História Contemporânea

Por Antonio Gasparetto Junior
A História Contemporânea é a fase atual que estamos vivendo da história da humanidade. Sucede a História Moderna.

A historiografia tradicional divide a história da humanidade em períodos: História Antiga, História Medieval, História Moderna e História Contemporânea. Segundo esta concepção, a humanidade tem sua história dividida em períodos que correspondem a eventos ocorridos no continente europeu ou em decorrência das ações de seu povo. Isto denota a forma tradicional de periodizar a história como fortemente eurocêntrica. Essa forma de encarar a história da humanidade está sendo amplamente revista atualmente, pois é preciso se levar em consideração a existência de grandes civilizações com grandes culturas ao longo da história também fora do continente europeu.

A História Contemporânea, segundo os historiadores, tem seu início marcado pela Revolução Francesa, em 1789. De acordo com essa idéia, modificações nas estruturas sociais ocorreram para caracterizar uma nova fase. O evento ocorrido na França derrubou as marcas do Antigo Regime que dividiam a sociedade em escalas dentro de uma pirâmide, na qual o rei e a nobreza ocupavam a posição mais alta, seguidos pelo clero e depois todo o resto da sociedade, incluindo camponeses e burguesia. O fato é que a classe burguesa já representava um importante grupo na ordem social e não recebia a devida consideração em troca, o que os levou a derrubar uma organização social já arcaica.

O Iluminismo teve grande influência na confecção de um novo período da humanidade, levantando a bandeira da razão e propaganda que as ciências seriam capazes de propiciar um progresso da civilização humana. O advento da nova fase colocou o indivíduo em destaque na história, capaz de definir seu próprio futuro. Ao contrário do que existia antes, quando o indivíduo era ligado a certa condição determinada pelo seu nascimento.

A História Contemporânea concretizou a presença determinante do capitalismo no cotidiano da humanidade. Exatamente por isso, surgiram novas teorias da vida humana em realidade alheia ao capitalismo. A consolidação de várias potências capitalistas desencadeou uma forte corrida por domínio de regiões fornecedoras de matéria-prima e consumidoras dos produtos industrializados. As tensões resultantes da corrida capitalista resultaram em esmagadoras guerras no século XX, colocando em questão a evolução da civilização.

Outros eventos também caracterizam fortemente a História Contemporânea. O novo período marcou as independências das antigas colônias européias, embora o imperialismo tenha gerado um novo tipo de dependência, a econômica. No século XIX há de se destacar as unificações tardias de Itália e Alemanha, as quais desencadearam a instabilidade na Europa com a entrada de novos países na corrida imperialista.

No século XX, as Guerras Mundiais, a Revolução Russa, a Crise de 1929, a Descolonização da África e a Guerra Fria deram as marcas do novo período. No século XXI, dois eventos foram importantes, até o momento: o Atentado Terrorista de 11 de Setembro e a Crise Econômica de 2008-2009. Entretanto, o questionamento sobre o caráter eurocêntrico de se dividir a história e o evento terrorista de 2001 está predizendo uma nova fase da história da humanidade. Alguns historiadores já arriscam a dizer que estamos vivendo a História Pós-Contemporânea. Embora o termo não seja dos melhores, essa nova concepção se baseia no fato de que a soberania dos Estados Unidos, a grande potência mundial da era Contemporânea, tenha sido abalada com o atentado. Daí novas relações mundiais se desencadeariam.