Plano Marshall

Por Antonio Gasparetto Junior
O Plano Marshall foi um programa de recuperação da Europa empreendido pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.

Durante seis anos, entre 1939 e 1945, a Europa viveu o maior conflito da história da humanidade. A Segunda Guerra Mundial colocou em choque os países ditos aliados contra os totalitarismos dos países chamados do eixo, Alemanha, Itália e Japão. Como uma espécie de continuação da Primeira Guerra Mundial, o segundo conflito internacional foi muito mais grave, pois espalhou combates por territórios da Ásia e da África e envolveu muito mais países. Nunca se havia visto um conflito com tamanho poder de destruição até aquele momento da história da humanidade. O investimento para tal poderio bélico foi tão grande quanto o rastro de destruição que a guerra deixou. Só em 1945 que os países do eixo foram derrotados e se renderam, encerrando os combates. No entanto, o número de mortes e a quantidade de ruínas eram enormes.

George Marshall.

George Marshall.

A Segunda Guerra Mundial teve dois grandes vencedores, os Estados Unidos e a União Soviética. O primeiro representava o poder do capitalismo no mundo. O segundo simbolizava o socialismo. Essa divergência, no entanto, faria que um novo conflito assumisse o lugar do encerrado. O choque ideológico entre capitalismo e socialismo fundamentou a chamada Guerra Fria, que recebeu este nome porque seus principais protagonistas evitavam o confronto direto em função do grande poderio militar de ambos. Era bem claro que, em caso de guerra direta, os dois sairiam derrotados e também a própria humanidade. E as atrocidades da Segunda Guerra Mundial já haviam chocado a todos. Assim, a Guerra Fria envolveu uma constante disputa por dominação ideológica e expansão da área de influência. Neste contexto, os Estados Unidos promoveram um plano de auxílio aos países aliados do continente europeu que estavam arruinados após a Segunda Guerra Mundial.

O Programa de Recuperação Europeia ficou popularmente conhecido como Plano Marshall. Ele era parte da estratégia estadunidense durante a Guerra Fria que procurava impedir a expansão do comunismo pelo mundo, o que se chama de Doutrina Truman. O programa recebeu a designação popular de Plano Marshall em função do Secretário de Estado dos Estados Unidos chamado George Marshall, o idealizador. O plano visava a reconstrução e o auxílio econômico aos países europeus que estavam destruídos após o conflito. As linhas de atuação do programa foram definidas em um encontro realizado em julho de 1947. A União Soviética chegou a ser convidada para participar dela, porém seu líder, Josef Stálin, negou comparecer pois julgou que o plano era uma armadilha capitalista. Desta forma, todos os países sob influência do socialismo foram proibidos de comparecer ao encontro.

O Plano Marshall destinou cerca de 13 bilhões de dólares ao longo de quatro anos a partir daquele encontro aos países que o adotaram (equivalente a aproximadamente 135 bilhões de dólares em 2014). O dinheiro foi aplicado em assistência técnica e econômica e, ao fim do período de investimento, os países participantes viram suas economias crescerem muito mais do que os índices registrados antes da Segunda Guerra Mundial. A Europa Ocidental gozou de prosperidade e crescimento nas duas décadas seguintes e viu nascer a integração que hoje a caracteriza. Por outro lado, os Estados Unidos solidificavam sua hegemonia mundial e a influência sobre vários países europeus, enquanto impunha seus princípios a vários países dos outros continentes também.

Já na década de 1950, os países que foram arruinados na Segunda Guerra Mundial apresentavam seus primeiros sinais de recuperação e crescimento. Mas o principal beneficiado do Plano Marshall foram os Estados Unidos. O país criou dependentes econômicos, espalhou seu padrão ideológico capitalista e barrou qualquer possibilidade de expansão do comunismo na Europa.

Fontes:
http://www.dw.de/1947-%C3%A9-anunciado-o-plano-marshall/a-568633-1
http://www.lasics.uminho.pt/OJS/index.php/citcem/article/view/666
http://www.lasics.uminho.pt/ojs../index.php/citcem/article/view/654
Foto: http://norway.usembassy.gov/marshallstatue.html