Manoel de Barros

Doutorado em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (PUC-Rio, 2013)
Mestrado em Linguística, Letras e Artes (PUC-Rio, 2008)
Graduação em Jornalismo (PUC-Rio, 2001)

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT), no dia 19 de dezembro de 1916, filho do capataz João Venceslau de Barros e Alice Pompeu Leite de Barros. Passa boa parte de sua infância em um colégio interno em Campo Grande.

Com 18 anos, faz uma pichação em um monumento com os dizeres “Viva o Comunismo”, em pleno governo Vargas, que se posicionava ideologicamente contra a doutrina. A polícia segue atrás do autor e, para defendê-lo, a dona da pensão em que vivia informa ao policial que o “criminoso” em questão era autor de um livro. O policial pede para vê-lo e a senhora lhe entrega a obra Nossa Senhora de Minha Escuridão. Após o incidente, Manoel nunca mais a teve de volta.

Em 1937, publica seu primeiro livro de poesias, "Poemas Concebidos Sem Pecados". No mesmo ano, muda-se para o Rio de Janeiro, onde posteriormente se gradua como bacharel em Direito. Após o término dos estudos universitários, publica, em 1942, seu segundo livro Face Imóvel e, em 1946, Poesias.

Na década de 1960, após o casamento com Stella, retorna à região Centro-Oeste, dessa vez para o Mato Grosso do Sul, estabelecendo-se na capital Campo Grande e passando a viver como fazendeiro e criador de gado.

Em termos cronológicos, o autor pertence à terceira geração modernista, de 1945, tal como João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa, marcada pelo apuro estilístico e pouco apego a padrões estéticos preestabelecidos. Contudo, os especialistas preferem não classificar sua poesia especificamente como modernista, de vanguarda ou pós-moderna, afirmando que se encontra além de rótulos e padronizações, dada sua espontaneidade um tanto primitiva, manifestada por meio de versos extraídos da realidade imediata, sobretudo a natureza e a infância.

No decorrer de sua carreira, lança mais de 20 livros, dentre os quais destacam-se: Compêndio Para Uso dos Pássaros (1961), Gramática Expositiva do Chão (1969), Matéria de Poesia (1974), O Guardador de Águas (1989), Retrato do Artista Quando Coisa (1998) e O Fazedor de Amanhecer (2001).

Além disso, recebe os prêmios Orlando Dantas (1960), Fundação Cultural do Distrito Federal (1969). Nestlé (1997), Cecília Meireles (1998) e Academia Brasileira de Letras (2000), entre outros.

Apesar de ter nascido fora do eixo das grandes capitais, possuía formação cosmopolita, tendo viajado para Bolívia, Peru e Nova Iorque. Além disso, revelava grande familiaridade com a Poesia Modernista francesa.

No que tange à atividade política, foi filiado e militante do Partido Comunista durante décadas, rompendo com o mesmo na década de 1950, no momento em que seu líder, Luís Carlos Prestes, após 10 anos de prisão política durante o primeiro governo Vargas, resolve declarar apoio ao presidente, durante o seu segundo mandato, sendo que este já havia extraditado sua esposa, Olga Benário, ao regime nazista da Alemanha, onde foi encaminhada, grávida, a um campo de concentração, onde viria a falecer.

Em 2014, no dia 13 de novembro, falece em Campo Grande em decorrência de síndrome de disfunção múltipla de órgãos, passando à posteridade como um dos maiores poetas brasileiros da história recente de nossa literatura.

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