Polimiosite

Por Débora Carvalho Meldau
A polimiosite é uma afecção crônica pertencente ao grupo de doenças conhecidas como inflamações miopáticas, que se caracteriza por inflamação dolorosa da musculatura.

Desenvolve-se gradualmente, normalmente surgindo na segunda década de vida do indivíduo e acomete uma pessoa em cada 200.000. Sua etiologia ainda não foi esclarecida, mas acredita-se que certos vírus (como, por exemplo, o HIV) e reações auto-imunes possam desencadear essa doença. Outro dado interessante, é que aproximadamente 15% dos homens com polimiosite acima dos 50 anos de idade também apresentam câncer, enquanto que as mulheres que possuem essa doença são menos propensas a desenvolver câncer.

As manifestações clínicas habitualmente surgem mais repentinamente nas crianças do que nos adultos. A sintomatologia pode aparecer durante ou logo após uma infecção e compreende fraqueza muscular (especialmente nos braços, quadril e coxas), dor nas articulações e na musculatura, fenômeno de Raynaud, erupção cutânea, dificuldade na deglutição, perda de peso, febre e fadiga.

A fraqueza muscular pode surgir bruscamente ou gradativamente, podendo agravar-se dentro de algumas semanas ou meses. Devido aos músculos que são acometidos, algumas tarefas tornam-se extenuantes, como levantar os braços acima da cabeça, subir escadas e levantar-se de uma cadeira. Quando a musculatura do pescoço é comprometida também, torna-se quase impossível para o indivíduo erguer a cabeça quando se encontra deitado. A fraqueza nos quadris e coxas pode deixar o paciente preso à cadeira de rodas ou à cama. A musculatura afetada na região superior do esôfago pode levar à dificuldade de deglutição e regurgitamento dos alimentos.

Em uma parte dos indivíduos acometidos com a doença, surgem dores e inflamações articulares, que geralmente desaparecem rapidamente. O fenômeno de Raynaud tende a aparecer em indivíduos que portam a polimiosite juntamente com outras afecções do tecido conjuntivo.

Com exceção da garganta e do esôfago, a polimiosite não costuma afetar órgãos internos. Todavia, pode atingir os pulmões, resultando em falta de ar e tosse. Úlceras estomacais e intestinais podem aparecer também, o que pode levar a fezes escuras e sanguinolentas, sendo que este quadro é mais freqüente em crianças do que em adultos.

O diagnóstico é obtido através do quadro clínico apresentado pelo paciente, juntamente com estudos dos níveis de enzimas musculares sanguíneas, exame histopatológico do tecido muscular e presença de anomalias na atividade condutora das fibras musculares, sendo este último parâmetro medido por meio de um instrumento denominado electomiógrafo.

O tratamento normalmente é feito por meio da restrição de atividades físicas, em associação com a administração por via oral de corticosteróides em doses elevadas, levando ao restabelecimento gradativo da força muscular e aliviando o edema e a dor, fazendo, portanto, com que a doença seja controlada. Dentro de 4 a 6 semanas de tratamento, a dose do fármaco é reduzida gradualmente, quando ocorrer o retorno dos valores normais das enzimas musculares e restabelecimento da força muscular. A maior parte dos adultos deve continuar ingerindo doses reduzidas de corticosteróide por muitos anos ou então pelo resto da vida, em certos casos. Já em crianças, o uso desse medicamento pode ser suspenso dentro de um ano sem que haja recidivas. Pode ocorrer também do corticosteróide levar a piora da doença, sendo que, nesses casos, deve-se administrar fármacos imunossupressores no lugar do primeiro.

Fontes:
http://www.manualmerck.net/?id=77&cn=777
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pcdt_dermatomiosite_polimiosite_livro_2010.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Polimiosite
http://www.phadia.com/pt-PT/Profissionais/Auto-imunidade/Doencas/Doencas-do-Tecido-Conjuntivo/PolimiositeDermatomiosite/

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