Guerra da Crimeia

Por Emerson Santiago
Ficou conhecida pelo nome de Guerra da Crimeia o conflito ocorrido entre outubro de 1853 e fevereiro de 1856, envolvendo de um lado o Império Russo e do outro o Império Otomano (atual Turquia), Grã-Bretanha, França, e o reino da Sardenha. Esta guerra é na verdade parte de uma série de disputas por territórios do então decadente império Turco-Otomano, e seu nome deve-se ao fato de que boa parte das batalhas ocorreram na península da Crimeia, hoje parte do território ucraniano.

O cerco de Sebastopol (pintura de Franz Roubaud - 1904).

O cerco de Sebastopol (pintura de Franz Roubaud - 1904), uma das principais batalhas da Guerra da Crimeia.

Após o Congresso de Viena, em 1815, as grandes potências europeias iriam experimentar três décadas de paz, sendo que as pressões políticas, econômicas, sociais e nacionalistas eram ao mesmo tempo contidas. Finalmente o sistema de Viena começou a ruir, e um dos primeiros problemas à vista era a fraqueza política demonstrada pelo império turco-otomano, e a possibilidade de fragmentação de seus domínios. Os europeus enxergaram nesse quadro a necessidade de evitar tal fragmentação, e evitar a expansão russa na região.

E justamente em julho de 1853 o império russo ocupa a península da Crimeia. Preocupadas, França e Grã-Bretanha tentam negociar uma retirada, mas a Turquia resolve declarar guerra em outubro. Britânicos e franceses correm em auxílio aos turcos quando os russos destroem a frota turca em Sinope, no Mar Negro, em novembro de 1853. A Grã-Bretanha estava ansiosa para garantir seu comércio com a Turquia e o acesso à Índia, e viu a manobra russa como um insulto, tornando inevitável uma resposta vigorosa ante o clamor da opinião popular. Já o arrivista império francês estava desesperado por glória militar e vingança por sua derrota nas mãos da Rússia em 1812. A defesa do império turco era apenas um fato ocasional.

Em termos militares, a guerra foi um ponto intermediário entre Waterloo e Primeira Guerra Mundial. Os exércitos empregavam uniformes e táticas napoleônicas, mas as armas eram "melhoradas", ou seja, mais letais e de manejo mais fácil. A luta enfatizou a importância fundamental da logística, trincheiras e poder de fogo, antecipando a experiência da Guerra Civil Americana (1861-1865).

Surgiram ainda muitas inovações, como navios de guerra blindados, o telégrafo elétrico intercontinental, minas submarinas e a fotografia de guerra. O custo humano foi imenso: 25.000 britânicos, 100.000 franceses e até um milhão de russos morreram, quase todos de doença ou negligência. O aspecto humano do conflito foi reconhecido na Grã-Bretanha com a introdução da mais alta condecoração por bravura, a "Victoria Cross", que ao contrário de outras medalhas, foi entregue a oficiais e homens, sem distinção.

O marco final da guerra foi a queda de Sevastopol conquistada pelas tropas aliadas a 8 setembro de 1855. O novo imperador russo, Alexandre II, concordou em assinar um tratado de paz no Congresso de Paris, a 30 de março de 1856.

Bibliografia:
Crimean War (em inglês). Disponível em: <http://www.infoplease.com/encyclopedia/history/crimean-war.html. Acesso em: 12 dez. 2012.
LAMBERT, Andrew. The Crimean War (em inglês). Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/history/british/victorians/crimea_01.shtml>. Acesso em: 12 dez. 2012.