Política externa

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Política externa consiste em uma série de metas gerais no sentido da orientação de um país para o relacionamento com outras nações. A partir de um conjunto de considerações relacionado ao ambiente interno e externo (países fronteiriços, recursos naturais, capacidade bélica, etc.), desenvolvem-se políticas externas para o planejamento e execução de projetos no âmbito geopolítico.

A aplicação da política externa ocorre por meio da diplomacia, que consiste no método estabelecido para guiar decisões relativas às relações internas e externas a partir de negociações, do diálogo, entre outras formas, buscando evitar a guerra e a violência. Por outro lado, quando uma estratégia diplomática não surte efeito em questões como a soberania nacional, a seguridade das fronteiras de uma nação e, muitas vezes, fica abaixo dos interesses de governos com características expansionistas, a política externa acaba sendo levada a medidas como a guerra, a agressão ou à atividade exploratória. Neste sentido, é importante frisar que, por meio da Carta das Nações Unidas, o Direito Internacional proíbe a agressão entre os Estados.

O conceito de política externa é muito complexo e tem variadas interpretações. Ele pode ser alterado de acordo com a realidade material de cada território ou época. Um pensador político de extrema importância no que se refere à política externa foi Nicolau Maquiavel, filósofo, historiador e diplomata de origem florentina, do Renascimento. Ele trouxe avanços e modernização ao campo da política externa ao analisar as relações entre os Estados por meio de um viés realista. Isenta de valores cristãos, a concepção de Maquiavel indicava que as inter-relações não dispunham de uma autoridade central (ou geral), com caráter arbitrário, na qual não existia a utilização de força de coerção ou monopólio.

Dentro deste panorama, somado à competição entre os países, Maquiavel verificou que a melhor forma de atuar politicamente seria através da realpolitik indicando que cada nação devia ser guiada pelos seus interesses, acima de quaisquer relações de desavença ou cordialidade com outrem. Ou seja, para guiar o Estado da melhor forma possível seria necessário o pragmatismo, que prega que a validação de uma doutrina pelo seu êxito prático.

Política externa chinesa

A política externa da China configura-se em um exemplo da utilização da diplomacia. Desde que passou pela Guerra do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), na qual seu território foi fragmentado pelos interesses imperialistas ingleses, a China começou a atuar no sentido do respaldo de sua soberania nacional. Assim, em sua relação com outros países, procura sempre a criação de um entorno geopolítico pacífico com os vizinhos, criando relações de apoio mútuo de maneira pragmática e visando seus interesses desenvolvimentistas.

Os princípios da política externa chinesa, assumidos um dia antes da proclamação da República Popular da China, na Conferência Consultiva do Povo Chinês (1949), indicaram objetivos como “salvaguardar a independência, a liberdade e a integridade soberana e territorial do país, apoiar a paz duradoura internacional e a cooperação amistosa entre os povos e opor-se à política imperialista de agressão e guerra”.

Planos de política externa

Dentro do contexto de cada nação segue-se uma estratégia de política externa para que sejam cumpridas metas de longo prazo. Para isso, os governantes primeiramente atuam na identificação de uma meta nacional. Por exemplo, esse objetivo pode ser aumentar a capacidade produtiva, fortalecer seu campo militar ou diminuir os índices de pobreza e fome. Com a indicação dessa meta, o país passa por um processo em que são avaliados os recursos disponíveis e como será feito o ordenamento para que se obtenha êxito.

Poder brando (Soft Power)

Conceitualmente o soft power (poder brando) é a capacidade que um país tem de agir a favor de seus interesses sem a necessidade de uma ação incisiva. É gerar uma imagem de credibilidade em relação ao campo internacional, algo primordial para a política externa, atraindo boas parcerias e relações comerciais. É o reflexo externo de todas as políticas que aplica internamente, da sua cultura, da sua tecnologia, forma de governo, entre outros.

Quando falamos de um país, sempre surgem à mente as principais características de sua cultura. Em resumo, isso é o poder brando – ou soft power – de cada nação. Se falarmos em Brasil, logo se pensa em Carnaval, praia, recursos naturais infindáveis, Amazônia, água, futebol, entre outros aspectos. Quando o assunto é Estados Unidos, nossa memória remete ao estilo de vida americano dos anos 50 (American Way of Life), modernidade, cinema, Quinta Avenida. Já o poder brando da China está ligado ao seu desenvolvimento, liderança tecnológica, diminuição da pobreza, confucionismo, equilíbrio e crescimento acelerado.

Fonte:

BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. 7ª ed., Brasília, DF, Editora Universidade de Brasília, 1995.

https://plataformapoliticasocial.com.br/artigo-43-politica-externa-reflexoes-sobre-seus-fundamentos-perspectivas-e-desafios/

https://blog.portaleducacao.com.br/politica-externa-o-que-e/

https://ri.furg.br/noticias-editais-eventos/eventosblog/287-04-05-2020-a-politica-externa-da-china-para-alem-da-nova-rota-da-seda-atores-objetivos-e-impacto-no-sul-global

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