Esquema PC Farias

Por Antonio Gasparetto Junior
A revelação do Esquema PC Farias foi a principal causa para gerar o impeachment do presidente Fernando Collor de Melo. A falcatrua política ligada diretamente com a figura do presidente do Brasil desviou grande quantidade de dinheiro público e envolveu várias formas de corrupção.

O presidente Fernando Collor de Melo foi eleito em 1989 como o primeiro governante escolhido de forma direta pelo povo brasileiro depois da Ditadura Militar. Durante a campanha eleitoral o ainda candidato prometia caçar os políticos corruptos no país, mas o desenvolvimento de seu mandato mostrou que era ele mesmo que precisava ser caçado. O governo de Collor ficou marcado por uma política de recolhimento do dinheiro da população armazenado em suas contas bancárias e também pelo grande esquema de corrupção conhecido como Esquema PC Farias. Com tantas acusações que foram feitas ao seu governo e também com as respectivas provas, o presidente brasileiro Fernando Collor de Melo se tornou o primeiro presidente da América Latina a sofrer o impeachment em 1992.

O Esquema PC Farias recebeu este nome porque tinha como figura central no caso o empresário Paulo César Cavalcante Farias, nascido no dia 20 de setembro de 1945 em Passo do Camarajibe. Durante a campanha política para as eleições de 1989 o empresário mais conhecido como PC Farias foi tesoureiro da chapa que unia Fernando Collor de Melo e Itamar Franco para disputa da presidência. Após a vitória nas urnas, PC Farias continuou muito próximo ao governo do recém empossado presidente Fernando Collor. No mandato em vigor, o empresário se infiltrou em vários ramos do governo e arquitetou e comandou um enorme esquema de corrupção.

Várias decisões do governo Collor foram influenciadas por PC Farias, que era o líder de uma forma de poder paralelo. Sua interferência se deu tanto no Palácio do Planalto, quanto no Banco Central, além de controlar quase todos os ministérios e os mais diversos setores da economia brasileira.

Com o poder que PC Farias tinha em mãos, o empresário manipulou os contratos brasileiros indicando funcionários para criar documentos falsos e criar contas fantasmas para onde iriam as verbas públicas que deveriam ser utilizadas nos setores da educação, saúde, segurança e previdência social.

O esquema de corrupção existente no governo do presidente Collor foi denunciado por seu próprio irmão, Pedro Collor. Supostamente o que o levou a fazer a denúncia foi o interesse de PC Farias de editar um jornal chamado Tribuna de Alagoas no estado com o mesmo nome. A investigação do Esquema PC Farias mostrou que o artifício ilegal usado pelos envolvidos arrecadou cerca de 15 milhões de reais durante o governo de Fernando Collor, sendo que mais de um bilhão de reais chegou a ser movimentado nos cofres públicos. É importante destacar que naquele momento o real ainda não era a moeda oficial do Brasil, assim tais dados são conversões para os dias atuais.

De todo modo, o impacto do Esquema PC Farias foi muito forte, o governo não resistiu. Em 1992 o então presidente Fernando Collor de Melo foi deposto e foi viver exilado em Nova York, entretanto permaneceu uma movimentação ilegal de dinheiro por contas bancárias que tinha como fim chegar às contas nos Estados Unidos. O fim para PC Farias se deu no ano de 1996, no dia 23 de junho, quando foi encontrado morto juntamente com sua namorada, Suzana Marcolino, em um quarto de hotel na praia de Guaxuma em Maceió. A princípio o laudo das investigações disse que a própria namorada tinha matado PC Farias e depois suicidado, mas descobriu-se que o legista Badan Palhares recebeu quatro milhões de reais do irmão de Paulo César Farias para alterar o laudo. O caso foi arquivado sem uma resolução concreta, mas para médicos e legistas  envolvidos na investigação acreditam que o casal foi assassinado.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_César_Farias
http://e-s-c-a-n-d-a-l-i-c-i-o-u-s.blogspot.com/2009/07/o-esquema-pc.html
http://www.terra.com.br/noticias/especial/pc/capa.htm