados enviados para altitudes superiores a 6.000 metros por semanas ou meses. Caracteriza-se por uma insuficiência cardíaca que resulta em um considerável acúmulo de líquido nos pulmões, abdômen e membros inferiores. A regressão para altitudes menores sana o problema e é de imprescindível para não levar à morte.

O mal das montanhas crônico, conhecido também como doença de Monge, desenvolve-se gradualmente ao longo de muitos meses, ou até mesmo, anos, em indivíduos que habitam elevadas altitudes. As manifestações clínicas são falta de ar, letargia, diferentes dores e queixas. É possível ocorrer a formação de trombos (coágulos de sangue) nas pernas e nos pulmões, além da parada dos batimentos cardíacos. Este tipo de mal da montanha ocorre quando o corpo é comprimido demasiadamente em conseqüência da falta de oxigênio, fabricando eritrócitos em excesso. Caso a vítima não seja transferida de imediato para altitudes menores, irá morrer.

O melhor jeito de prevenir o mal das montanhas é subir vagarosamente, demorando pelo menos dois dias para alcançar os 2.500 metros de altitude, e um dia a mais para cada 350 a 700 metros adicionais. Pernoitar no caminho também ajuda a reduzir os riscos. Recomenda-se evitar atividade física intensa durante um ou dois dias após a chegada ao local de destino. Embora não tenha sido comprovada a eficácia destas recomendações, aconselha-se ingerir muito líquido e evitar comidas salgadas. A ingestão de bebidas alcoólicas em grandes altitudes deve ser feita com muita cautela, pois nestes locais, seus efeitos parecem dobrar quando comparada com a ingestão da mesma quantidade ao nível do mar.

Os sintomas causados pelo mal das montanhas agudo, são minimizados com o uso de pequenas doses de dexametazona ou acetazolamida no começo da subida e alguns dias após a chegada ao destino. O ibuprofeno é eficaz na atenuação das dores de cabeça geradas pelas grandes altitudes.

O mal das montanhas agudo normalmente desaparece dentro de 1 ou 2 dias. Não há tratamento, apenas recomenda-se ingerir grandes quantidades de líquidos para reposição do que foi perdido pelo suor e ao respirar o ar seco.

É benéfico para os indivíduos afetados com o edema pulmonar das alturas, ficarem de repouso e receber oxigênio, mas caso isto não seja possível, é imprescindível transferir o indivíduo para altitude inferior.

Nos casos graves de edema pulmonar das alturas, o paciente é tratado com corticosteróides como a dexametasona, enquanto espera a transferência para uma altitude inferior.

Existe também a câmara hiperbárica que pode ser utilizada nos casos em que não houver a possibilidade de descida imediata. O doente é colocado dentro da câmara, e esta, irá elevar a pressão no seu interior, sendo que a pessoa deve permanecer de 2 a 3 horas neste local. Esta é uma medida paliativa.

Fontes:
http://www.inf.furb.br/sias/sos/textos/mal_montanhas.htm
http://www.trilhaseaventuras.com.br/atividades/materia.asp?id_atividade=9&id=109
http://www.manualmerck.net/?id=308
http://viajandodecarro.wordpress.com/viagens/viagem-dez09-a-jan2010/mal-da-altitude-soroche-mal-da-montanha/

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