Ação Integralista Brasileira

A Ação Integralista BrasileiraAIB – ainda é um episódio histórico pouco conhecido e explorado pelos historiadores brasileiros. Sabe-se que este partido político, criado pelo escritor do Movimento Modernista e jornalista Plínio Salgado, em 7 de outubro de 1932, através da divulgação de seu Manifesto de Outubro. Crê-se que ela foi fruto da SEP – Sociedade de Estudos Paulista. Este partido teve uma vida ativa durante apenas cinco anos, quando então foi extinto, junto com outros grupos políticos, pelo Estado Novo, comandado por Getúlio Vargas.

Plínio Salgado. Fonte: Wikimedia Commons

Plínio Salgado. Fonte: Wikimedia Commons

Talvez esta obscuridade a que o Integralismo brasileiro foi relegado se deva a seu envolvimento com o nazismo alemão e o fascismo italiano. Realmente, sua doutrina foi largamente influenciada pelos ideais fascistas, e justamente por alimentar estas crenças, a AIB entrou logo em confronto com associações adversárias, como a Aliança Nacional Libertadora – ANL -, dirigida pelo PCB, Partido Comunista Brasileiro, reproduzindo um contexto mundial de luta entre o fascismo e o socialismo.

Este movimento se restringia basicamente à classe média, como tantos outros grupos nacionalistas. Eles entraram para a história como os ‘camisas-verdes’ ou ‘galinhas verdes’, uma referência aos uniformes que eles adotaram. Este movimento integralista surgiu em um cenário de falência política da oligarquia, com a conseqüente desativação das ardentes polêmicas político-ideológicas que se alastravam pela zona rural. Assim, estas discussões em torno de grandes ideais foram transferidas para o âmbito urbano.

Ao mesmo tempo, a Europa fervilhava com novas doutrinas e ideologias, produtos das dificuldades vividas no período entre as duas Guerras Mundiais – 1919-1938 – e da crise do Capitalismo, que atingiu seu ápice em 1929, com a queda abrupta da Bolsa de Nova Iorque. Neste cenário surgiram o fascismo na Itália e o Nazismo na Alemanha, nascidos desse clima de instabilidade. Em nosso país a Revolução de 1930 criou uma atmosfera propícia para o nascimento do Integralismo, única opção diante do governo de Getúlio Vargas e dos avanços do movimento comunista. Talvez por isso os integralistas tenham conquistado a adesão tanto de empresários quanto de operários insatisfeitos com a esquerda.

A Ação Integralista Brasileira contou com nomes de vulto, como os de Gustavo Barroso; Miguel Reale e Santiago Dantas, nomes conceituados e respeitáveis. Este partido também teve a participação ativa das mulheres. Elas não podiam integrar o Comando Nacional, mas tinham espaço nas decisões regionais.

O Integralismo aparecia como um caminho alternativo para a massa desorganizada, não conquistada ainda pelo Partido Comunista. Além do mais, ofereceu às mulheres e aos negros a oportunidade de participar da política brasileira; estabeleceu um código rigoroso de ética e moralidade, regulando o comportamento e os rituais cotidianos, como o batismo e o enterro. Chamava a atenção também por sua política assistencialista, incluindo a edificação de escolas e ambulatórios, sem falar na tradicional distribuição de cestas básicas.

Na iminência das eleições para Presidente, em 1937, Plínio Salgado, então considerado o candidato preferido da população, publicou o Manifesto Programa de 1937, um dos documentos mais importantes deste partido. Embora muitos nem imaginem, esta publicação influenciou várias práticas do Estado Novo, bem como vários estadistas importantes, como Juscelino Kubitschek, e até mesmo projetos como a ‘Casa Própria’ e a ‘Alfabetização de Adultos’.

Embora Getúlio Vargas apoiasse desde o princípio os integralistas, ao articular seu golpe - em grande parte com a cumplicidade desse movimento, inclusive com a negociação de Plínio Salgado para nesta nova gestão ocupar o Ministério da Educação -, ele flagrou a AIB com a proibição de qualquer grupo político a partir de novembro de 1937.

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