Hepatócitos

Por Débora Carvalho Meldau
Os hepatócitos são células poliédricas, com diâmetro variando de 20-30 µm, encontradas no parênquima hepático, constituindo o elemento secretor endócrino e exócrino do fígado. Encontra-se um grande número de mitocôndrias e reticulo endoplasmático liso e rugoso em seu citoplasma.

Cada hepatócito possui sua superfície em contato com a parede do capilar sinusóide, através do espaço de Disse, e com a superfície de outro hepatócito. O encontro de duas células hepáticas delimita um espaço conhecido como canalículo biliar. Estes formam a primeira porção do sistema de ductos biliares, sendo delimitados apenas pela membrana plasmática de dois hepatócitos, possuindo um certo número de microvilos em seu interior. Entre estas células existem junções gap que são importantes na comunicação intercelular, participando do processo de atividades fisiológicas dessas células. Os canalículos biliares formam uma complexa rede que, aos poucos, se anastomosa ao longo das placas do lóbulo hepático, terminando no espaço-porta. Deste modo, a bile flui na direção inversa do sangue, do centro lobular para a sua periferia, onde adentra nos ductos biliares. Estes ductos gradualmente aumentam de diâmetro e se fundem, dando origem ao ducto hepático.

O hepatócito possui um ou dois núcleos arredondados que contêm um ou dois nucléolos cada. No retículo endoplasmático liso desta célula acontecem diversos processos importantes, como por exemplo, a conjunção da bilirrubina tóxica e hidrofóbica, com o glucuronato pela enzima glucuronil-transferase, para dar origem ao glucuronato de bilirrubina, que é uma substância não-tóxica.

No interior dos hepatócitos pode ser encontrado glicogênio na forma de agregados em seu citoplasma, freqüentemente associados ao retículo endoplasmático liso, sendo que o estoque desta substância serve de reserva de glicose para o organismo. Os lisossomos presentes nessa célula são importantes na degradação e renovação das organelas intracelulares. Do mesmo modo que os lissossomos, os peroxissomos, abundantes nos hepatócitos, são organelas que contêm enzimas. Dentre suas funções, está a oxidação de excesso de ácidos graxos, quebra de peróxido de hidrogênio gerado por esta oxidação, quebra de purinas em excesso, com consequente formação de ácido úrico e participação na síntese de colesterol, ácidos biliares e alguns lípidios. Estas células também contêm um grande número de aparelhos de Golgi, responsáveis por formação de lisossomos, secreção de proteínas plasmáticas, glicoproteínas e lipoproteínas.

Os hepatócitos podem ser considerados as células mais versáteis do organismo, pois possui funções endócrinas e exócrinas, que também acumula detoxifica e transporta diferentes substâncias. Além de produzir proteínas para se manter, produz também diversas proteínas plasmáticas para exportação (por exemplo, albumina, protrombina, fibrinogênio e lipoproteínas). Apenas cerca de 5% das proteínas exportadas pelo fígado são sintetizadas pelas células de Kupffer, sendo o restante, sintetizada pelos hepatócitos.

A secreção da bile é uma função exócrina, pois os hepatócitos captam do sangue, transformam e secretam vários componentes para a luz dos canalículos biliares. São responsáveis pela gliconeogênese, que consiste na conversão de aminoácidos em glicose.

Fontes:
Histologia Básica – Luiz C. Junqueira e José Carneiro. Editora Guanabara Koogan S.A. (10° Ed), 2004.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hepatócito
http://www.hepcentro.com.br/anatomia.htm
http://www.pathology.med.ohio-state.edu/ext/MedEd/Med2Visuals/Scripts/descall.idc?FolderNumber=10534