Desenvolvimentismo

Recebe o nome de desenvolvimentismo a teoria econômica que está centrada no crescimento econômico, baseado na industrialização e na infraestrutura, com forte intervenção do Estado, em detrimento do desenvolvimento social. Tal teoria foi uma resposta aos desafios e oportunidades que surgiram com a Grande Depressão dos anos 30 e está ligada às ideias trazidas pelo keynesianismo. A onda desenvolvimentista teve o seu apogeu nas três décadas que sucederam o fim da Segunda Guerra, com destaque para as políticas de implantação da indústria pesada nos principais países da América Latina.

Seus expoentes viam o desenvolvimento como um processo de criação de um panorama novo e atual para o país. A economia fazia parte deste projeto de modernização, pois se tratava de integrar o território, dando-lhe infraestrutura, emprego e tecnologia. Com esse projeto grandioso, vislumbrava-se a criação de uma sociedade democrática e aperfeiçoada, dando novo sentido à “civilização brasileira”, como então se dizia.

No caso do Brasil, o termo “desenvolvimentismo” remete às teorias cepalinas (vindas da CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, uma comissão regional das Nações Unidas, criada em 1948 com o objetivo de incentivar a cooperação econômica entre os seus membros). Como fenômeno histórico, o desenvolvimentismo é associado no Brasil aos governos a partir da década de 1950, com destaque para os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.

Seus defensores são considerados herdeiros intelectuais dos positivistas, com a diferença de que possuíam mente aberta para as novas teorias econômicas. Faziam parte de uma contraelite dirigente aninhada no setor público ao longo dos anos 1950 e início dos 1960. O desenvolvimento exigia principalmente autoestima nacional, fermento para qualquer ideologia transformadora. Este impulso transformador encontrava respaldo numa nova liderança, o Estado, capaz de acionar políticas e reformas, canalizando o desenvolvimento nacional, apesar da relação por vezes contraditória com os atores sociais e econômicos.

Apesar de terem de conviver com as classes dominantes velhas e novas, nossos construtores de instituições revolucionaram a forma de pensar e praticar o desenvolvimento. A Cepal foi a percussora do pensamento desenvolvimentista voltado aos paises periféricos da América, tendo destaque a contribuição do brasileiro Celso Furtado, responsável pela organização de um estudo conjunto da Cepal com o BNDE, cujo objetivo era formar uma linha geral de desenvolvimento para o Brasil. É importante frisar que um dos motivos que levaram as ideias desenvolvimentistas cepalinas a ganharem terreno, foi justamente a sua aceitação por toda uma classe de estadistas presentes no poder à época.

Bibliografia:
Desenvolvimentismo. Disponível em: < http://www.centrocelsofurtado.org.br/interna.php?ID_S=72 >.
BARBOSA, Alexandre de Freitas. O bom e velho desenvolvimentismo. Disponível em: < http://www.teoriaedebate.org.br/materias/economia/o-bom-e-velho-desenvolvimentismo >.

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