Higroscopia

Por Júlio César Lima Lira
A química define higroscopia como a capacidade de uma espécie em absorver água (seja ela de qualquer forma). Entretanto, usualmente são consideradas higroscópicas apenas as substâncias cuja absorção de água (especialmente do meio ambiente, no ar) é elevada.

Alguns exemplos são: o sulfato de cobre, que normalmente é encontrado P.A. (para análise, ou pureza analítica) sob forma de cristais azulados. Tais cristais são resultado da solvatação do retículo de CuSO4 por exatamente 5 moléculas de água (sulfato de cobre pentahidratado); a sílica gel (SiO2.nH2O) que também é encontrada nas mesmas condições do sulfato de cobre: moléculas de água criam uma camada de solvatação sobre o retículo (separando-o em íons).

Em cálculos estequiométricos, são levadas em consideração as massas molares dos compostos hidratados (ou seja, a massa molar do sulfato de cobre, por exemplo, é calculada utilizando-se da massa molar da água quintuplicada, portanto: 250 g/mol. E não 160 g/mol).

A higroscopia não é somente restrita a cristais de sais ou óxidos de silício. O hidróxido de sódio quando na fase sólida (em formatos semelhantes às de pastilhas) também é altamente higroscópico. Assim como o ácido sulfúrico concentrado que, ao entrar em contato com mucosas, apresenta características desidratantes.

Deliquescência e Eflorescência

A deliquescência é definida pela característica intrínseca de uma substância altamente higroscópica em se dissolver na própria água absorvida (o hidróxido de sódio, citado anteriormente, possui essa característica). Ou seja, se for deixado exposto ao ambiente uma pequena porção de um deliquescente (obviamente observando-se as características umectantes do ar), provavelmente, em um curto espaço de tempo, esta tende a tomar forma líquida (como se estivesse “derretendo”).

A eflorescência é antagônica a deliquescência: é definida pela característica intrínseca de uma substância hidratada em liberar espontaneamente a água que a solvata. Pois a pressão de vapor dentro do retículo torna-se maior que a pressão de vapor do meio externo (assim, por gradiente de pressão, naturalmente a água tende a ir para o meio). Em pisos cerâmicos, por exemplo, o fenômeno da eflorescência pode ser observado através da evaporação de soluções salinas das suas superfícies: os depósitos acontecem quando os sais solúveis nos componentes das alvenarias, nas argamassas, e etc., são transportados pela água utilizada na construção ou através de infiltrações.

Como essa solução apresenta pressão de vapor maior em relação ao meio, a água que cria a camada de solvatação escapa e os sais (que antes estavam em solução) decantam na superfície.