Hepatócitos

Pós-Doutorado Ciências Biológicas (UNESP, 2013)
Doutorado em Ciências Biológicas (UNESP, 2009)
Graduação em Ciências Biológicas (UNESP, 2005)

Os hepatócitos são as células que constituem o parênquima do fígado correspondendo a 80% de sua população celular. O fígado é um órgão indispensável para o bom funcionamento do corpo humano e exerce diversas funções dentre elas a síntese proteínas como a albumina, proteína responsável pelo transporte e manutenção do controle osmótico, protrombina e fibrinogênio, responsáveis pelo processo de coagulação sanguínea, lipoproteínas e outras proteínas utilizadas na manutenção celular do próprio hepatócito. As hepáticas também são responsáveis pela secreção da bile e armazenam diversos metabólitos tais como gorduras neutras, vitamina A e glicogênio. Por serem ricos em retículo endoplasmático liso, os hepatócitos têm um papel ativo na desintoxicação e neutralização de toxinas através de processos de acetilação, conjugação, metilação e oxidação.

Os hepatócitos são células poligonais com aproximadamente 30μm de comprimento por 20μm de largura e se organizam em placas que se anastomosam e formam unidades morfológicas chamadas de lóbulos hepáticos. Estas placas são formadas por uma única camada de células que se orienta radialmente formando figuras poliédricas de cerca de 0,7 por 2mm de área. Em sua maioria estes lóbulos hepáticos possuem suas laterais intimamente associadas umas às outras, porém em determinadas regiões, entre os lóbulos, há a presença de tecido conjuntivo e vasos sanguíneos, estas regiões localizam-se nos vértices das figuras poliédricas e recebem o nome de espaço-porta. Cada espaço-porta é recoberto por uma capa de tecido conjuntivo e contém em seu interior uma arteríola, uma vênula, um ducto biliar, nervos e vasos linfáticos.

Entre cada placa formada pelos hepatócitos há um espaço chamado espaço de Disse onde é possível observar capilares sinusóides. Além do espaço de Disse, outra estrutura que fica entre os hepatócitos é o canalículo biliar formado pelo contato entre dois hepatócitos adjacentes.

Os hepatócitos, quando observados com microscopia de luz, apresentam citoplasma granular devido a presença de grumos basófilos que representam as mitocôndrias e o retículo endoplasmático rugoso. Devido a sua função de desintoxicação do corpo, possuem em seu interior uma grande quantidade de lisossomos e peroxissomos, além de complexo de Golgi bem desenvolvido. O núcleo do hepatócito é grande e central apresentando forma arredondada ou oval apresentando um ou mais nucléolos. Podem ser observados células que possuem dois ou mais núcleos. As células binucleadas representam cerca de 25%.

Neste tipo celular é comum a presença de uma condição genética onde, no núcleo celular, são encontrados mais de dois conjuntos de cromossomos homólogos chamada de poliploidia. A poliploidia nos hepatócitos pode ocorrer em até 80% das células. Por ser um tipo celular muito ativo, o citoplasma das células do fígado é rico em organelas, são encontradas cerca de 2 mil mitocôndrias, 300 lisossomos e o retículo endoplasmático ocupa cerca de 15% do volume celular. Ainda no citoplasma, é encontrada uma grande quantidade de glicogênio geralmente associado ao retículo endoplasmático liso, este glicogênio serve como reserva de glicose para o organismo.

 

Bibliografia

Histologia básica I L.C.Junqueira e José Carneiro. - [12 . ed]. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

Hernadez F Carvalho, Carla Beatriz Collares Buzato. Células: Uma abordagem multidisciplinar. Editora Manole, 2005

Abraham L. Kierszenbaum. Histologia e Biologia celular, Uma introdução à patologia. 3ª edição. Elsevier, 2012