Papilomatose Bovina

Por Débora Carvalho Meldau
A papilomatose é uma doença infectocontagiosa que acomete diferentes espécies de aves e mamíferos, levando à prejuízos consideráveis em animais de produção. Esta enfermidade sempre foi muito ignorada pelos produtores, no entanto, nesses últimos anos tem-se aumentado a preocupação quanto a ela, devido à descoberta de que ela relaciona-se com alguns tipos de neoplasias malignas.

A papilomatose bovina é conhecida também pelos nomes de verruga, figueira, verrucose, fibropapilomatose e epitelioma contagioso e caracteriza-se pela presença de lesões tumorais que acometem a pele, mucosas e certos órgãos. No caso dos bovinos, causa prejuízos por depreciar o couro do animal, assim como a queda na produção leiteira de vacas acometidas no úbere, tornando-os susceptíveis a infecções secundárias, resultando em mastite. Seu agente etiológico é um vírus e pertencente a família Papovaviridae, que possui uma fita de DNA dupla, sendo que os diferentes tipos de vírus da papilomatose bovina (VPB) resultam em lesões distintas:

  • VPB 1 : acomete o pênis, tetos e pele;
  • VPB 2: acomete a pele, rúmen e esôfago. Esta associado ao câncer de bexiga ;
  • VPB 3: acomete a pele;
  • VPB 4: acomete a mucosa do trato alimentar;
  • VPB 5: acomete tetos e úbere (semelhante à grão de arroz);
  • VPB 6: acomete tetos e úbere também.

Embora todas as faixas etárias possam ser atingidas, a mais acometida são animais até dois anos de idade. Animais confinados são mais susceptíveis aos surtos. Em bovinos leiteiros, há certa predileção do vírus pelo úbere e tetos. Já nas bezerras, os locais mais acometidos são pescoço, barbela, orelhas, chanfro, regiões peri-ocular e peti-labial.

A transmissão da forma cutânea se dá por meio de contato direto entre um animal infectado e um sadio ou por meio do contato indireto através de cercas, bebedouros, fômites e ectoparasitas.

Os vírus da papilomatose bovina estão divididos em dois grupos distintos quanto a sua patogenia:

  • Subgrupo A (fibropapilomas):
    • Estágio 1: há a proliferação dos fibroblastos epiteliais.
    • Estágio 2: ocorre uma hiperplasia difusa e acometimento da camada celular primordial. Ocorre também proliferação da camada basal do epitélio e penetração de tecido fibromatoso.
    • Estágio 3: neste período ocorre o papiloma verdadeiro; há a presença de queratinócitos dando origem a massas que possuem um núcleo central de tecido conectivo.
    • Estágio 4: ocorre a regressão do tumor, pois há o ataque de linfócitos e macrófagos, primeiramente ao fibroma e, em seguida, a porção papilomatosa do tumor.
  • Subgrupo B (papilomas escamosos):
    • Estágio 1: após 4 semanas da invasão do organismo pelo vírus, surge a placa formada por tubos de queratinócitos, que darão origem a massa do futuro papiloma.
    • Estágio 2: é formado por massas epiteliais que contêm grandes quantidades de DNA viral, em replicação nas áreas queratinizadas.
    • Estágio 3: aproximadamente 8 meses após, a formação tumoral chega a esse estágio, que histologicamente se assemelha ao estágio anterior e não agüenta a produção viral por muito tempo.
    • Estágio 4: este é o último estágio da formação tumoral, de regressão. Quando há a evolução para uma neoplasia maligna, não encontra-se mais o vírus.

Os papilomas, inicialmente, são tumores benignos que podem evoluir para tumores malignos, classificados como:

  • Escamosos: ocorre na pele ou qualquer parte do corpo, acometem principalmente a cabeça, em especial, na região ao redor dos olhos, pescoço, ombros, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo.
  • Mucosos: situam-se em mucosas e macroscopicamente apresentam-se como nódulos encapsulados e circunscritos.
  • Planos: geram o engrossamento da epiderme com forte queratinização das camadas superficiais, surgindo como leves nodulações arredondadas na superfície epitelial.
  • Pedunculares: sua ocorrência é comum nos tetos e úbere. Seu tratamento é complicado e as verrugas causam dor durante a ordenha. Sua coloração varia de branco acinzentado ao preto e cinza.

Existem diversos tipos de tratamentos, dentre eles está o cirúrgico, através da retirada de algumas verrugas para estimular o sistema imune humoral, levando à queda das outras alterações de mesma natureza. Outra opção é a vacina autógena, sendo que esta possui caráter curativo e o tratamento preventivo com este produto deve ser evitado. No procedimento de autohemoterapia, retira-se 10 mL de sangue venoso aplicando-o imediatamente por via intramuscular, resultando em um estímulo imunológico inespecífico que pode causar a queda das verrugas. Existe também um produto químico, na forma de pasta, que mata o vírus, fazendo com que as verrugas sequem.

A prevenção e o controle desta afecção são realizados através de cuidados tomados durante a aquisição de novos animais, isolando-os do restante do rebanho, assim como a realização de medidas como: esterilização de materiais cirúrgicos, seringas, agulhas e controle ectoparasitas. Caso haja animais doentes, estes devem ser manejados por último.

Fontes:
http://www.portaldbo.com.br/noticias/DetalheNoticia.aspx?notid=28661
http://www.limousin.com.br/pages/artigos/vendo.asp?ID=106
http://www.bichoonline.com.br/artigos/bb0025.htm
http://www.revista.inf.br/veterinaria10/revisao/edic-vi-n10-RL67.pdf

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