Insurreição Pernambucana

Por Miriam Ilza Santana
Levante que se sucedeu em Pernambuco em oposição à autoridade que a Holanda pretensamente pretendia exercer sobre Pernambuco, tendo na posição de líder um rico senhor de engenho de nome João Fernandes Vieira, que contou com a colaboração de um índio-guerreiro chamado Antônio Felipe Camarão.

A agitação política ocorreu no dia 13 de junho de 1645, já com uma razão pré-estabelecida. A Holanda estava enredada em combates na Europa e, endividada, necessitava de uma fonte que lhe gerasse os recursos financeiros para sanar estes débitos, assim resolveu cobrar, por intermédio da Companhia das Índias Ocidentais – possuidora do monopólio do comércio holandês na América – os empréstimos que concedera às elites da nata rural pernambucana.

Aquele que ousasse não cumprir com o pagamento das suas dívidas, teria seus domínios apreendidos pelos holandeses.

A colônia holandesa era gerida por Maurício de Nassau, o qual detinha a aprovação e a solidariedade dos senhores de terra pernambucanos. Contudo, por conta deste clima de tensão, o mesmo abandonara o cargo e voltara para a Europa no ano antecedente.

O índio Felipe Camarão estava ausente de Pernambuco quando deste infortúnio, porém tratou logo de retornar e veio acompanhado de um pequeno esquadrão de partidários.

No dia 03 de agosto de 1645 houve o primeiro grande revés para os holandeses, que foram vencidos pelos pernambucanos no Monte das Tabocas, local que atualmente abriga a cidade de Vitória de Santa Antão.

As insurgências continuam a acontecer em outros pontos da capitania, desta vez os insurrectos invadem Recife, instituem o Arraial Novo e nomeiam João Fernandes Vieira governador, apoderam-se das vilas de Olinda e Itamaracá.

A Insurreição Pernambucana se estenderia até 1648, quando ocorreriam as Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos para a expulsão definitiva dos holandeses. Elas foram frutos de uma resposta do povo – comandado pela aristocracia açucareira – em repúdio à permanência dos holandeses no Brasil.

Uma observação interessante a ser feita é que neste levante contou-se com a valorosa junção dos índios com os negros, lutando lado a lado por um mesmo objetivo: expulsar os holandeses do Brasil, além de ter sido o nosso primeiro movimento de insatisfação.