Governo de Prudente de Morais

Por Antonio Gasparetto Junior
A República Brasileira foi proclamada em 1889 por Deodoro da Fonseca, o militar que seria o primeiro presidente da história do Brasil. Seguido a ele e formando os dois primeiros governos do período republicano esteve o Marechal Floriano Peixoto, outro militar. Somente após esses dois primeiros governantes, período chamado de República da Espada, foi eleito o primeiro presidente civil brasileiro, Prudente de Morais.

Prudente de Morais era advogado e político. Já havia sido presidente do estado de São Paulo e senador, além de ter integrado a Assembleia Nacional Constituinte da República também como presidente. Foi o terceiro presidente do Brasil e recebeu um país que passava por uma grave crise econômica. Assumiu o poder em 1894 e, logo de partida, teve que resolver a questão da crise econômica e também um conflito político entre os radicais florianistas e a oligarquia cafeeira. Seus quatro anos de governo foram turbulentos e Prudente de Morais teve que dedica-los a uma série de pacificações.

A primeira questão a ser solucionada pelo presidente civil foi a Revolução Federalista que vinha acontecendo no estado do Rio Grande do Sul. Prudente de Morais conseguiu encerrar o conflito do estado com o governo federal e concedeu anistia aos rebeldes que participaram do movimento. Mas, pouco tempo depois, enfrentaria um problema rebelde de maior proporção, a Guerra de Canudos. Esta eclodiu na capital baiana, Salvador, e forçou Prudente de Morais a organizar e intervir militarmente para solucionar o problema. Nesta ocasião, o presidente sofreu um atentado no qual seu Ministro da Guerra foi o afetado e ferido mortalmente. A situação fez com que Prudente de Morais decretasse o Estado de Sítio e passasse a comandar com plenos poderes. O recurso garantiu a neutralidade da oposição política, a vitória dos interesses da oligarquia cafeicultora e ainda a eleição do sucessor que desejava, Campos Salles.

A crise econômica que enfrentou esteve intimamente ligada ao tipo de produção brasileira, que era predominantemente agrária. Ao longo do século XIX, o café ganhou grande importância na pauta de exportação brasileira e se tornou o principal produto comercializado. Na última década do século, contudo, o produto entrou em crise no mercado internacional, afetando a base da economia brasileira. O governo se esforçou para estimular a produção industrial, mas a questão não foi completamente solucionada em seu governo.

Ao fim de seu governo, Prudente de Morais deixou claro um perfil elitista da República Oligárquica que ganhava terreno no Brasil. Enquanto concedeu anistia aos rebeldes da Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, ordenou um dos maiores massacres da história do Brasil para solucionar a Guerra de Canudos, movimento de pobres na Bahia. Mas, de forma geral, foi bem sucedido em seu governo por conseguir solucionar as principais questões que o afetaram e que afetavam o país. Como já dito, conseguiu que seu sucessor fosse um aliado e seu candidato, Campos Salles.

Fonte:
SILVA, Gastão Pereira da, Prudente de Moraes - o Pacificador, Editora Zélio Valverde, 1946.