Insurreição Pernambucana

Licenciatura Plena em História (Faculdade JK-DF, 2012)
Pós-graduação em História Cultural (Centro Universitário Claretiano, 2014)

Publicado em 10/04/2019

A insurreição pernambucana ocorreu em 1645 e ficou conhecida como Guerra da Luz Divina. Esse conflito teve como objetivo expulsar os holandeses da região do Nordeste brasileiro.

Os senhores de engenho não suportavam mais a ideia de terem que pagar impostos aos holandeses que haviam se instalado no Brasil devido ao acordo feito com a Companhia das Índias Ocidentais. Outro fator que colaborou com essa insatisfação foi a religião, pois esses holandeses eram judeus e os portugueses católicos.

Aproveitando que o chefe da Companhia das Índias, Maurício Nassau tinha voltado para o seu país, os senhores de engenho reuniram-se com a coroa portuguesa em São João e conseguiram apoio de outras capitanias da Bahia, Recife, Alagoas e Sergipe. Todos tinham a mesma finalidade que consistia em expulsar de uma vez por todas os holandeses do Brasil.

Entre os principais combatentes se destacaram João Fernandes Vieira, um senhor de engenho português de origem africana que chegou ao Brasil quando tinha apenas dez anos de idade. Foi um excelente comandante do exército patriota e após as vitórias que obteve, foi condecorado chefe supremo da revolução e depois governador da guerra da liberdade e da restauração pernambucana. Posteriormente foi nomeado governador da Angola.

André Vidal Negreiros era da região da Paraíba e conseguiu a adesão de várias pessoas do Sertão. Lutou com muita coragem tendo sido nomeado mestre-de-campo. Comandou uma parte do exército patriota em Recife nas batalhas dos Guararapes, expulsando os holandeses da região.

Batalha dos Guararapes. Pintura de Victor Meirelles (1879).

Felipe Camarão tinha descendência indígena potiguara e era comandante de sua valente tribo que conhecia as regiões das matas. Juntos fizeram várias armadilhas e estratégias para que os holandeses não conseguissem adentrar na mata. O índio Camarão se sobressaiu nas batalhas de São Lourenço, Porto Calvo e Mata Redonda.

Henrique Dias era brasileiro e filho de escravos. Ficou conhecido como o “governador da gente preta” por ter reunido vários escravos para lutar a favor do Brasil. Foi comandante da parte do exército que envolvia negros e mestiços do exército patriota. Suas tropas eram chamadas de “milícias negras” ou tropas de Henrique.

Antônio Dias Cardoso foi um grande líder português da insurreição que lutou contra um exército bem maior que o seu na batalha de Montes Tabocas e venceu as tropas que tinham como comandante o chefe da Companhia das Índias Mauricio de Nassau. Venceu também a tropa neerlandesa liderada pelo tenente coronel Hendrick Van Hans em Casa Forte. Após as guerras, foi homenageado como patrono do primeiro batalhão do exército brasileiro e muito reconhecido por sua coragem e técnicas de guerras. Atualmente é considerado como o primeiro operador das forças armadas brasileiras.

Mesmo após vários anos de guerra e retirada da população holandesa do Nordeste brasileiro, a situação de desocupação territorial só ficou completamente resolvida após um acordo amigável entre Portugal e Holanda. Os países acordaram que a capitania de Pernambuco fosse “vendida” a Portugal por 4,5 toneladas de ouro, que poderiam ser pagas a prestações ou de outras formas, como açúcar, tabaco e sal. Em contra partida Portugal levou vantagem em receber de volta o domínio total sobre a Angola e o Brasil.

É interessante observar que a insurreição pernambucana de 1645 trouxe integração ao Brasil, tanto no âmbito territorial, já que a maior causa da guerra era reconquistar as terras que estavam sob domínio de outrem, como social, uma vez que negros, mestiços, índios, portugueses e brasileiros lutaram juntos por um ideal e um bem comum, que era defender e recuperar a riqueza que pertence ao Brasil.

Referências:

https://historiatecabrasil.com/insurreicao-pernambucana/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Insurrei%C3%A7%C3%A3o_Pernambucana

Arquivado em: Brasil Colônia