95 Teses de Martinho Lutero

Pós-doutorado em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Doutor em Ciências da Religião (Umesp, 2001)
Mestre em Teologia e História (Umesp, 1996)
Licenciado em Filosofia (Unicamp, 1992)
Bacharel em Teologia (Mackenzie, 1985)

No século 16, na Europa central, foi iniciado um movimento de renovação da Igreja cristã denominado Reforma Protestante, na sequência de eventos que mudaram a Europa no final da Idade Média: a formação dos Estados Nacionais (modernas nações europeias), descentralização política e forte tensão entre o Estado e a Igreja.

As 95 Teses de Martinho Lutero são o marco inicial da Reforma Protestante. A tradição luterana celebra Martinho Lutero (1483-1546) e as “95 Teses” que foram afixadas na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, dando início ao movimento de renovação da Igreja Cristã. Convidar pessoas para debater “teses” era modo costumeiro de se anunciar “disputas” ou “justa teológica” entre os doutores na Europa medieval, envolvendo professores e estudantes, até mesmo os que não pudessem comparecer, poderiam responder às “disputas” (Teses) enviando suas opiniões por escrito para serem lidas.

Teses eram os “pontos a serem debatidos” em uma plenária de doutores (disputa e ato público) e Lutero tornou públicas as suas Teses – 95 pontos em que discordava da teologia católica – principalmente as controversas vendas de perdão ou indulgências, além das práticas e doutrinas somadas à corrupção de determinados setores do clero, vistas como ameaças à credibilidade da fé e da Igreja.

Entre 1517 e 1521, Lutero participou de muitas disputas teológicas quando metade de suas teses foi refutada pelos doutos do papa. Tornando suas teses públicas, Lutero esperava receber o apoio do papa. Mas, recebeu agentes do Papa Leão X (1475-1521) com uma carta de excomunhão (bula papal) redigida contra ele (em 21/01/1521). Os professores e estudantes de Wittemberg refutaram esta excomunhão e queimaram a carta do Papa em praça pública. Depois disso, as ideias luteranas se difundiram pela Alemanha, consolidando uma atmosfera de cisma religioso na Europa.

A ação de Lutero de lançar as suas teses, em 1517, foi celebrada em muitos livros didáticos de história com uma certa conotação de heroicidade ou excepcionalidade. Seus desdobramentos foram além dos limites luteranos e abriram o caminho para uma fé reformada que ganhou adeptos em toda a Europa, com muitos agentes sociais depois de Lutero e deste seu “marco fundador” da Reforma Protestante do século 16.

No final do século 17, foi revogou o Édito de Nantes (1685) na Europa Central e o protestantismo foi tolerado e oficializado. A partir disso se começou a celebrar nos meios protestantes o “dia de lançamento das 95 Teses de Lutero” como marco histórico de ruptura com Roma.

Desde o século 18, as ideias e escritos de Lutero foram considerados pelos iluministas como marco de progresso cultural, com implicações sociais e institucionais de suas Teses, percepção, fé ou consciência religiosa. Para Immanuel Kant (1724-1804), a tradição luterana define um nexo causal entre secularização, tolerância religiosa e progresso cultural. No século 19, políticos e intelectuais estabelecerem um nexo causal entre protestantismo, progresso capitalista e expansão colonial moderna.

Referências bibliográficas:

VIANA, Alexander Martins. Estudo introdutório às 95 teses de Martinho Lutero. Revista espaço acadêmico, n. 34, mar. 2004,

CHAUNU, Pierre. O tempo das reformas (1250-1550): a Reforma protestante. Lugar na História, v. 49-50, Edições 70, 1993.

MARTINA, Giacomo. História da igreja: de Lutero aos nossos dias. V. 1: A era da Reforma. São Paulo: Loyola, 1997.

SILVESTRE, Armando A. Calvino: o potencial revolucionário de um pensamento. São Paulo: Vida, 2009.

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Webgrafia:
https://www.significados.com.br/reforma-protestante/
http://www.luteranos.com.br/lutero/95_teses.html
http://www.monergismo.com/textos/credos/lutero_teses.htm
https://www.espacoacademico.com.br/034/34tc_lutero.htm

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