Distribuição de renda

Por Emerson Santiago
O conceito de distribuição de renda faz referência à forma como a receita obtida por um país ou região é distribuída entre sua população local, por meio de um ganho salarial maior disponível à maior porcentagem possível da população.

Foto: Maryna Pleshkun / Shutterstock.com

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No Brasil, tal assunto assume maior destaque devido às enormes desigualdades sociais e econômicas experimentadas há séculos pelo povo. Nos últimos anos houve uma recuperação do salário mínimo e uma maior geração de empregos formais (com carteira assinada), mas ainda não se verifica um progresso suficiente para uma distribuição de renda satisfatória. Desde 2004 o país voltou a crescer, iniciando uma expansão que agora é retomada após a crise econômica de 2009. Tal crescimento refletiu no aumento da participação dos salário no PIB (Produto Interno Bruto - a soma de tudo o que é produzido, entre mercadorias e serviços).

O tema da distribuição de renda sempre foi objeto de grande interesse dos economistas, e sua análise foi se desdobrando em diversos critérios e dimensões. Se, por exemplo, o foco é a inserção no processo produtivo o conceito mais adequado é o da distribuição funcional da renda, que é composto pelo total dos ganhos de uma economia em determinado período e repartido entre seus segmentos sociais, dividindo-se assim entre as rendas do trabalho e as rendas derivadas da propriedade (terra, capital, etc.).

Na economia brasileira, a principal fonte de dados para a aferição da distribuição funcional de renda são as tabelas de "Recursos e Usos" das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE. Outra análise relevante é o da distribuição pessoal da renda, que se contra na descrição de como a renda do país é repartida entre os indivíduos. O IBGE, na divulgação de suas pesquisas que investigam características individuais dos residentes no Brasil (por exemplo, através de sua conhecida PNAD) adota este procedimento.

Assim, podemos entender o conceito de distribuição funcional da renda como o instrumento de análise da repartição do PIB entre proprietários de capital e trabalhadores assalariados. Já o conceito de distribuição pessoal da renda se concentra na verificação dos rendimentos que pessoas e famílias recebem.

Importante salientar que o crescimento econômico é requisito básico para a melhora da distribuição funcional da renda a favor dos trabalhadores. No caso do Brasil, os salários aumentaram a sua participação no PIB, mas, do ponto de vista da desconcentração funcional da renda, o nível ainda é muito baixo. Em países desenvolvidos, a proporção dos salários no PIB está entre 55% e 60%.

Bibliografia:
SIMIONI, Monica. Macroeconomia - Distribuição de renda é desenvolvimento - Meta é melhorar a distribuição funcional da renda, aumentando participação de salários no PIB. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=1285:reportagens-materias&Itemid=39>. Acesso em: 14 nov. 2012.