Pitágoras

Por Ana Lucia Santana
Pitágoras de Samos nasceu por volta de 571 e 570 a.C., na cidade de Samos. Fundou em Crotona, na Itália, Magna Grécia, um grupo de caráter científico, ético e político, que conquistou vários adeptos entre os gregos dessa região e da Sicília. Ele morreu possivelmente em 497 a.C. ou 496 a.C. em Metaponto. Com exceção destes dados, sua vida está mergulhada em eventos imaginários ou lendários. Há até quem afirme ser seu nome proveniente da expressão ‘altar da Pítia’, ou o que foi predito pela pitonisa, uma vez que esta sacerdotisa afirmou à mãe que seu filho seria uma pessoa extraordinária.

Este filósofo e matemático grego criou uma escola batizada com seu nome – pitagórica. Seu pensamento contribuiu muito para o desenvolvimento da Matemática e da Filosofia ocidental. Aliás, curiosamente, foi ele quem elaborou o termo ‘filósofo’. Pitágoras também realizou seu sonho – transformar em realidade e em inovação política seu ideal de educação ética. Mas isto lhe trouxe muitas inimizades e críticas, que o levaram a abandonar Cretona.

A Escola Pitagórica tinha uma predileção pela investigação do caráter dos números, uma vez que para seus adeptos eles constituíam a essência de tudo. Do estudo desta área surgiu a teoria da harmonia das esferas, segundo a qual todo o Universo é governado por interações matemáticas. Como eles não tinham ainda conhecimento suficiente, nesta época, para diferenciar formas, leis, matéria e a substância dos objetos, concluíram que o número era a ponte entre os elementos.

Diante da diversidade da existência, os pitagóricos encontram obstáculos para justificar a composição única e não mutável dos objetos. Como explicar as constantes transformações da vida? Assim, tentando responder esta questão, eles recorrem aos opostos – o ilimitado e o limitado - ou seja, o par, que permite a todos os números serem divididos por dois, o que lhe permite ser sem limites, portanto imperfeito, e o ímpar, que ergue uma barreira contra essa operação, o que instaura os limites, a perfeição. No final, porém, toda multiplicidade se funde na harmonia matemática, que tudo rege.

Esta disciplina que vigora no Universo foi uma idéia inspirada em Pitágoras pelo exame minucioso dos astros. Tudo, desde a alternância entre noite e dia, até o ciclo das estações, passando pelo movimento circular e aparentemente perfeito das estrelas, indicam a existência de uma ordem, uma perfeição cósmica. Neste sentido os pitagóricos também concluíram que a Terra é uma esfera que gira em torno do sol. Eles chegaram a prever a rotação do Planeta, o que explica a existência do dia e da noite. A grande inovação dos pitagóricos, porém, foi no campo da geometria, especificamente na interação entre os lados do triângulo retângulo.

A escola pitagórica estende a idéia da harmonia ao próprio campo da moral, e defende também o ascetismo e a prática de abstinências. Eles crêem na metempsicose e na reencarnação. Ao longo do século VI, aproveitando uma onda de crescimento das religiões populares e também estrangeiras, o Orfismo – de Orfeu -, um culto esotérico, pregava livremente a existência de uma alma imortal, que podia partir após a morte para outro corpo, até alcançar a perfeição. Este ciclo reencarnatório seria conduzido por Dioniso.

Mas para Pitágoras, como tudo era preenchido pelos números, só estes poderiam libertar a alma da sucessão de reencarnações, o que exigiria do homem um empenho puramente intelectual para atingir o arcabouço numérico de tudo que existe, e assim, por extensão, a harmonia integral da alma. O universo não seria formado por números em si, mas sim pelos valores expressos por eles.

Segundo o pitagorismo, há quatro elementos – terra, água, ar e fogo. Seguindo estas veredas investigativas, eles revelaram diversos princípios da física e da matemática. O pentagrama, por exemplo, tornou-se até mesmo o símbolo desta linha filosófica. Segundo Pitágoras, esta figura nasce ao se traçar as diagonais de um pentágono regular; através dos pontos de encontro de suas superfícies, constrói-se outro pentágono regular, com as mesmas proporções do original. O nome deste genial matemático ficou para sempre conectado a um significativo teorema, segundo o qual em qualquer triângulo retângulo a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Além deste teorema, ele também revelou a existência dos números perfeitos.