Autran Dourado

Doutorado em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (PUC-Rio, 2013)
Mestrado em Linguística, Letras e Artes (PUC-Rio, 2008)
Graduação em Jornalismo (PUC-Rio, 2001)

Waldomiro Freitas Autran Dourado nasceu na cidade de Patos, Minas Gerais, no dia 18 de janeiro de 1926. Filho de juiz, passou boa parte da juventude mudando de domicílio. Cursa o Ensino Primário na cidade de Monte Santo e o Ginásio em São Sebastião do Paraíso.

Em 1940, muda-se com a família para a capital Belo Horizonte, ingressando na Faculdade de Direito e trabalhando, simultaneamente, como jornalista e taquígrafo da Assembleia Legislativa do Estado.

Sua estreia literária ocorre com o lançamento da novela Teia, em 1947. Dois anos depois, forma-se na faculdade, onde trava conhecimento com o grupo literário que passa a editar a revista Edifício.

Em 1950, publica Sombra e Exílio, obra agraciada com o Prêmio Mário Sete do Jornal de Letras. Posteriormente, em 1952, lança o romance Tempo de Amar, recebendo o Prêmio Cidade de Belo Horizonte.

Em 1954, muda-se para o Rio de Janeiro, onde passa a trabalhar como serventuário da justiça. No ano seguinte, lança Nove Histórias em Grupo de Três, que recebe o Prêmio Artur Azevedo do Instituto Nacional do Livro.

Durante um período de cinco anos, trabalha no governo de Juscelino Kubitschek como Secretário de Imprensa da Presidência da República.

Findo o período na política, destaca-se, em 1961, com a publicação do romance A Barca dos Homens, escolhido como o melhor livro do ano pela União Brasileira de Escritores. Trata-se de uma espécie de Comédia Humana, fazendo referência à obra do escritor francês Honoré de Balzac, que retrata a decadência das classes abastadas desde o século XVII.

Seu universo ficcional é formado de conteúdos a priori trágicos, onde prevalece o clima poético e personagens solitários, melancólicos e inadaptados à vida. Quanto às características formais, destacam-se o emprego da metalinguagem, da repetição de ideias e eventos, da alternância de pessoa no discurso do narrador, do emprego de estruturas e conceitos herdados da poética clássica, e da narrativa em blocos, baseada no fluxo de consciência. Observa-se também o emprego de técnicas gerais da Literatura Modernista, como os flashbacks e os flashforwards.

Boa parte de suas narrativas passa-se na cidade imaginária de Duas Pontes, outras são ambientadas em cidades reais de Minas Gerais. No caso de A Barca do Sol, a narrativa é ambientada em uma ilha do sul do Brasil.

No universo de adaptações de sua oba, destaca-se a de Uma Vida em Segredo que ganhou versão cinematográfica.

O ápice de sua consagração literária ocorre quando o romance Ópera dos Mortos é escolhido pela UNESCO como integrante de sua coleção de Obras Representativas da Literatura Universal.

Em 30 de setembro 2012, Autran Dourado falece no Rio de Janeiro, sendo sepultado no cemitério São João Batista e deixando à posteridade o legado de uma obra prolífica e singular.

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