Aliança Nacional Libertadora

Graduada em História (UVA-RJ, 2014)

Em decorrência do aumento das propostas políticas com fundamento na ideologia de extrema direita, surgem em vários países grupos de ações contrárias. É no contexto de resistência à crescente onda dos “Camisas Verdes”, ou oficialmente conhecido Partido Integralista que surge a Aliança Nacional Libertadora (ANL). A organização política surge oficialmente em março de 1935 com o objetivo de combater o fascismo em âmbito nacional.

A frente reunia antigos “tenentes” do movimento tenentista que insatisfeitos com os rumos do Governo de Vargas também buscavam novas vias para uma política nacional. Esse grupo de militares lançou um programa básico da organização onde os pontos principais eram: a suspensão do pagamento da dívida externa imediatamente, a nacionalização das industrias estrangeiras, a reforma agrária com proteção aos pequenos e médios proprietários, a garantia de amplas liberdades democráticas e a constituição de um governo popular, sem deixar claro, no entanto as vias pelas quais chegariam à esse governo.

Quando em março de 1935 é lançado o comitê diretório nacional da ANL tendo como presidente Herculino Cascardo, vice-presidente Amoreti Osório, com a participação de outros como Francisco Mangabeira, Roberto Sisson, Benjamim Cabello e Manuel Venâncio da Paz. A presidência de honra é dada à Luís Carlos Prestes. O já então comunista, Prestes estava na União Soviética, mas reverenciado com grande honra no Brasil por sua atuação na década anterior quando tentou derrubar o governo pelas armas com a Coluna Prestes.

Nos meses seguidos ao lançamento da Aliança Nacional Libertadora supõe-se que dezenas de milhares de pessoas fizeram suas filiações, porém esse número é impreciso, pois nunca houve uma divulgação oficial. Ainda contando com o apoio de figuras políticas a ANL realizou diversos comícios e manifestações em diversas cidades do Brasil.

Luís Carlos Prestes voltou clandestinamente ao Brasil em abril de 1935 quando incumbido de promover um levante comunista e estabelecer um governo nacional-revolucionário. O então presidente de honra da ANL, mesmo diante da ampla aceitação popular que essa está adquirindo na sociedade, prefere manter-se clandestino, deixando evidente assim as verdadeiras intenções de seu retorno.

Os embates entre a ANL e os integralistas tornam-se cada vez mais ferozes nas ruas durante as manifestações. Em julho de 1935 a ANL lê durante um comício de comemoração do Movimento Tenentista de 1924, um manifesto de Prestes fazendo uma chamada popular para um levante de derrubada do governo e exigindo “todo poder à ANL”. Vargas aproveitando a grande repercussão do manifesto e com base na Lei de Segurança promulga uma ordem de dissolução da Organização.

Já na ilegalidade a ANL perde o contato com as massas que se empolgavam com a ação de suas manifestações. Porém, internamente cresce seu prestígio entre os “Tenentes” e membros do Partido Comunista, que agem dispostos a realizar um levante armado contra o governo. Em novembro de 1935 é deflagrado em Natal (RN) um levante militar em nome da ANL que com apoio popular chega a assumir o controle da cidade. Outros levantes são observados no Rio de Janeiro e no Recife, porém o governo federal não tem dificuldades em reverter a situação. A ANL vê-se diante de uma onda repressiva forte do governo varguista e é completamente desarticulada.

Referências bibliográficas:

Aliança Nacional Libertadora. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos30-37/RadicalizacaoPolitica/ANL

REIS FILHO, Daniel Aarão. Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.