Úlceras de pressão

Graduado em Ciências Biológicas (UNIFESO, 2014)

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Úlcera de pressão, úlcera de decúbito ou escara, é a lesão na pele que se dá através da compressão de microvasos sanguíneos, chamados de vasos capilares, que irrigam os tecidos do organismo, causando morte tecidual por falta de nutrientes.

Essas lesões na pele geralmente surgem em pessoas que não mudam muito o próprio corpo de posição (decúbito), acometendo principalmente as pessoas acamadas e os cadeirantes. As lesões ocorrem porque os microvasos sanguíneos dos tecidos moles são pressionados contra os ossos ou cartilagens, chamados de tecidos duros, impedindo a chegada dos nutrientes necessários para a manutenção das células em funcionamento pleno, podendo ocasionar a necrose dos tecidos afetados.

A evolução da úlcera de pressão é dividida em 4 etapas:

  • 1ª - Estágio clínico denominado de eritema ou hiperemia. Nessa fase a pele aparece avermelhada, com os tecidos mais superficiais começando a ser lesionados. Esse quadro é facilmente reversível com o alívio da pressão, mas pessoas de pele mais escura precisam de mais atenção, pois torna-se mais difícil a identificação do rubor.
  • 2ª - Estágio chamado de isquemia, em que ocorre o aparecimento de bolhas ou de ferimentos superficiais secos, lembrando um esfolamento ou escoriação.
  • 3ª - Etapa em que ocorre a necrose, quando a ferida já apresenta coloração escura, podendo a camada superficial da pele não existir mais, deixando o organismo exposto e dependendo do tecido adiposo para realização do papel que seria da pele.
  • 4ª - Consiste na ulceração, na qual músculos, tendões e até mesmo ossos podem ficar expostos.

A primeira etapa da úlcera por pressão pode começar a aparecer após três ou quatro horas de permanência do corpo na mesma posição. Os locais acometidos pelas lesões na pele variam de acordo com a posição que a pessoa permanece por mais tempo: quando muito tempo deitada, é comum aparecimento das manchas vermelhas e feridas na parte inferior da cabeça, nas costas, nos cotovelos, no quadril, no cóccix, nas nádegas e na região inferior dos pés. Já um cadeirante, por exemplo, desenvolve lesões principalmente na parte da pélvis. Não somente a pressão pode causar a ulceração de tecidos, mas o atrito também pode contribuir para o problema.

Essas ulcerações podem agravar o estado clínico de um paciente internado em âmbito hospitalar por servirem de meio de cultura para a proliferação de bactérias, ou seja, as bactérias utilizam esses locais lesionados para se reproduzirem. Em casos mais graves, as bactérias podem penetrar muito o organismo, causando muitas vezes meningite ou chegando ao tecido ósseo, gerando a osteomielite.

O tratamento consiste na redução da pressão, nos cuidados com a ferida, trocando curativos com frequência e limpando adequadamente a área passível de lesão. Às vezes se faz necessária a retirada de tecido morto (desbridamento), o que pode ser feito com água morna e auxílio de gaze, com pomadas que contêm enzimas digestivas de tecido morto ou, em alguns casos, com intervenção cirúrgica.

A prevenção consiste em mudar o indivíduo de posição a cada duas horas, dando conforto às áreas que mais podem desenvolver as úlceras, identificar pessoas que possuem mais facilidade de ocorrência de lesões, como diabéticos, pessoas com incontinência urinária ou fecal, obesos e idosos. Aos cadeirantes, recomenda-se que mudem um pouco de posição a cada quinze minutos e, se possível, que ser retirem da cadeira de rodas a cada uma hora. Deve-se higienizar o corpo diariamente, certificando-se de que este se mantenha seco, bem como promover travesseiros e colchões com formato e maciez adequados, buscando a diminuição da pressão e evitando que as regiões em que mais ocorrem as ulcerações permaneçam em contato com superfícies por tempo prolongado.

Referências:

https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-dermatol%C3%B3gicos/escaras-de-dec%C3%BAbito/escaras-de-dec%C3%BAbito

http://www.ebserh.gov.br/documents/147715/0/%C3%9Alceras+por+press%C3%A3o.pdf/91f82825-df93-4f30-ace1-8a1c9bb55d85

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/escara-ulcera-de-pressao/

https://www.coloplast.com.br/Global/Brasil/Wound/CPWSC_Guia_PU_A5_d7.pdf

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