Úlceras de Pressão

Por Débora Carvalho Meldau
As úlceras de pressão, também conhecidas como úlceras de decúbito, escara ou escara de decúbito, são lesões de pele ou partes moles, que originam-se, basicamente, de isquemia tecidual prolongada. Esta, por sua vez, ocorre devido a qualquer posição que é mantida pelo paciente durante um longo período de tempo (comum em pacientes acamados), especialmente em tecidos onde há sobreposição de uma proeminência óssea, resultante da presença de pouco tecido subcutâneo nessas regiões do corpo.

Existem fatores que contribuem para o desenvolvimento destas úlceras, como a idade avançada, fricção, traumatismos, desnutrição, incontinência urinária e fecal, infecção, avitaminoses, umidade excessiva, pressão arterial e edema.

Os locais mais comumente afetados são a região sacral e os calcâneos, sendo que aproximadamente 60% das úlceras de pressão se desenvolvem na região pélvica ou abaixo desta.

As úlceras de pressão são classificadas em estágios. São eles:

  • Estágio I: quando a pele que encontra-se intacta sofre alguma alteração relacionada a pressão, apresentando algumas alterações como mudança de temperatura , mudança na consistência tecidual ou sensação de queimação ou coceira. Nos indivíduos de pele clara, pode apresentar-se sob a forma de eritema que não torna-se claro após a remoção da pressão. Em indivíduos de pele escura, apresenta-se como descoloração, manchas arroxeadas ou azuladas.
  • Estágio II: ocorre a perda parcial da pele que envolve a epiderme, derme ou ambas. Manifesta abrasão, bolha ou cratera rasa.
  • Estágio III: ocorre a perda da pele em sua espessura completa, envolvendo danos ou necrose do tecido subcutâneo que pode ser profundo, mas não atinge a fáscia muscular.
  • Estágio IV: ocorre a perda da pele na sua espessura total acometendo áreas extensas, ou danos na musculatura, ossos, bem como outras estruturas de suporte (como tendão e capsula articular).

A prevenção é a melhor solução para o problema. Primeiro deve ser avaliado o risco, considerando que este é maior para indivíduos acamados, restritos a cadeira de rodas ou os que apresentam limitada capacidade de reposicionamento. Devem ser identificados todos os fatores de risco, objetivando programar as medidas preventivas específicas.

A pele necessita de inspeção diária. É fundamental também que se faça o alívio da pressão da pele nas áreas que apresentam maior risco, ou onde são encontrados ossos proeminentes. Cuidados devem ser tomados como:

  • Manter o colchão piramidal sobre o colchão de cama do paciente;
  • Mudar sempre a posição do paciente acamado;
  • Elevar os calcanhares colocando-se travesseiros macios embaixo do tornozelo;
  • Uma vez ao dia, posicionar o paciente sentado em poltronas macias, ou revestidas com colchão piramidal;
  • Alterar a posição das pernas quando o paciente encontra-se sentado;
  • Dieta rica em vitaminas e proteínas;
  • Manter hidratação;
  • Manter o paciente seco e limpo, trocando suas fraldas de três em três horas;
  • Realizar hidratação da pele com hidratantes e/ou óleos corporais a base de vegetais;
  • Usas sabonete com pH neutro para realizar a higiene da área genital;
  • Manter-se atento para o surgimento de infecções fúngicas;
  • Aplicação de filme transparente e/ou cremes ou loções a base de AGE nas regiões que apresentam maior risco para surgimento de lesões;
  • Realizar massagem com loção umectante nas regiões de pele sadia, em áreas com maior probabilidade de surgirem lesões;
  • Manter as roupas de cama sempre limpas e secas;
  • Não utilizar lâmpadas de calor sobre a pele, pois estas ressecam-na.

O tratamento das úlceras de pressão é feito por meio da limpeza das lesões aplicando-se soro fisiológico na forma de jato sob estas, de preferência morno. Este jato apresenta a capacidade de limpar a ferida sem lesar o que o próprio organismo vem reparando.

Quando estão presentes escaras (crostas enegrecidas e endurecidas) sobre as lesões, estas deverão ser removidas por um profissional da área especializado.

Existem produtos que auxiliam no tratamento das úlceras de pressão, chamados de “novas tecnologias”. A indicação fica a critério do profissional especializado.

Fontes:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?626
http://www.eerp.usp.br/projetos/feridas/upressao.htm
http://www.fraterbrasil.org.br/Ulcera%20de%20Pressao.htm
http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2006-19/1/029-038.pdf
http://www.faculdadeobjetivo.com.br/arquivos/PrevencaoDeUlcera.pdf

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