Carlota Joaquina

Por Miriam Ilza Santana
Carlota Joaquina foi a primeira filha do rei Espanhol Carlos 4º com Dona Maria Luísa de Bourbon, ela nasceu a 25 de abril de 1775 na cidade de Aranjuez. Aos dez anos foi obrigada a contrair matrimônio, por meio de procuração, com o príncipe português D. João, segundo filho da rainha Maria I, a Louca. O casamento de ambos deu-se por interesse das duas famílias, que ambicionavam um acordo entre os dois países. D. João veio a tornar-se príncipe regente e em seguida rei de Portugal, somente após a morte de seu primeiro irmão, D. José, adquirindo então o título de D. João VI. Dona Carlota era uma pessoa que se não se enquadrava nos padrões de beleza, era feia de nascimento, possuía um gênio muito forte e pretendia sempre impor suas vontades.

Assaz cobiçosa, tentou de imediato mandar em seu esposo, porém este não se curvou aos seus desmandos, o que acarretou o afastamento entre ambos. Quando sua mãe adoece, com problemas de demência, D. João passa a viver no palácio de Mafra, ao seu lado, enquanto Dona Carlota permanece no palácio de Queluz junto à família real. Dona Carlota Joaquina deu à luz nove filhos, os quais foram batizados com os seguintes nomes: Maria Teresa, Antonio Pio, Maria Isabel Francisca, Pedro de Bragança - que viria a ser o futuro soberano do Brasil -, Maria Francisca, Isabel Maria, Miguel I, Maria da Assunção e Ana de Jesus. Veio para o Brasil contra sua vontade e assim que chegou ao Rio de Janeiro optou por habitar sempre distante do marido, em localidades campestres, como Botafogo, por exemplo. Somente em festividades públicas os dois eram vistos juntos.

Seu humor variava muito, quando se encontrava de péssimo humor tinha a capacidade de mandar castigar com chicotadas os viandantes que não dobravam os joelhos quando ela passava com sua comitiva. O príncipe não podia colocar a sua autoridade em risco e procurava manter Dona Carlota sempre bem vigiada por agentes secretos, que contratava para lhe informar todos os passos da mesma.

A princesa, com seu gênio voluntarioso, encontrava sempre um meio de comprar algum deles para lhe manter informada do que se passava no Palácio Real e na Quinta da Boa Vista. Um espião em particular ficou muito conhecido na época por trabalhar para ambos simultaneamente, Francisco Gomes da Silva, cujo apelido era Chalaça. Entre as várias informações relatadas ao príncipe, algumas eram irrelevantes, outras, porém, eram graves, como os vários amantes de sua mulher e as tramas que articulava contra o príncipe, no intuito de lhe tirar o poder das mãos. No ano de 1816, após o falecimento de D. Maria lª, Carlota Joaquina é declarada rainha.

Quando retorna a Portugal, após a Revolta do Porto, torna pública e notória sua insatisfação para com o regime constitucional que impera, o que acarreta na invalidação de seu título honorífico português. Isolada na Quinta do Ramalhão, ela maquinou para o retorno do absolutismo, e após o falecimento de D. João VI, tentou convencer o filho D. Miguel a apossar-se da coroa, mas a tentativa foi frustrada, pois ela por direito pertencia a D. Pedro I, que posteriormente a reivindicaria. D. Carlota Joaquina vem a morrer no palácio de Queluz, em Lisboa, a 07 de janeiro de 1830.