História do Kuwait

Por Antonio Gasparetto Junior
O Kuwait é um país localizado na Península Arábica na Ásia Ocidental que faz fronteira com o Iraque e com a Arábia Saudita. Possui um território de aproximadamente 18 mil Km² e uma população de cerca de três milhões de habitantes. Sua capital é a Cidade do Kuwait e a língua oficial é o árabe. Possui um elevado Índice de Desenvolvimento Humano.

Origens

A região onde hoje se encontra o território do Kuwait foi colonizada pelos gregos no século III antes de Cristo, local onde acreditavam que havia sido enterrado Ícaro, um ser mitológico filho Dédalo conhecido por tentar deixar Creta voando. No decorrer dos séculos seguintes, a região testemunhou a presença de muitos impérios e a intensa disputa entre grupos étnicos distintos.

Dominação

Além do domínio dos gregos iniciado no século III antes de Cristo, a região do Kuwait esteve sob o domínio de outros grandes impérios que marcaram a história do Oriente Médio. Depois dos gregos, a região foi dominada pelo Império Parta, que também é chamado de Império Arsácida e foi uma das principais potências político-culturais iranianas da antiga Pérsia. Em seu auge, o império dominava um território que se estendia das margens do Rio Eufrates até o leste do Irã, dominando a Rota da Seda, importante rota comercial do Ocidente com o Oriente na época. Mais tarde, a região ficou sob controle do Império Sassânida, que foi o último império persa pré-islâmico. Foi uma das principais potências da Ásia Ocidental e Central e uma das mais influentes. Nesta época, a região do atual Kuwait era conhecida como Hajar. Mais tarde, com a conversão da população da região ao islamismo, o território do Kuwait passou a fazer parte dos califados islâmicos.

Formação do Kuwait

O termo Kuwait é o diminutivo de kut, que significa forte. Ou seja, fortezinho. Os primeiros colonos permanentes na região vieram da tribo Bani Khalid e foram eles que estabeleceram o Estado do Kuwait. Este foi fundado no início do século XVIII reunindo vários clãs da região de Anaiza, resultando na miscigenação dos migrantes. Após vários deslocamentos, esses povos encontraram um lugar aprazível para viver e se uniram a tribo Bani Khalid. Progressivamente, o Kuwait se tornou um ponto central de comércio e se beneficiou de sua posição favorável. Mas, como aconteceu em toda região, o Kuwait ficou sob influência do Império Otomano no final do século XIX. Apesar dos otomanos reconhecerem a autonomia da dinastia al-Sabah, eles reivindicaram a soberania sobre o Kuwait. O crescente interesse de países europeus na disputa por mercados consumidores e áreas de influência no Oriente causou a aproximação do Kuwait com o Reino Unido no final do mesmo século. O país áraba deu o controle da política externa aos britânicos, em troca de proteção e subsídios. O início do século XX marcou a intensificação das tensões internacionais nas disputas por mercado, que veio acompanhada de outros problemas políticos resultando na Primeira Guerra Mundial. O conflito extinguiu o Império Otomano, gerando vários Estados independentes no Oriente. O Kuwait se tornou um principado independente protegido pelo Império Britânico. Nas décadas de 1920 e 1930, o Kuwait se tornou um dos países mais pobres do mundo por causa do colapso da coleta de pérolas no Golfo Pérsico, que arruinou sua economia. A dependência cresceu mais ainda em relação aos britânicos, que desfrutavam de regalias e privilégios em seu território.

Kuwait Contemporâneo

O Kuwait se tornou totalmente independente no dia 19 de junho de 1961, acabando com as regalias dos britânicos. Logo em seguida, foram descobertos postos de petróleo na região, o que causou um grande investimento de recursos no país, refletindo em enorme crescimento da indústria de petróleo, responsável por transformar o Kuwait. O país deixou de ser um pobre produtor de pérolas e se tornou um dos mais ricos da Península Arábica em pouco tempo, atraindo muitos trabalhadores do Egito e da Índia. A independência e o poderio econômico do Kuwait foram reconhecidos pelos vizinhos árabes no decorrer da década de 1960. Mas, após a nacionalização da principal empresa de petróleo do país, na década de 1970, o Kuwait sofreu com uma grave crise econômica em 1982. Naquela época, ficou registrada uma severa crise do petróleo, iniciada em 1979, que causou grandes prejuízos em escala global. Ainda que ela tenha durado pouco tempo, foi suficiente para causar muitos danos. Só que o Kuwait aumentava constantemente sua produção, preenchendo as lacunas deixadas por Iraque e Irã na produção de petróleo.

Na ocasião da guerra entre Iraque e Irã, o Kuwait concedeu ajuda econômica ao Iraque. Ao terminar o conflito, os iraquianos pediram o perdão da dívida de mais de 65 milhões de dólares, o que foi recusado pelos kuwaitianos. Assim, nasceu uma disputa econômica entre os dois países que cresceu gradativamente. O Kuwait continuou aumentando sua produção de petróleo e o Iraque o acusou de abusar dos direitos de exploração. Sob o governo de Saddam Hussein, o Iraque invadiu o Kuwait em agosto de 1992 e instalou seu próprio governador. A ocupação iraquiana causou a morte de mais de mil civis e a fuga de mais de 300 mil habitantes. Os Estados Unidos lideraram uma coalizão internacional que reuniu 34 nações e enfrentou o exército iraquiano na segunda Guerra do Golfo. Assim, em fevereiro de 1991, os estadunidenses conseguiram expulsar os iraquianos do Kuwait. Mas, antes de sair, o exército do Iraque prejudicou 737 poços de petróleo kuwaitianos, destruindo cerca de 5 milhões de barris de petróleo. Com todas as ações destrutivas dos iraquianos, o Kuwait gastou mais de 50 bilhões de dólares para reconstruir sua estrutura existente antes da invasão. Mais uma vez, contudo, o Kuwait demonstrou sua capacidade de recuperação, retomando boas condições socioeconômicas e ambientais. O país diversificou sua produção e suas exportações estabelecendo fortes vínculos comerciais com Japão, Estados Unidos e União Europeia, por exemplo. Hoje, o Kuwait é um dos países mais ricos do mundo, com uma economia que cresce consideravelmente.

Fontes:
http://www.getcited.org/pub/100175425
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/histensino/article/view/12773
http://sedici.unlp.edu.ar/handle/10915/10200
http://smtp.ciadasletras.net/trechos/80186.pdf