Pitágoras

Mais conhecido pelo teorema que leva seu nome, Pitágoras de Samos foi um filósofo grego do final do século VI a.C., responsável pelo surgimento da palavra "matemática", e sua concepção como um sistema de pensamento baseado em provas dedutivas, e também pela fundação da Escola Pitagórica, reconhecida como a primeira universidade do mundo. Este é um título mais honorífico do que uma classificação real, uma vez que a Escola Pitagórica se aproximava mais do que chamaríamos hoje de guilda. Embora poucas informações sejam realmente confiáveis sobre a vida e teorias de Pitágoras, pois a maior parte das informação sobre o filósofo foram escritas séculos após sua morte. Sabemos, através de do filósofo grego Aristóteles, que Pitágoras considerava a si mesmo um observador da natureza e que este seria, em sua visão, o propósito de sua existência.

Muitas descobertas matemáticas, astronômicas, musicais, médicas e científicas são atribuídas a Pitágoras, além do famoso Teorema de Pitágoras, que relaciona os lados do triangulo, provando que a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, o que possibilitou a descoberta dos números irracionais e o surgimento do conceito de raiz quadrada através da aplicação do Teorema de Pitágoras a um triangulo cujos catetos possuíam valor 1. Pitágoras também foi reconhecido em seu tempo por contribuições na esfera religiosa tendo praticado adivinhação e profecia, especialmente na cidade de Croton, aparecendo em Delfos, Esparta e Creta como sacerdote e guia religioso.

Embora alguns textos sob o nome de Pitágoras tenham circulado na antiguidade, a autenticidade destes é questionada, uma vez que antigos membros da escola pitagórica costumavam citar Pitágoras pela frase "autos ephe", significando "ele mesmo disse", o que segundo Aristóteles indicaria a natureza oral destes ensinamentos. De acordo com Sir William Smith, em seu Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology de 1870, tudo o que sabemos dos escritos de Pitágoras, através de citações de autores como Xenofanes, Heródoto, Platão, Aristóteles e outros, dá conta de que haviam dois livros, um primeiro contendo uma descrição geral da origem e disposição do universo. O secundo sendo uma exposição da natureza dos números, os quais, de acordo com a teoria pitagórica, são a essência e fonte de todas as coisas.

Ainda, de acordo com Smith, muitos dos desenvolvimentos atribuídos a Pitágoras na verdade seria produto do trabalhos dos pitagóricos, descendentes intelectuais de Pitágoras e membros de sua escola. Fascinados pela matemática, iniciada por seu mestre, estes chegaram a defender que os princípios da matemática eram os princípios de todas as coisas. De fato, muitos pesquisadores questionam se Pitágoras teria contribuído muito para a matemática e filosofia natural. O que sabemos, por fontes confiáveis, é que os números possuíam importância crucial para sua filosofia, que ele foi o primeiro a usar o termo "filósofo", ou "amante da sabedoria", para referir-se a si mesmo, que sua escola foi a primeira a fazer a classificação aritmética dos números em pares, ímpares, primos e fatoráveis, e que suas ideias influenciaram Platão e, através dele, toda a história filosofia, motivo pelo qual, se supõe, mais é atribuído a ele do que se pode confirmar.

Referências bibliográficas:
BUCKINGHAM, Will; at all. O Livro da Filosofia. Editora Globo. São Paulo, 2011.

GARBI, Gilberto Geraldo. A Rainha das Ciências. Editora Livraria da Fisica. 2006.

FERGUSON, Kitty. Pythagoras: His Lives and the Legacy of a Rational Universe. 2011.

SMITH, William. "Philola'us". Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. ed. (1870).

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros Mestres da Filosofia e da Ciência Grega. 2ª Ed., Porto Alegre: Edipucrs, 2003

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